No dia 13 de setembro, às 17h, o quadro “Voz e Representação” do podcast Pode Conversar recebeu a secretária de Desenvolvimento Social e Habitação, Helena Wanderley, que explicou como funciona a rede de serviços da assistência social em Patos, quais são os critérios para acesso a benefícios e como a secretaria tem atuado em eventos e campanhas no município.

Helena é pedagoga e começou sua trajetória no setor público em 2005, ainda como adjunta. Posteriormente assumiu a secretaria e, desde então, coordena os trabalhos da área. Ao longo da entrevista, ela destacou que a secretaria está estruturada pelas proteções previstas no SUAS, como os CRAS, responsáveis por atendimentos básicos, inscrições no Cadastro Único, programas de convivência e benefícios eventuais, além do CREAS e do Centro POP, voltados para casos de violação de direitos e para o atendimento de pessoas em situação de rua. Também mencionou a importância dos programas de segurança alimentar, como o Banco de Alimentos e o OPA, que unem agricultores familiares e famílias em situação de vulnerabilidade.

A secretária explicou ainda a diferença entre o atendimento prestado às pessoas em situação de rua e às famílias Warao, indígenas venezuelanas que vivem em Patos. Segundo ela, essas famílias não se enquadram como população de rua, pois recebem aluguel social, têm crianças matriculadas na rede de ensino e estão inscritas no CadÚnico. A prática de arrecadação que realizam faz parte de sua cultura e não é considerada mendicância.

Sobre o Bolsa Família, Helena destacou que a inscrição no Cadastro Único não garante automaticamente o benefício, já que a liberação é feita apenas pelo governo federal. O programa exige renda per capita de até R$ 218 e condicionalidades como matrícula escolar, vacinas em dia e acompanhamento de saúde. A secretária reforçou também a necessidade de atualização cadastral a cada dois anos ou sempre que houver mudanças na família.

Outro ponto abordado foi o Programa de Atenção à Primeira Infância (PAI), que garante benefício de transferência de renda para famílias com crianças de 0 a 6 anos. O acompanhamento é feito pelos CRAS e pelo Criança Feliz, que realiza visitas domiciliares. Helena esclareceu que o cartão não é destinado ao pai, mas sim à mãe ou responsável que acompanha os atendimentos, embora a secretaria incentive a presença paterna nos cuidados.

A secretária apresentou ainda o Serviço de Família Acolhedora, que permite a famílias cadastradas receberem temporariamente crianças afastadas por ordem judicial, até que a Justiça decida sobre retorno à família de origem ou adoção. Para a população idosa, destacou o Centro Dia do Idoso, onde participantes passam o dia com atividades, alimentação e acompanhamento, retornando às casas ao fim da tarde.

No campo da qualificação profissional, Helena relatou a parceria com o Sistema S (SENAC e SENAI), que oferta cursos como panificação, confeitaria e cabeleireiro, voltados a famílias inscritas no CadÚnico. Ela citou também a Padaria Artesanal, projeto implantado em Patos em parceria com Lu Alckmin, que ensina a produção de pães artesanais em oficinas rápidas.

Em relação aos eventos culturais da cidade, como o São João e a Festa de Nossa Senhora da Guia, a secretaria atua na prevenção ao trabalho infantil, orientando famílias e barraqueiros. A abordagem prevê orientação inicial, notificação em caso de reincidência e, se necessário, restrição ao direito de instalar barracas. As campanhas anuais, como o Maio Laranja, que combate a exploração sexual de crianças e adolescentes, e o Setembro Amarelo, voltado para prevenção ao suicídio em parceria com a Saúde, também estiveram em pauta.

Ao final, Helena destacou que o principal desafio da secretaria é garantir recursos para manter todos os serviços em funcionamento, mas reforçou que a prioridade é atender com qualidade, prevenir violações de direitos e apoiar famílias em situação de vulnerabilidade.

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