A prefeita de São José do Bonfim, Rosalba Motta, foi a convidada do quadro “Voz e Representação”, do podcast “Pode Conversar”, em uma edição exibida excepcionalmente no sábado, às 14h. Em uma conversa longa e direta, a gestora — que está no terceiro mandato — apresentou um panorama das principais frentes da administração municipal, abordando educação, saúde, assistência social, agricultura em período de estiagem, obras, eventos tradicionais e até a conjuntura política para 2026, sempre reforçando a ideia de que a transparência e o diálogo com a população devem orientar a gestão pública. “Só quem ganha é o povo, quando sabe”, afirmou logo no início, ao defender que o formato do podcast permite explicar decisões com mais clareza e proximidade.

Rosalba relembrou sua trajetória no serviço público e disse que, antes de ocupar o cargo de prefeita, não tinha ligação direta com a gestão municipal, mas passou a atuar de forma prática e intensa quando foi primeira-dama durante a administração do então prefeito Miguel Motta. Segundo ela, longe de um papel apenas simbólico, transitou por secretarias estratégicas como Administração, Educação, Assistência Social e Saúde, experiência que, na visão da gestora, ajudou a moldar seu estilo de governar. Ao falar sobre a rotina, ela destacou o nível de dedicação exigido pelo cargo e afirmou que o foco está mais no resultado do que em marcos pessoais: “Eu fico muito focada em administrar… pra mim vai valer o resultado no final”.

Na avaliação da prefeita, a educação ocupa o lugar central dentro da administração municipal e é a base para o equilíbrio do município, seguida de perto por saúde e assistência social, áreas que, segundo ela, sustentam a confiança da população ao longo do tempo. O tema do rateio do Fundeb, comum no fim do ano, foi tratado com didatismo pela gestora, que explicou que o rateio só ocorre quando a aplicação obrigatória não é atingida dentro do exercício. Ela detalhou a lógica de 70% para remuneração do magistério e 30% para manutenção, ressaltando que, quando a execução é feita corretamente, não há sobra a ser distribuída. Ao comentar a situação do município, indicou que a tendência era de cumprimento integral: “A gente já vai fazendo a simulação… já vê que não tem… já tá tudo aplicado”. A prefeita citou investimentos na área, como a compra de uma van para a educação e a aquisição de mobiliário para uma creche que deve entrar em funcionamento no ano seguinte, como exemplos do uso do percentual destinado à manutenção.

Ao tratar da saúde, Rosalba afirmou que o município busca aplicar mais do que o mínimo legal, relatando que há momentos em que o gasto chega a 20%. O principal desafio, segundo ela, é a demora da fila do SUS, que aumenta a angústia de pacientes e eleva a demanda por respostas rápidas da prefeitura. A gestora explicou que, para enfrentar parte dessa pressão, o município realiza licitações e contrata serviços na rede privada quando necessário, dentro dos instrumentos legais, de modo a atender casos que não podem esperar. O objetivo, segundo a prefeita, é garantir resolutividade sem romper o equilíbrio fiscal, já que cada atendimento adicional gera custos que precisam caber no orçamento. Ela resumiu a tensão do setor ao afirmar: “A procura é bem maior do que a oferta”, defendendo que a gestão precisa equilibrar assistência à população e manutenção das contas em dia.

A estiagem e seus efeitos no campo também ganharam destaque, especialmente pelo impacto direto sobre o abastecimento de água para a produção e para os animais. Rosalba descreveu o esforço contínuo com retroescavadeiras para abertura e reabertura de cacimbas, além da busca por ampliação da estrutura hídrica com perfuração de poços. A prefeita mencionou o recebimento de apoios para instalação de poços e afirmou ter pedido prioridade ao governo estadual diante do cenário: “Aqui agora tem que ser algo… ou é água ou é água, não tem outra opção”. No eixo produtivo, citou a condução do Seguro Safra com encaminhamentos e pagamentos em dia, e detalhou medidas para fortalecer a agricultura familiar, como o uso de tratores para corte de terra, informando que o município já trabalha com dois equipamentos e se prepara para colocar um terceiro em operação, a fim de dar mais agilidade ao atendimento e garantir suporte em caso de manutenção.

Em relação às tradições culturais, o Bonfim Folia foi tratado como um evento importante, mas que precisa ser dimensionado com responsabilidade. A prefeita reconheceu que a população cobra uma festa maior, porém argumentou que, quando o município depende de recursos próprios, ampliar a programação pode significar comprometer áreas essenciais. Ela reforçou que não aceita sacrificar saúde, assistência social ou pagamentos para sustentar um evento acima da capacidade financeira. “Alguém vai ter que pagar o preço e eu não tenho como fazer isso”, disse, destacando que, para a edição seguinte, a expectativa era de maior fôlego por conta de emendas parlamentares, o que permitiria uma programação mais estruturada, sem perder o controle sobre as contas.

A entrevista também trouxe informações sobre obras e estrutura administrativa. Rosalba citou a conclusão de uma creche, ampliação de campo e arquibancadas para o esporte local, além de um centro de eventos em fase de cobertura. Segundo ela, a gestão prioriza patrimônio próprio e estrutura funcional para as secretarias, defendendo que não basta ter prédio: é necessário garantir condições adequadas de atendimento. No tema transporte, um dos pontos que mais chamou atenção foi a adoção de um ônibus diário para trabalhadores que se deslocam a Patos, reduzindo gastos com passagens e funcionando como um apoio social contínuo. Para a prefeita, a reação da população nos dias em que o serviço ficou temporariamente indisponível confirmou o impacto da medida: “Foi uma prova que realmente vale a pena, porque… aquilo ali pesou no bolso”.

Ao ser questionada sobre alianças e cenário político para 2026, Rosalba indicou que o critério do grupo é a parceria que traz resultados concretos ao município, citando a importância da presença e da resposta em momentos de urgência. Ainda assim, procurou separar a lógica eleitoral do cotidiano administrativo, defendendo que o compromisso deve ser permanente e que a prestação de contas é dirigida à população. “Quem me botou lá foi o povo… e quem tira é o povo”, afirmou, ao sustentar que a gestão deve manter escuta ativa e respeito aos cidadãos independentemente de alinhamentos.

No encerramento, a prefeita destacou que pretende concentrar esforços na pauta habitacional, apontando a busca por um conjunto habitacional como uma marca do mandato. Ela relatou que o município já providenciou terreno e iniciou etapas preliminares, evitando criar expectativas sem a confirmação de todas as fases, mas deixando clara a prioridade: “Vai ser minha marca registrada… conjunto habitacional”. Também reforçou um convite a empresários, mencionando a existência de lei municipal de incentivo com isenção de impostos por dez anos para empresas que se instalarem na cidade, como estratégia para gerar emprego e renda em um município de baixa oferta de postos de trabalho. Ao final, entre agradecimentos e mensagens de fim de ano, Rosalba voltou a defender uma gestão baseada em responsabilidade, planejamento e proximidade com as pessoas, sintetizando o sentido do programa: falar, explicar e ser cobrada, porque — como repetiu ao longo da entrevista — “só quem ganha é o povo”.

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