Jose Francisco de Souza, conhecido como Zeca da Saúde e atual gerente da 6ª Gerência Regional de Saúde (GRS) de Patos-PB, detalhou em entrevista a atuação da regional, o acompanhamento de casos suspeitos de adulteração de bebidas com metanol, o desempenho das coberturas vacinais, a logística de medicamentos de maior complexidade e a expansão recente da rede assistencial do Sertão. Ele situou a 6ª GRS na 3ª macrorregião, com sede em Patos, e descreveu a abrangência: “A Sexta Gerência é composta por 24 municípios. Patos e mais 23”, com população sob monitoramento que, somando Patos, chega a “130 e poucos mil habitantes”.

Sobre a circulação de bebidas adulteradas, Zeca afirmou que a Secretaria de Estado da Saúde colocou gerências e hospitais em alerta para identificação e rastreio de pacientes, com foco em destilados, especialmente vodca. Segundo ele, a orientação é identificar rapidamente o local de consumo, o tipo de bebida e toda a cadeia de distribuição quando houver suspeita: “Vai ser investigado, vai ser bloqueado, ver os últimos passos que ele deu, aonde ingeriu a bebida”. Ele destacou que a adulteração burla rótulos e controles, reforçando o papel de vigilância nacional: “A ANVISA está supervisionando tudo”. Ainda sobre apoio científico, citou pesquisas da UEPB que permitem triagem não invasiva em bebidas e um dispositivo tipo “canudo” para indicar possível adulteração.

No campo da imunização, Zeca afirmou que a regional tem atingido as metas na maior parte dos municípios, destacando Quixaba como desempenho de referência. O maior desafio está na adesão de adultos à vacina contra Covid-19 e às síndromes gripais, tema alvo de campanhas em feiras, corridas e outros pontos de fluxo. Ele explicou a governança das campanhas: o Ministério da Saúde define calendários e “Dias D”, enquanto municípios executam ações complementares e podem solicitar reforço de doses à gerência. Na atenção básica, enfatizou o papel dos Agentes Comunitários de Saúde como “porta de entrada” do sistema, responsáveis por aproximar famílias das unidades, verificar cartões de vacina e orientar retornos programados.

Ao tratar da Doença de Chagas, Zeca avaliou que a situação regional está “controlada”, associando a queda de casos a melhorias habitacionais e ao maior acesso a exames de investigação. Em relação às arboviroses, apontou sazonalidade: índices mais baixos na estiagem e atenção redobrada com as primeiras chuvas, quando as equipes intensificam os bloqueios e inspeções domiciliares.

Na assistência farmacêutica, explicou o financiamento tripartite da lista da atenção básica (REMUME) e o fluxo específico para doenças crônicas e de maior complexidade nas farmácias especializadas (CDMEX), com cadastro analisado pelo Estado e retirada mensal do paciente. “É melhor que a gente dispense mensalmente para 30 dias”, disse, citando riscos de automedicação e de trocas de esquema. Ele relatou um piloto de descentralização que levou a entrega de medicamentos a 23 municípios (exceto Patos), reduzindo filas na gerência e evitando deslocamentos: “Diminuímos assustadoramente as filas”.

Sobre a rede assistencial, Zeca mencionou a oferta de hemodinâmica no Complexo Regional de Patos, o uso de transporte aeromédico para encurtar tempos de resposta e a evolução do Hospital do Bem, serviço oncológico que completou sete anos e está em fase de implantação de PET-CT e radioterapia com acelerador linear. “Não é só ter o dinheiro; é ter também todo o projeto e a logística”, observou, ao comentar os requisitos técnicos para instalação do acelerador.

Ao revisitar sua trajetória, Zeca descreveu a participação em iniciativas pioneiras de centrais de marcação e a transição do antigo Cartão SUS para o uso do CPF como chave de integração, com registros eletrônicos nas UBS e tablets para os ACS. No período da pandemia, relatou a escassez inicial de respiradores e ausência de terapias específicas, além da ampliação gradual de serviços e leitos. Para ele, o período reforçou a percepção do SUS como estrutura essencial.

Na política, Zeca afirmou ser filiado ao Republicanos e disse atuar na gestão para todos: “Quando me visto de um cargo, a gente está para atender toda a população e não atender as cores partidárias”. Sobre o cenário estadual, avaliou positivamente a descentralização de serviços de saúde no governo João Azevêdo e apontou o alinhamento de seu partido com o nome de Lucas Ribeiro para a disputa ao governo: “O nome do momento […] é o nome de Lucas”. Em relação ao Senado, manifestou apoio ao projeto do prefeito Nabor Wanderley, argumentando que a representação no Congresso tende a ampliar a capacidade de captação de recursos para a região: ter Nabor no Senado “faz com que Patos continue crescendo cada vez mais”. Ele também comentou a sucessão de Francisca Mota, indicando Olívia Mota como continuidade de um trabalho de base: “Olívia chega com a sua vitalidade para dar continuidade […] respaldado em toda a história de Francisca Mota”.

Ao final, Zeca reforçou o papel estruturante do SUS e a necessidade de sustentação institucional: “Saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado”. E afirmou que a 6ª GRS mantém-se à disposição dos 24 municípios de sua área para suporte técnico, imunização, vigilância, assistência farmacêutica especializada e monitoramento epidemiológico.

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