
A economista e professora Roberta Trindade Martins Lira foi a entrevistada do quadro Voz e Representação, no podcast Pode Conversar, em edição que marcou o último episódio de 2025. A entrevista teve como foco a trajetória profissional da convidada, sua atuação na docência, na consultoria empresarial e sua leitura sobre temas econômicos que impactam diretamente a vida das pessoas e das empresas.
Ao abrir a conversa, eu destaquei que o quadro, inicialmente concebido com viés político, também se propõe a apresentar pessoas que representam a sociedade de diferentes formas. Nesse contexto, apresentei Roberta Trindade como uma referência em Patos na área da Economia, professora universitária e consultora, ressaltando sua contribuição para a formação acadêmica e para o debate econômico local. Em seguida, agradeci pela presença e abri espaço para suas considerações iniciais.
Roberta afirmou que o convite foi recebido com satisfação e ressaltou a importância de espaços de diálogo que tratam de temas relevantes para a sociedade. Segundo ela, canais que promovem informação qualificada e conversas sobre economia e gestão contribuem para a conscientização e para a circulação de ideias positivas, fundamentais para o desenvolvimento social e para o fortalecimento da cidadania.
Ao ser questionada por mim sobre a escolha pela Economia, Roberta relatou que a decisão foi fortemente influenciada pelo pai, professor da área, cuja atuação despertou seu interesse desde cedo. Ela revelou que cursou simultaneamente Economia e Medicina Veterinária, concluindo ambas as graduações, mas optou por seguir carreira como economista. Iniciou sua trajetória docente na Unifip, lecionando disciplinas introdutórias e de formação teórica, e passou a atuar também na gestão acadêmica, exercendo funções como coordenação de monitoria, orientação de monografias e, posteriormente, coordenação do curso de Economia. O mestrado em Gestão, segundo ela, ampliou sua atuação e contribuiu diretamente para a criação da consultoria empresarial.
Durante a entrevista, Roberta contextualizou sua atuação acadêmica e profissional dentro do desenvolvimento da cidade de Patos. Ao ser provocada por mim a comentar sobre o papel da cidade como polo regional, ela destacou Patos como metrópole regional do Sertão, para onde convergem estudantes, profissionais e consumidores de municípios vizinhos e de estados próximos. A economista atribuiu parte desse crescimento à consolidação do polo educacional, citando a Unifip e a chegada da UFPB como elementos centrais na dinamização econômica e na diversificação de serviços, especialmente nas áreas de educação e saúde.
A conversa avançou para temas de política econômica. Ao ser questionada sobre a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, Roberta explicou que se trata de uma política de caráter redistributivo e progressivo, cujo objetivo é ampliar a circulação de renda. Segundo ela, a medida beneficia diretamente os contribuintes de menor renda e pode estimular a economia, ainda que políticas expansionistas estejam associadas, de forma indireta, a pressões inflacionárias. Ela destacou, no entanto, que inflação associada a crescimento econômico difere daquela observada em cenários de estagnação.
Ao trazer a discussão para o cotidiano das famílias, eu questionei por que, na avaliação dela, as pessoas enfrentam tantas dificuldades para lidar com dinheiro. Roberta atribuiu o problema principalmente à ausência de planejamento financeiro e à influência de uma cultura de consumo estimulada pelas redes sociais. Ela afirmou que o gasto precisa estar compatível com a renda disponível e que o endividamento só se torna um problema quando não há controle e capacidade de pagamento. Ressaltou ainda que planejamento, execução e sustentabilidade financeira são conceitos simples, mas essenciais para a tranquilidade pessoal e familiar.
Nesse ponto da entrevista, eu utilizei a expressão “o fiado mudou de mão” para ilustrar a substituição do antigo fiado do comércio pelo uso indiscriminado do cartão de crédito. A partir disso, questionei qual seria, hoje, o principal vilão do descontrole financeiro. Roberta respondeu que o problema central não está no instrumento em si, mas na falta de planejamento. Ela explicou que o crédito fácil costuma ser mais caro e que modalidades como cartão de crédito e cheque especial apresentam juros elevados quando não utilizados de forma consciente.
O tema da inadimplência também foi abordado. Ao comentar uma pergunta enviada pelo público, Roberta afirmou que o endividamento das famílias decorre tanto do baixo nível de renda quanto da dificuldade de administração financeira. Segundo ela, rendas menores exigem escolhas mais criteriosas, já que qualquer financiamento implica custos adicionais. Ela destacou que dívidas de longo prazo, como o financiamento da casa própria, podem ser justificáveis quando substituem despesas como o aluguel, desde que caibam no orçamento.
Questionada por mim sobre financiamento habitacional, Roberta afirmou que não existe uma resposta única, pois a decisão depende do contexto de cada família. No entanto, considerou o financiamento imobiliário uma das formas de crédito mais viáveis, por representar a troca de uma despesa permanente por um patrimônio. Ela também comentou os sistemas de amortização, indicando que prestações decrescentes tendem a tornar o processo mais confortável ao longo do tempo, embora tenha reforçado que o fator determinante é a taxa de juros e a capacidade de pagamento mensal.
Ao tratar de juros considerados abusivos, Roberta destacou que essa caracterização ocorre quando as taxas estão significativamente acima do mercado. No entanto, enfatizou que contratos assinados pressupõem concordância com as condições estabelecidas, sendo possível questionamentos apenas quando há mudanças relevantes no cenário econômico que justifiquem revisão.
Na parte final da entrevista, eu direcionei a conversa para a atuação da Trindade Consultoria. Roberta explicou que a empresa surgiu a partir de convites para palestras e da percepção da necessidade de apoiar empresários na organização e no crescimento de seus negócios. Atualmente, a consultoria atua nas áreas de gestão empresarial, processos, cultura organizacional e finanças, com foco em planejamento estratégico, estruturação de equipes e definição clara de processos. Ela destacou que o empresário precisa assumir o papel de gestor, deixando o operacional para a equipe, a fim de concentrar-se em decisões estratégicas.
Ao relatar minha própria experiência com o podcast, questionei como precificar serviços e vender melhor uma marca sem perder seus valores. Roberta respondeu que todo serviço precisa ter preço definido, considerando custos diretos, indiretos e o trabalho intelectual envolvido. Segundo ela, embora marcas tenham valor simbólico, a sustentabilidade do negócio exige precificação adequada para cobrir despesas, tributos e garantir retorno financeiro.
Também foram discutidos temas como a importância do marketing, o uso estratégico das redes sociais, a formalização das relações de trabalho, a necessidade de saber dizer “não” na gestão empresarial e o impacto da imagem e da apresentação pessoal na percepção do público. Roberta afirmou que organização, coerência e adequação ao contexto da empresa são elementos que influenciam a imagem institucional, sem que isso signifique abandonar a identidade pessoal.
Ao encerrar a entrevista, eu agradeci a participação da convidada, ressaltando o caráter espontâneo e aprofundado da conversa. Roberta, por sua vez, destacou que o papel de quem atua na educação e na economia é contribuir para a conscientização social, aliando otimismo à realidade. Ela reforçou que planejamento e organização são fundamentais tanto na vida pessoal quanto no ambiente empresarial. O episódio foi finalizado com uma mensagem de encerramento do ano, marcando o último podcast de 2025.
Link da Entrevista Completa: