Na última sexta-feira (10/10), o podcast Pode Conversar recebeu Eryvelton Lima CEO do Data Ducs, professor, servidor público e empreendedor na área de estatística e pesquisa. Em um bate-papo leve e informativo com o apresentador Francisco Anderson (Chiquinho), ele compartilhou sua trajetória profissional, falou sobre previdência pública, metodologias de pesquisa eleitoral e de mercado, e destacou o papel dos dados como ferramenta de tomada de decisão para gestores e empresários.

Trajetória e formação

Formado em Sistemas de Informação pela UNIFIP, Eryvelton Lima CEO do Data Ducs iniciou sua carreira na docência, atuando em cursos técnicos e preparatórios para concurso público. Com o tempo, passou a integrar o serviço público municipal de Patos (PB), onde desde 2012 exerce o cargo de técnico administrativo. Em 2017, ingressou no Instituto de Previdência de Patos, onde se especializou em Compensação Previdenciária (COMPREV) — mecanismo que permite o ressarcimento financeiro entre regimes de previdência distintos (RPPS e RGPS).

Ele explicou de forma didática como o RPPS (Regime Próprio de Previdência Social), embora mais ágil e próximo dos servidores, ainda é um grande desafio para as prefeituras. “O RPPS é o calo do poder executivo. Ele exige repasses regulares, cálculos atuariais e cumprimento de obrigações legais. Com a Emenda Constitucional 103/2019 e a PEC 66, o número de parcelas chegou a 300, o que mostra o peso da previdência municipal no orçamento”, comentou.

Ao abordar a pensão por morte, detalhou as mudanças recentes na regra: “Hoje, o benefício é de 50% mais 10% por dependente. Não existe mais integralidade. No RPPS, a tramitação é mais simples, com menos burocracia que no INSS, mas as obrigações continuam sendo grandes para as gestões.”

Da estatística à criação do Data Ducs

Com experiência docente e formação técnica sólida, Eryvelton Lima CEO do Data Ducs descobriu na estatística e na pesquisa de opinião uma nova vocação. “Sempre gostei de política e de números. Vi que podia unir as duas coisas e criar algo relevante para a cidade e a região”, contou. Assim nasceu o Data Ducs, instituto de pesquisa que pretende atuar tanto no campo eleitoral e político quanto no mercadológico, oferecendo dados precisos para apoiar decisões públicas e privadas.

O nome, inspirado em modelos nacionais como o Datafolha e o DataTrends, simboliza o compromisso com a seriedade e a tecnologia na coleta e interpretação dos dados. “A ideia é oferecer pesquisas com base científica, metodologia transparente e foco no retrato real de cada momento político ou econômico”, explicou.

Como funcionam as pesquisas

Durante o programa, Eryvelton Lima CEO do Data Ducs fez questão de esclarecer conceitos básicos sobre amostragem, margem de erro e tipos de pesquisa. Ele destacou que mais importante do que o tamanho da amostra é a distribuição geográfica e social dos entrevistados. “Uma pesquisa de 1.200 pessoas bem distribuída pode ser mais precisa do que uma de 2.000 mal distribuída. O segredo está em respeitar a diversidade de bairros, zonas rurais e perfis de renda”, afirmou.

Sobre os métodos de coleta, defendeu o uso de tablets e softwares especializados para acelerar a tabulação e reduzir erros humanos. “A prancheta foi essencial no passado, mas a era digital exige rapidez e precisão. Tudo será feito de forma eletrônica, com questionários entre 12 e 14 perguntas e painéis automáticos de resultados.”

Ele também explicou a diferença entre pesquisa espontânea e pesquisa estimulada. Na espontânea, o entrevistado cita o candidato sem que nomes sejam sugeridos, medindo o nível de lembrança e capilaridade. Já na estimulada, o entrevistado escolhe entre opções apresentadas, o que ajuda a simular cenários eleitorais. “A pesquisa é um retrato do momento. Serve para entender o cenário, não para massagear ego. A boa pesquisa é aquela que mostra a realidade, mesmo quando não agrada ao cliente”, afirmou.

Análise do cenário político

Ao ser questionado sobre as eleições para o Senado na Paraíba, Eryvelton Lima CEO do Data Ducs avaliou que o quadro atual ainda é “muito preliminar”. Citando nomes como Nabor Wanderley, Veneziano Vital do Rêgo, João Azevêdo e Marcelo Queiroga, ele ressaltou que todos possuem serviços prestados e bases eleitorais consolidadas. “Nabor tem uma aceitação muito grande em Patos, Veneziano em Campina Grande, e Queiroga em João Pessoa. É uma disputa equilibrada, sem favorito. O jogo de verdade começa depois de abril, quando terminam as desincompatibilizações.

Pesquisas de mercado e o fim do achismo

Além do campo eleitoral, Eryvelton Lima CEO do Data Ducs defende a expansão da pesquisa de mercado como ferramenta estratégica para o comércio local. Segundo ele, ainda há resistência no interior nordestino, onde muitos empresários baseiam suas decisões em “achismos”. “Pesquisa de mercado não é gasto, é investimento. Ela evita que o empreendedor dê um passo no escuro. Antes de abrir uma loja, é preciso saber se o público tem poder de compra, se prefere loja física ou virtual e quais produtos realmente têm demanda”, explicou.

Ele também destacou a importância da pesquisa de satisfação, especialmente em casos de queda nas vendas. “O empresário só costuma procurar ajuda quando o faturamento cai. Mas é preciso entender o cliente continuamente — o que mudou, o que ele quer, se há novas preferências ou falhas no atendimento. O consumidor muda o tempo todo. Dados ajudam a acompanhar esse movimento.”

Pesquisas de gestão e avaliação de governo

Outro foco do Data Ducs é o campo das pesquisas de gestão pública, usadas por prefeitos e gestores para avaliar a percepção da população sobre o governo. Segundo Eryvelton Lima CEO do Data Ducs, essas pesquisas se dividem em quantitativas (números, índices, aprovação) e qualitativas (razões, percepções, sentimentos). “A quantitativa mostra quanto está bom ou ruim. A qualitativa explica o porquê. Se um bairro tem alto índice de insatisfação, é preciso saber se o problema é falta de calçamento, esgoto ou emprego. É diagnóstico para agir, não autopromoção”, explicou.

Ele destacou ainda que as pesquisas ajudam a traçar prioridades: “O gestor inteligente não teme a pesquisa ruim. Ele usa o resultado para corrigir rumos e planejar. A pesquisa é bússola, não sentença.”

Tecnologia e metodologia do Data Ducs

Em sua estrutura, o Data Ducs pretende unir rigor científico e tecnologia acessível. O instituto usará coleta digital via tablets, questionários automáticos e geração de gráficos dinâmicos para facilitar a leitura dos resultados. “Prefiro qualidade à pressa. Se uma equipe pequena precisa de três dias para entregar, que entregue bem-feito. O importante é a confiabilidade do dado, não a velocidade”, pontuou Eryvelton Lima CEO do Data Ducs.

Encerramento: dados como caminho para decisões melhores

No encerramento do podcast, Eryvelton Lima CEO do Data Ducs destacou que o propósito do instituto é aproximar a estatística das decisões reais, tanto no setor público quanto no privado. “Eu acredito na força dos dados. Seja para um prefeito avaliar a gestão, ou para um pequeno empresário entender o mercado, informação é poder. A pesquisa mostra a realidade e ajuda a agir com responsabilidade”, concluiu.

Com uma fala clara, técnica e ao mesmo tempo acessível, Eryvelton Lima CEO do Data Ducs mostrou que compreender os números é mais do que uma questão acadêmica — é um instrumento de transformação. Como ele mesmo resumiu durante o programa: “Pesquisa boa é aquela que mostra a verdade, mesmo quando dói.

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