O vereador Rafael voltou ao Voz e Representação para relatar os dez primeiros meses de mandato, ações em andamento e pautas que mobilizam a Câmara e a cidade. Sobre a Zona Azul, disse que a rotatividade é um objetivo conhecido em cidades maiores, mas defendeu ajustes conforme as particularidades de Patos. Citou críticas ao limite de 1 hora e à situação de quem trabalha no centro e precisa estacionar diariamente.

Sugeriu ampliar o tempo para trabalhadores que comprovem vínculo na área central, criar desconto ou parceria específica, instalar bebedouros em pontos da Zona Azul (como o canteiro principal e a praça da alimentação), câmeras de monitoramento e, por lei, destinar parte da arrecadação a instituições locais (APAE, Ecopatos, Adota Patos, Amigas Viva a Vida). A ideia é que o usuário saiba que está ajudando projetos sérios da cidade.

Questionado sobre a Casa do Autista, informou que, após reunião em João Pessoa com o secretário estadual de Saúde — articulação da deputada Francisca Mota —, ficou o compromisso de iniciar até o fim de novembro os encaminhamentos de localização e execução pelo Executivo para viabilizar a unidade em Patos.

Na sequência, atualizou o projeto da fábrica de ração “Fome Zero Pet”. Explicou que apresentou ao Judiciário (2ª Vara Mista) pedido de destinação de valores para compra de maquinário e insumos. Os três orçamentos foram enviados e o equipamento, fabricado na China, entrou em produção.

Com apoio político de Segundo Domiciano, foi feito o primeiro pagamento antes do repasse judicial. Segundo o engenheiro Ítalo Moraes, o embarque está previsto para 14 de novembro, com chegada entre 10 e 15 de dezembro e montagem na sede da Adota Patos. Em paralelo, seguem licenças e registro da formulação no Ministério da Agricultura. O objetivo é iniciar a produção de forma sustentável, atender cuidadores e ampliar a alimentação de animais de rua.

Sobre o papel do município, lembrou que a Prefeitura cedeu prédio e arca com água e energia para a ONG, e pode, adiante, adquirir a ração. Mencionou o canil municipal, as castrações e o projeto Arca PET, para o qual solicitou área verde.

Rafael descreveu as limitações diárias: a ONG acolhe mais de 30 animais, há fila de pedidos (ninhadas, atropelamentos, maus-tratos) e faltam estrutura e pessoal. Por isso, além do atendimento em Patos, a ONG mantém convênios de castração com municípios da região (São Mamede, Malta, Emas; tratativas com Mãe d’Água e Santa Terezinha via Paraíba Pet).

Comentou críticas por atuar também em cidades vizinhas e respondeu que a superpopulação é um problema metropolitano; quanto mais municípios aderirem, melhor o efeito em Patos. Relatou sua rotina de alimentar pontos fixos na cidade e disse que prioriza a execução em vez de transformar tudo em postagem.

Na pauta de infraestrutura urbana, protocolou requerimento por dois caminhões de sucção para desobstrução de galerias, argumentando que reduz obra, tempo e transtornos nas chuvas. Defendeu o papel do vereador como interlocutor — apontar demandas e propor soluções — e disse fazer críticas construtivas quando necessário.

Em segurança, registrou avanço legal para armamento da Guarda Municipal (armas doadas pela PM), mas cobrou efetivo: na visão dele, Patos precisaria de 50 a 100 guardas para cobrir praças e patrimônio. Disse que o município pode se antecipar ao debate nacional da PEC 18 (polícia municipal).

No eixo desenvolvimento, pediu foco em emprego, indústria e calendário de eventos. Elogiou a feira do Sebrae e comparou o dinamismo industrial de municípios como Sousa e Itaporanga, defendendo incentivos para Patos. Apontou a questão hídrica como gargalo para atrair empresas e sugeriu estudos de mananciais regionais.

Aproveitou para falar de representação em Brasília. Declarou apoio à pré-candidatura de Nabor Vanderlei ao Senado, avaliando que Patos tende a ganhar com protagonismo local. Destacou o papel de Hugo Motta na saúde (Hospital do Bem, acelerador linear) e no Hospital de Trauma do Sertão.

Sobre a conjuntura estadual, disse que o grupo seguirá a orientação de Nabor para o Governo. Como servidor e dirigente sindical da Polícia Civil, cobrou do Estado a valorização salarial (PCCR e aposentadoria), além de equipamentos.

Rafael também atualizou a agenda de saúde e inclusão. Na fibromialgia, após audiência pública, lembrou que a condição agora é reconhecida como deficiência por lei federal, citou a criação da associação (presidida por Sandra, com Lucinha na vice) e prometeu seguir apoiando com proposições.

Lançou um piloto de podcast do gabinete, mediado por Mário Frade e com convite a Célio Martinez, para discutir temas com visões opostas (como Zona Azul) e abrir espaço a quem não costuma ter mídia. Anunciou quadros itinerantes nos bairros para ouvir a população.

Adiantou um novo projeto: criar uma associação para produzir cadeiras de rodas, órteses e próteses para pessoas e animais, com frente sustentável e parcerias técnicas (inclusive projetos de estudantes do IFPB para cadeiras motorizadas), sujeito a licenças e apoios. A meta é lançar no primeiro semestre.

Sobre a eleição da Mesa da Câmara, citou o regimento que fixa 2 de dezembro para o pleito do primeiro ano. Disse que, independentemente de discussão jurídica, já declarou voto em Maicon Minevin — único que lhe procurou como candidato — e que manterá a palavra. Não foi convidado para compor a chapa, mas está à disposição.

Em mobilidade por aplicativos, informou que a comissão formada por ele, Josmá Oliveira e Júnior Contigo está compilando um texto base, aproveitando minuta de 2019 de Paulinho Lacerda e ouvindo empresas (99, Drive Nordeste, Jira Pato, Bora Sertão) e assessorias jurídicas. A proposta será encaminhada ao Executivo para formatação em projeto.

Por fim, disse que pedirá audiência pública sobre uso medicinal de cannabis, em diálogo com o procurador do município e com a associação de cultivo medicinal de São José de Pinhara, para esclarecer finalidade terapêutica, marcos legais e protocolos médicos. Anunciou ainda um “gabinete itinerante” nos bairros, com formulários de escuta, a partir do mês que vem.

Encerrando, agradeceu o espaço, reforçou que o mandato combina atuação parlamentar e trabalho fora da Câmara, e que o gabinete segue aberto para esclarecimentos e novos debates.

Entrevista completa (Voz e Representação): https://www.youtube.com/watch?v=qxlsbwWY8ag