No quadro Voz e Representação do programa Pode Conversar deste sábado (26/10), às 17h, o diretor do Campus VII da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Patos, José Ginaldo, abordou a pauta da greve, o subfinanciamento da instituição e os projetos de infraestrutura considerados estratégicos para a região. Em segundo mandato desde maio — após atuar como adjunto da professora Carolina, hoje na Pró-Reitoria Adjunta de Educação a Distância e Ensino Técnico —, ele definiu a paralisação como “um remédio amargo”, porém necessário diante de demandas acumuladas.

Entre os pontos destacados, Ginaldo citou o pagamento dos retroativos de progressões funcionais, congeladas pela Lei 10.660/2016, cujo montante, segundo ele, soma entre R$ 75 e R$ 76 milhões. Também defendeu recomposição salarial e respeito à autonomia universitária. Para o diretor, a universidade sofre com cortes recorrentes na proposta orçamentária enviada anualmente ao governo, apesar de a peça passar por Proplan, Pró-Reitorias, Conselho de Orçamento Participativo e Consuni antes de seguir à Assembleia.

Na proposta para 2026, a UEPB aprovou um orçamento de R$ 580 milhões, incluindo concursos, progressões, bolsas e obras. Ginaldo argumenta que o parâmetro de 3% da receita previsto na Lei de Autonomia foi definido há mais de duas décadas e, hoje, não cobre as necessidades reais da instituição. “É preciso rever o cálculo para que a universidade execute o planejamento aprovado pelos seus colegiados”, afirmou.

Os efeitos práticos em Patos aparecem sobretudo na falta de espaço físico. O campus, nas palavras do diretor, “capital do Sertão” e polo estratégico de formação, deixou de receber 2 mil vagas em cursos tecnológicos (Ciência de Dados e Análise e Desenvolvimento de Sistemas) do programa Limite do Visível por insuficiência de salas. “Sem infraestrutura, a expansão não acontece”, resumiu.

Duas obras são tratadas como prioritárias pela gestão. A primeira é o bloco de 20 salas de aula, escolhido no Orçamento Democrático Estadual de 2022 e com projetos aprovados pela Suplan, mas ainda sem início de construção. A segunda é o bloco de laboratórios, com financiamento da UEPB e de emenda da deputada federal Luiza Erundina, cuja documentação foi aprovada pelo FNDE e avança para a etapa interna de licitação. Juntas, as estruturas “praticamente dobrariam a capacidade” do campus. Há também a expectativa de criação de um polo de Educação a Distância em Patos, com documentação encaminhada para avaliação federal.

Enquanto as obras não saem do papel, a direção vem promovendo readequações internas. Uma sala de professores foi convertida em sala de aula para absorver turmas maiores, tramita projeto para ampliar o bloco administrativo e centralizar coordenações, liberando ambientes para estudo e docência, e o NARC, projeto cultural do campus, deve ganhar espaço mais adequado. O campus mantém parcerias com escolas públicas (Alirio, Dionísio da Costa e CEPA), numa estratégia de aproximação com a educação básica.

Em relação aos equipamentos, o aluguel do auditório para empresas privadas foi suspenso por não cobrir custos de manutenção, mas instituições públicas seguem com uso mediante cotas. O Refeitório Universitário avança com projeto arquitetônico para readequar a praça de alimentação — com relocação provisória de lanchonetes e serviços de xerox —, atendendo demanda antiga da comunidade acadêmica. Na assistência estudantil, um edital recente ofertou quatro vagas de moradia para Patos, porém não houve inscritos; o modelo prevê locação de imóveis e seleção por edital.

Na infraestrutura elétrica e de climatização, uma nova equipe recuperou equipamentos e a UEPB adquiriu cinco novos aparelhos de ar-condicionado. Ao mesmo tempo, foi solicitado estudo técnico sobre a capacidade da rede para suportar a demanda presente e futura, inclusive com a instalação de refletores e a perspectiva de novas construções. A gestão também discute terceirizar a manutenção de climatização para garantir resposta contínua.

A mobilidade estudantil foi outro tema da entrevista. Em reunião com o prefeito Nabor, houve sinalização positiva para transporte universitário noturno, a ser detalhado a partir de mapeamento conjunto com UFCG e IFPB. O dado demográfico reforça a necessidade: o Campus VII tem entre 1.200 e 1.300 estudantes, dos quais cerca de 550 a 580 residem em Patos; sem transporte, muitos gastam mais com deslocamento do que pagariam em aluguel.

A regularização predial do campus está na fase de averbação, etapa final para consolidar a cessão definitiva do imóvel e facilitar investimentos com recursos próprios. Ginaldo destacou ainda reformas recentes — banheiros, salas, muro lateral e calçamento — e o plano de revitalizar a fachada, continuidade do esforço iniciado na gestão de Carolina, com apoio da PROINFRA, dado que Patos possui uma das estruturas mais antigas da UEPB e requer manutenção permanente.

Ao rebater a crítica de que a UEPB gastaria “demais” com pessoal, o diretor enfatizou que a “matéria-prima” da universidade é humana — docentes, técnicos e equipes de apoio —, e que reduzir folha significaria encolher a própria instituição. Para além da formação profissional, citou o impacto das pesquisas, como o método desenvolvido na UEPB para detecção rápida de metanol em bebidas, com repercussão nacional e internacional, exemplo de retorno social do investimento em ciência.

Na dimensão política, o diretor elogiou a emenda de Luiza Erundina e fez apelo à bancada paraibana, mencionando o deputado Hugo Motta, para apoiar investimentos no Campus de Patos e no vizinho campus de Catolé do Rocha. “Não se trata de disputa com o governo, e sim de garantir condições para cumprir a missão pública. Se a proposta orçamentária for atendida integralmente, a cobrança passa a ser nossa para entregar o planejado”, concluiu.

Ao final, Ginaldo reforçou que a defesa da UEPB é compromisso de toda a comunidade acadêmica e da sociedade local. O Pode Conversar também antecipou a próxima entrevista: o ex-prefeito de Conceição, deputado Nilson Lacerda.

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