Na noite da última sexta-feira (14/11), o jornalista Jordan Bezerra, referência em furos de notícias na política de Patos e região, foi o convidado do podcast Pode Conversar, apresentado pelo professor e comunicador Francisco. Durante a entrevista, que começou às 19h, Jordan abriu o coração sobre a própria trajetória, falou de fé, família, bastidores da política paraibana e dos desafios de fazer jornalismo no Sertão.

Logo na abertura, Francisco destacou a importância do convidado para o cenário da comunicação local: Jordan é fundador de um portal consolidado em Patos, que completa oito anos em fevereiro, e comanda um podcast político que se tornou uma extensão do blog. Como forma de agradecimento pela participação e pela parceria, o apresentador ainda entregou um presente simbólico ao jornalista: uma bolsa da Lord Bolsas, “para guardar o material de trabalho”.

Da roça ao rádio: infância, candeeiro e sonho de ser jornalista

Filho de Patos, mas criado em Santa Terezinha desde os oito anos, Jordan contou que a paixão pela comunicação nasceu ainda na lida com o gado, na fazenda da família.

“Eu escutava rádio tirando leite de vaca, com o radinho na perna, ouvindo o Jornal da Bola de Edleilson Franco”, recordou.

A rotina dura no campo – cuidando de gado, tirando leite, ajudando o pai – não o afastou do sonho. Pelo contrário. Ele relatou que fez parte dos estudos à luz de candeeiro e até com lamparina de botijão de gás, em um sítio sem energia elétrica, até ser aprovado em concurso público da Cagepa, em 2002.

“Passei um ano sabático na roça, fazendo cerca, arrancando mato, plantando. Estudava à noite no candeeiro. Se não tivesse essa dedicação, eu não estaria aqui”, afirmou.

Blog, furos e a escolha pela “boa política”

A formação em Jornalismo veio anos depois, na UNIFIP (antiga FIP), entre 2015 e 2018. Ainda na faculdade, Jordan já assinava uma coluna no Patos Online, experiência que pavimentou o nascimento do hoje conhecido “Blog do Jordan Bezerra”.

Desde o início, ele optou por uma linha editorial claramente voltada para política – mas com um recorte que ele chama de “boa política”:

“A principal editoria do blog é política, mas eu costumo dizer que é a boa política. A gente escuta os dois lados. Você pode até ter um lado, mas não pode demonstrar e não pode desrespeitar o outro.”

A postura de ouvir todas as versões é, segundo ele, uma das principais razões para o reconhecimento do blog e para um dado que Jordan fez questão de destacar: em quase oito anos de site, nunca foi processado.

“Graças a Deus, o blog vai fazer oito anos e nós nunca fomos processados. Já tentaram, mas o juiz disse: ‘Ele fez o jornalismo certo, deu espaço, você é que não quis falar’.”

Nos bastidores, a insistência e a presença física nos eventos se transformaram em marca registrada. Foi assim que o jornalista ganhou o apelido de “furão dos bastidores”, por antecipar notícias, registrar articulações políticas e publicar notas antes de portais maiores da capital.

Do blog ao estúdio: a expansão para o podcast

O podcast que hoje leva seu nome surgiu a partir de um projeto amadurecido ainda no período da pandemia, ao lado de colegas como Juninho e Raí. A ideia era aproveitar o “boom dos podcasts” e transformar o blog em plataforma multimídia.

O início precisou ser adiado em razão da Covid-19, mas, com a melhora do cenário sanitário, o projeto saiu do papel em 2021 e ganhou força.

“Nós fomos pioneiros aqui, apesar de jovens na profissão. O podcast hoje é uma extensão do blog e uma vitrine a mais para os conteúdos”, explicou.

Jordan relembrou entrevistas marcantes, como com o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino, que, mesmo cansado após agenda intensa, manteve o compromisso com o podcast, e com o ex-governador Ricardo Coutinho, cuja memória e capacidade de discurso sem anotações impressionaram o jornalista.

Fé, Padre Fabrício e uma viagem que virou “divisor de águas”

Católico praticante e catequista de Crisma há cerca de 15 anos, Jordan dedicou parte da conversa à amizade com o padre Fabrício, hoje uma das figuras religiosas mais conhecidas do estado.

Ele contou que conheceu o sacerdote ainda seminarista, quando o ouviu pregar em um retiro da Renovação Carismática no ginásio Rivaldão. A proximidade cresceu quando o padre foi enviado para Catingueira e Emas, cidades vizinhas à Santa Terezinha, e passou a trabalhar também com formações e missões na região.

“Eu me casei em 2011, e foi ele quem celebrou o meu casamento. Nossa amizade já tem quase 17 anos”, contou Jordan.

Outro ponto alto foi a viagem com o padre Fabrício a santuários católicos na Europa, organizada por uma empresa de turismo religioso. O roteiro incluiu Vaticano, Roma, Assis e Fátima.

“Foi um divisor de águas, sobretudo para quem é católico. Uma bênção especial, ainda mais com o padre Fabrício nos acompanhando”, relatou.

Sobre as especulações de que o sacerdote poderia disputar o Senado, levantadas pela imprensa estadual, Jordan lembrou que sempre tratou o tema com responsabilidade, destacando a diferença entre receber convites e aceitar uma candidatura, e frisando o zelo do padre em discernir à luz da fé.

Política paraibana, representatividade e eleições de 2026

Fiel à sua especialidade, o jornalista também analisou o cenário político da Paraíba, tanto na esfera estadual quanto na representação do Sertão.

Jordan comentou a disputa para o governo e o Senado, citando nomes como João Azevêdo, Lucas Ribeiro, Cícero Lucena, Efraim Filho, Veneziano Vital, Nabô e Marcelo Queiroga, sempre com o cuidado de separar análise jornalística de preferência pessoal.

Ao falar de Patos, ele foi categórico ao defender que a cidade precisa de mais representatividade na Assembleia Legislativa:

“Cajazeiras, com a metade da população de Patos, tem três deputados. Patos, que é o centro do estado, só tem uma deputada. Falta articulação política e unidade. A cidade merece pelo menos três representantes.”

Ele citou nomes que, na sua visão, têm potencial para ocupar esse espaço – como Dr. Érico, Dr. Ramonilson, Cicinho Lima e Olívia Mota – e voltou a destacar que o grande desafio é o “rasga-voto”, causado por muitos candidatos de fora disputando o mesmo eleitorado.

Jornalismo, missão social e “sandália da humildade”

Entre análises políticas e histórias de bastidor, o tom mais emotivo veio quando Jordan falou do sentido do jornalismo em sua vida. Mais do que furos, ele ressaltou o papel social da profissão.

Ele citou, por exemplo, o caso recente de uma mãe de criança autista que teve o benefício suspenso e procurou o blog. A matéria teve grande repercussão, sensibilizou a direção do INSS e resultou no desbloqueio do pagamento.

“Ela mandou um áudio emocionada, dizendo que podia pagar o aluguel, comprar o remédio do filho, fazer a feira. Isso me enche o coração. É o jornalismo social, é comunicação a serviço de quem não tem voz.”

Concursado da Cagepa há mais de duas décadas, Jordan disse que o emprego público lhe dá o “dinheiro da feira”, enquanto o jornalismo alimenta a vocação. Para dar conta de tudo, ele trabalha em escala na companhia e conta com uma pequena equipe de três colaboradores no blog.

No fim da entrevista, o jornalista resumiu sua filosofia de vida com duas imagens fortes: a fé e a humildade.

“Eu costumo dizer que o sol nasce para todos, mas a sombra é para quem planta. Eu quero plantar para colher. Não quero crescer puxando o tapete de ninguém.”

E relembrou o conselho de um professor da faculdade:

“Ele dizia: ‘Nunca esqueça de usar a sandália da humildade’. Quando a gente pensa em se empolgar, é bom lembrar disso.”

Francisco encerrou o episódio agradecendo a presença do convidado e ressaltando que, mais do que falar de política, o Pode Conversar daquela noite registrou uma história de superação, fé e compromisso com a comunicação feita com respeito.

Jordan, por sua vez, deixou um recado que resume bem o espírito da conversa:

“Quando a gente rezar, peçamos para ser melhor para o outro, não melhor do que o outro. Deus vê tudo. E abençoa quem planta com dignidade.”

Entrevista completa: