O Pode Conversar recebeu, em 03 de outubro, às 19h, Maria Joseni — conhecida como Josa — pedagoga, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa (CMDPI) de Patos-PB e coordenadora diocesana da Pastoral da Pessoa Idosa (PPI). Ao longo da conversa, ela falou sobre a trajetória pessoal, a importância dos conselhos, a atuação da pastoral e os impactos desse trabalho no município e na diocese.

Josa explicou que sua militância começou a partir da catequese, passando pela Pastoral da Comunicação e chegando à Pastoral da Pessoa Idosa, onde hoje coordena uma equipe responsável pela formação de líderes voluntários. Esses líderes realizam visitas mensais a pessoas idosas em situação de vulnerabilidade, com dados enviados à coordenação nacional em Curitiba. Segundo ela, atualmente são mais de 20 mil voluntários e mais de 100 mil idosos acompanhados em todo o Brasil. “Quando o Ministério da Saúde precisa de informações, procura a gente, porque temos um banco de dados atualizado”, disse.

No papel de presidente do CMDPI, destacou que o conselho tem função fiscalizadora e deliberativa, mas não de polícia. As denúncias podem ser feitas de forma anônima, encaminhadas ao CRAS, CREAS e, em situações mais graves, ao Ministério Público e à polícia. “O conselho não tem poder de polícia, mas acompanha, cobra e articula as respostas”, reforçou. Ela relatou que, por falta de telefone institucional, muitas demandas chegam diretamente a seu número pessoal, inclusive nos fins de semana.

Entre os casos que mais marcaram sua gestão, Josa citou a história de “seu Pernambuco”, um idoso em situação de rua que, durante a pandemia, era acompanhado pela pastoral e pela assistência social. “Ele dizia: minha casa é a porta do mercado”, relatou. Depois de adoecer, foi internado e levado a um abrigo, mas sempre pedia para voltar à rua. Ao falecer, não foi localizado nenhum familiar. O conselho e a pastoral assumiram a responsabilidade pelo sepultamento, com autorização do Ministério Público. “Ele foi enterrado com dignidade, não como indigente”, afirmou.

A presidente também relatou conquistas recentes, como a reativação do Fundo do Idoso em Patos, que tem financiado conferências, aquisição de equipamentos e apoio a visitas técnicas. Disse que parte dos recursos vem de doações, emendas e destinação de Imposto de Renda. Citou ainda a implantação do programa Cidade Madura em Patos, resultado de mobilização no Orçamento Democrático estadual, e a participação em conferências de direitos que vão culminar na etapa nacional em Brasília, em dezembro. Patos levará duas propostas: transformar a cidade em “Cidade Amiga da Pessoa Idosa” e incluir conteúdos sobre envelhecimento no currículo escolar.

Outro tema abordado foi o combate ao preconceito etário. “Ainda há muito idadismo, principalmente no mercado de trabalho, onde dizem que uma pessoa com 60 anos já está velha”, disse. Também mencionou parcerias com outros conselhos municipais, como os de Saúde, Mulher e Pessoa com Deficiência, e a atuação conjunta em ações de fiscalização e incidência política.

Ao final, Josa agradeceu o espaço e reforçou que sua atuação é voluntária, sem vínculos partidários. “Nossa luta é por políticas públicas, não por política partidária. O que buscamos é que a pessoa idosa seja respeitada, valorizada e tenha seus direitos garantidos”, concluiu.

A entrevista completa pode ser assistida em: