Nilson Lacerda relembrou 35 anos de vida pública em uma entrevista franca no quadro Voz e Representação, do Pode Conversar, realizada no último sábado (01/11), às 17h, em Patos (PB). Ex-prefeito de Conceição por dois mandatos e suplente de deputado estadual, ele percorreu sua trajetória desde a entrada na política em 1992 — impulsionada pela morte do pai, três vezes vice-prefeito — quando foi o vereador mais votado em três eleições consecutivas. Após duas derrotas para a prefeitura (2004 e 2008) contra o grupo Braga, venceu em 2012 e foi reeleito em 2016 com margem ampliada, sustentando que o que o credenciou foi “trabalho com o pé no chão” e a construção de um grupo que amadureceu ao longo das disputas.

Ao falar dos oito anos de gestão (2013–2020), Nilson destacou que sua “principal obra” não foi de pedra e cal, mas o modo de governar: “com o coração”. Segundo ele, a saúde foi o carro-chefe, com dez PSFs reformados, mutirões de cirurgias e partos no hospital, rede de atendimento que, quando necessário, encaminhava pacientes à capital, e abastecimento contínuo de medicamentos. Durante a pandemia, montou um comitê com 15 membros (MP, forças policiais, sindicatos e igrejas) para deliberar gastos e prestou contas mensalmente à Câmara, ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas. Nilson afirma ter encerrado o ciclo com todas as contas aprovadas, reforçando que a gestão foi austera, sem apoio sistemático do governo estadual ou federal, amparada sobretudo na articulação com o deputado federal Hugo Mota.

No campo das obras e da infraestrutura, Nilson cita mais de uma centena de intervenções, entre cerca de 50 ruas pavimentadas, a quase totalidade do Bairro Nossa Senhora de Fátima calçada (as primeiras oito ruas com apoio de Cássio Cunha Lima e a expansão na sua gestão), o asfaltamento da Av. Gov. Wilson Braga, o estádio Denizão, a Praça da Alimentação e requalificações no centro. Nos distritos, relatou ter calçado todas as ruas de Videl, construído escola e praça, colocado água encanada e reformado o posto; em Mata Grande, concluiu um açude e levou água encanada para cerca de 300 casas, além de investir em cisternas e perfuração de mais de 70 poços na zona rural. Na educação, mencionou a requalificação de escolas urbanas e rurais, a construção da Escola Dona Chicola, unidades em Videl e Cardoso, a creche Fabíola Michele deixada 90% pronta e depois inaugurada pela gestão seguinte, expansão do transporte escolar, kits completos anuais e merenda com cardápio elaborado por nutricionistas.

Sobre sua passagem pela Assembleia Legislativa como suplente, quando ocupou a cadeira por um ano, ressaltou pautas voltadas ao Vale do Piancó: sessão itinerante em Conceição, debate com o Ibama que resultou na suspensão de multas que atingiam pequenos agricultores, discussões sobre a transposição do São Francisco e a defesa do Centro de Hemodiálise em Piancó, reduzindo o deslocamento de pacientes. Olhando para 2026, Nilson explicou que pode voltar à titularidade caso se confirme a escolha de um deputado para o Tribunal de Contas — cenário em que, com a vacância, ele assumiria e concorreria à reeleição; se não, cogita repensar a candidatura. Para governador e Senado, diz manter diálogo em aberto, com Hugo Mota definido para federal.

Instado a falar de 2028, Nilson não descartou disputar a Prefeitura de Conceição. Disse ter “pretensão”, mas condiciona a decisão a “condições reais de vitória” e à “simpatia do povo”, rejeitando a “financeirização” que, em sua visão, tem distorcido campanhas municipais: “Não transformo eleição em balcão de negócios.” Ele acredita que a política precisa recuperar o peso do projeto e da biografia: “Nem sempre o melhor ganha quando o dinheiro fala mais alto, e isso é ruim para a democracia.

A entrevista percorreu também relações políticas e familiares. Nilson lembrou com emoção o irmão Ivanes, médico e ex-prefeito de Patos, a quem atribui conselhos importantes e um período de estabilização das contas do município; enalteceu o irmão Marcílio como seu principal articulador em Conceição, peça-chave na escolha de Samuel para a Presidência da Câmara e, depois, para a Prefeitura em 2020. Sobre o “racha” recente, afirmou não guardar mágoas, não descartar reconciliação e manter o respeito familiar: política, diz, “é feita de renúncia e diálogo”. Também valorizou a cultura local — com São João 100% “filhos da terra”, nomes como Pinto do Acordeon e Elba Ramalho, e uso da Lei Aldir Blanc — e as ações para a agricultura, com tratores para aragem, distribuição de sementes, manutenção de estradas e ampliação do acesso à água na zona rural.

No plano pessoal, reafirmou a simplicidade: “Não aumentei patrimônio, vivo do meu salário.” Disse que o maior orgulho é ver as três filhas formadas em medicina — com FIES e consignado assumidos pela família — e que as derrotas lhe ensinaram tanto quanto as vitórias: “Perder puxa para baixo, mas educa. Foi perdendo que aprendi a ganhar.” Ao final, agradeceu ao apresentador e aos conterrâneos, pediu desculpas a quem porventura tenha se sentido ofendido por alguma fala e reiterou estar “no jogo”, disposto a defender suas bandeiras com o mesmo tom que diz ter marcado sua trajetória: atendimento humano, responsabilidade fiscal e respeito às pessoas.

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