Na última sexta-feira, o podcast Pode Conversar recebeu novamente Josmá Oliveira, figura conhecida do debate público em Patos (PB), em uma entrevista marcada por críticas contundentes ao ambiente político local, comentários sobre disputas jurídicas eleitorais e uma defesa enfática do empreendedorismo como eixo de desenvolvimento. Conduzida por Francisco, que abriu o programa reafirmando o formato sem interrupções e a liberdade para o entrevistado desenvolver raciocínios, a conversa transitou entre política municipal, cenário estadual e a trajetória profissional de Josmá na área de tecnologia.

Logo no início, Josmá agradeceu o convite e destacou que não aceita entrevista combinada, afirmando estar disposto a responder perguntas sem filtros. O ponto central da entrevista foi a situação jurídica relacionada ao seu mandato e ao processo eleitoral de 2024. Josmá declarou que ele e uma parcela do povo de Patos teriam sido vítimas de um golpe, sustentando que seu mandato teria sido retirado no tapetão a partir de um cenário que, segundo ele, foi articulado para produzir uma narrativa de fraude à cota de gênero. Na versão apresentada, ele afirmou que candidatas teriam sido induzidas a retirar candidaturas para criar o falso cenário e, assim, abrir caminho para questionamentos judiciais. Ao longo do relato, citou suposto abuso de poder político e econômico, mencionou que o caso teria sido levado a órgãos como Polícia Federal, Ministério Público e Justiça Eleitoral e disse que houve esforço, à época, para alertar as autoridades sobre a sequência de desistências. Ele também elogiou a juíza de primeira instância, afirmando que a ação teria sido julgada improcedente inicialmente, mas que o caso teria mudado de rumo na segunda instância, em João Pessoa, onde, segundo ele, a análise teria se distanciado dos fatos e da fundamentação anterior.

Em tom de alerta, Josmá associou o episódio a um risco institucional mais amplo. Ele afirmou que decisões judiciais como a que o atingiu poderiam incentivar práticas de sabotagem eleitoral em outros municípios e pleitos, por meio de pressão para desistências e posterior judicialização. Segundo ele, esse tipo de dinâmica enfraquece a confiança no processo eleitoral. Ao ser perguntado se pensaria em deixar a política, respondeu de forma direta que não. Disse que entrou na vida pública por não suportar ver, nas suas palavras, picaretas se beneficiando e enganando a população e relatou que sua motivação seria fiscalizar e denunciar irregularidades, citando atuação junto a órgãos de controle. Na entrevista, reforçou que não depende financeiramente da política e que, ao contrário, a atividade pública teria lhe trazido mais desgaste do que benefícios.

A conversa avançou para temas internos da Câmara Municipal. Questionado sobre a proposta de aumento de assessorias, Josmá afirmou que sempre se posicionou contra projetos desse tipo e classificou a Casa, em crítica política, como um espaço em que muitas pautas seriam movidas por interesses. Disse que, se estivesse no mandato, votaria contra. Também comentou o episódio envolvendo a presidência da Câmara, citando a vereadora Tide e a ação judicial movida por Davi Maia. Josmá sustentou que, pela interpretação dele da Lei Orgânica e das regras internas, não caberia nova recondução e afirmou que a ocupação do cargo estaria irregular. No mesmo tema, fez elogios à juíza mencionada no caso, destacando sua postura de aplicar a lei, e criticou o que entende como seletividade no cumprimento de normas quando se trata de agentes políticos.

Em outro momento, Francisco pediu que o entrevistado falasse sobre a vida profissional, uma área em que Josmá demonstrou tom mais didático e confiante. Ele se apresentou como desenvolvedor de sistemas e aplicativos, com foco em automação comercial, emissão de documentos fiscais e soluções para comércio e serviços. Disse ser graduado em Sistemas de Informação e relatou que mantém empresa em Patos, em processo de transição de marca para Dux Tecnologia, com carteira de clientes em vários estados. Ao descrever sua rotina, ressaltou a satisfação de transformar ideias em código e ver sistemas operando no dia a dia de empresas locais, destacando que, para ele, o empreendedorismo não se resume a lucro, mas a metas, construção e crescimento.

A pauta do empreendedorismo abriu espaço para uma crítica ao ambiente regulatório. Josmá afirmou que o Estado, além de não incentivar, atrapalha o empreendedor por meio de burocracia e exigências que considera excessivas, citando como exemplo as obrigações e limites do MEI e o impacto de mudanças tributárias sobre quem está começando. Comentou também o debate público sobre rastreabilidade de transações via Pix, defendendo que monitoramento pode gerar confusões, por não distinguir faturamento de renda ou lucro. Na visão dele, facilitar a geração de emprego e renda seria o caminho mais eficaz para reduzir desigualdade e dependência do Estado, e a burocracia, segundo afirmou, seria um terreno fértil para corrupção.

No bloco político estadual e nacional, Josmá sinalizou que pretende anunciar seus apoios no momento oportuno, mas confirmou alinhamento ideológico com pautas de direita e elogiou o deputado federal Cabo Gilberto, citando emendas destinadas à região e descrevendo o mandato como um dos mais consistentes do campo oposicionista no estado. Ao falar de posicionamento, defendeu que políticos devem declarar escolhas e evitar ficar em cima do muro, ainda que reconheça ter apoio de eleitores de diferentes correntes.

A entrevista também trouxe uma reflexão sobre comunicação e redes sociais. Josmá defendeu que plataformas digitais ampliaram o acesso do cidadão ao debate público, reduzindo dependência de meios tradicionais, e criticou o que descreveu como tentativa de restringir discursos na internet. Para ele, as redes são hoje um dos principais canais para que a população acompanhe ações, opiniões e denúncias, além de serem essenciais para projetos pessoais e profissionais. Ao mesmo tempo, criticou parte da imprensa local, dizendo que Patos precisaria de imprensa livre e diferenciando, em suas palavras, jornalismo de assessoria de comunicação. No encerramento, voltou a listar problemas do cotidiano urbano e administrativo, saneamento, infraestrutura, mercado público, saúde e abastecimento, afirmando que haveria uma distância entre propaganda institucional e a realidade vivida pela população.

Ao final do episódio, Francisco agradeceu a participação, reforçou a proposta do canal de manter independência e anunciou a programação da semana seguinte. Josmá se despediu reiterando que pretende continuar no debate público, recorrendo das decisões que contesta e usando as redes como espaço para expor posicionamentos e críticas. A entrevista, marcada por afirmações duras e pela narrativa de perseguição política, também deixou nítido o esforço do entrevistado em se apresentar como um quadro que transita entre a política e o empreendedorismo, buscando sustentar sua imagem pública tanto pela atuação fiscalizadora quanto pelo trabalho no setor de tecnologia.

Link da Entrevista Completa: