
Na sexta-feira, 26 de dezembro, às 19h, o programa Pode Conversar, apresentado por Francisco, recebeu como entrevistado Neeto Lima, ex-vereador de Santa Luzia, atual presidente do MDB no município, enfermeiro e pré-candidato a deputado federal.
Em uma conversa longa, aberta e sem roteiros engessados, Neeto apresentou sua trajetória política, familiar e profissional, além de expor posicionamentos firmes sobre gestão pública, democracia, saúde, educação, desenvolvimento regional e renovação política. O bate-papo percorreu desde suas origens na política até propostas para o futuro da Paraíba e do Brasil.
Neeto Lima vem de uma família com forte tradição política em Santa Luzia. Sua tia, Creuza Lima, foi vereadora e chegou a assumir a prefeitura do município em um período de transição institucional. Já seu pai, Anchieta Lima, também exerceu mandato de vereador e ficou conhecido pela atuação combativa e pela defesa de causas sociais, especialmente na área da saúde, mesmo enfrentando graves problemas de saúde pessoalmente.
Durante a entrevista, Neeto relembrou a influência direta do pai em sua formação política e humana, destacando o exemplo de alguém que nunca se afastou das pessoas, mesmo nos momentos mais difíceis. “Meu pai era aquele vereador que estava na casa do povo, tomando café, ouvindo, brigando pelos direitos das pessoas, inclusive quando já fazia hemodiálise”, relatou.
Inspirado por esse legado, Neeto iniciou sua trajetória política em 2008, aos 25 anos, como candidato a vice-prefeito. À época, integrou uma chapa que enfrentava um cenário eleitoral amplamente desfavorável, mas que conseguiu reduzir drasticamente a diferença de votos no resultado final.
“As pesquisas mostravam uma diferença enorme, mas a campanha cresceu muito. A gente saiu de uma previsão de derrota ampla para uma eleição decidida por cerca de 500 votos”, lembrou. Embora a vitória não tenha vindo naquele momento, a experiência consolidou seu nome no cenário político local.
Eleito vereador em 2012, Neeto Lima construiu uma atuação marcada por presença popular, independência política e foco em resultados concretos. Foi reeleito em 2016 como o vereador mais votado do município e novamente em 2020, período em que também exerceu a presidência da Câmara Municipal.
Ao falar sobre sua postura no Legislativo, Neeto destacou que nunca se colocou como um vereador de “carimbo”, reforçando sua autonomia. “Eu nunca fui aquele vereador que apenas balança a cabeça. O que era bom para o povo, eu votava. O que não era, eu não votava, independente de quem estivesse no poder”, afirmou.
Entre suas principais conquistas, Neeto destacou a articulação política que resultou na implantação do IFPB em Santa Luzia, considerada por ele uma das maiores transformações estruturais do município nas últimas décadas.
Mesmo sendo vereador de oposição ao Executivo municipal na época, Neeto buscou diálogo institucional, mobilizou a reitoria do Instituto Federal, articulou a cessão de um prédio por parte da prefeitura e conseguiu apoio parlamentar para garantir emendas que viabilizaram a estrutura inicial do campus.
“Eu sempre disse que política institucional é diferente de política pessoal. Mesmo sendo oposição, eu tinha certeza de que ninguém iria negar um projeto dessa dimensão para Santa Luzia”, explicou.
Segundo ele, a chegada do IFPB abriu oportunidades de formação técnica e profissional para jovens de todo o Vale do Sabugi, reduzindo a necessidade de migração para outros centros urbanos.
“A educação transforma realidades. O IFPB não é só um prédio, é um divisor de águas para o futuro da juventude da região”, destacou.
Durante a entrevista, Neeto deixou claro que sempre atuou com autonomia política, mesmo quando integrou bases aliadas. Relatou episódios de desgaste com gestões municipais por discordar de práticas que, segundo ele, não priorizavam o interesse coletivo.
Entre os principais pontos de conflito, citou:
- Vetos a projetos que exigiam contratação de mão de obra local por empresas de energia renovável;
- Críticas à concentração de poder familiar na administração municipal;
- Questionamentos sobre o uso de recursos públicos, especialmente em grandes eventos e contratos.
“Democracia não combina com concentração de poder. Democracia exige alternância, transparência e respeito ao interesse coletivo”, afirmou.
Para Neeto, a política perde seu sentido quando se transforma em instrumento de perpetuação de grupos ou famílias no poder, afastando-se das necessidades reais da população.
Ao explicar sua decisão de disputar uma vaga na Câmara Federal, Neeto afirmou que o objetivo é ampliar sua capacidade de atuação, levando para o plano nacional pautas que vivenciou diretamente nos municípios.
“Como vereador, a gente cobra, fiscaliza e propõe. Como deputado federal, você tem orçamento, tem instrumentos e pode mudar realidades em uma escala muito maior”, disse.
Entre os temas que pretende defender, estão:
- Reforma do financiamento da saúde, com repasses mais diretos e eficientes;
- Valorização dos profissionais da saúde, garantindo que recursos federais cheguem integralmente aos trabalhadores;
- Geração de emprego e renda, integrando assistência social, capacitação profissional e mercado de trabalho;
- Educação técnica e superior, com expansão de institutos federais e incentivo à permanência estudantil;
- Segurança hídrica, defendendo a ampliação da transposição do Rio São Francisco e a integração de bacias para o sertão paraibano.
Sobre a crise hídrica, foi enfático: “O Nordeste não é pobre de solo, é pobre de água. Onde a água chega, o desenvolvimento acontece”.
Neeto Lima reforçou que acredita que a política deve ser exercida como vocação, e não como projeto de poder pessoal. Para ele, bons gestores precisam manter vínculo real com as pessoas, ouvir a população e agir com coerência dentro e fora dos períodos eleitorais.
“Tem gente que quer o poder. Eu acredito em servir. Quem entra na política precisa gostar de gente e estar preparado para ouvir, inclusive as críticas”, afirmou.
Ao final da entrevista, Neeto agradeceu ao público e destacou a importância de espaços de diálogo como o Pode Conversar, que permitem ao cidadão conhecer melhor quem se propõe a representar a sociedade.
“Saúde e paz são fundamentais. Com elas, a gente consegue lutar, trabalhar e transformar a realidade. A política precisa voltar a ser um instrumento de serviço ao povo”, concluiu.
Entrevista Completa: