O quadro “Voz e Representação”, do Pode Conversar, exibe nesta sexta-feira, às 17h, uma entrevista gravada pela manhã com Glauber Alves, que retorna ao projeto pela segunda vez. Desta vez, eu conduzi uma conversa centrada em temas que atravessam diretamente o cotidiano de empresas, profissionais e criadores de conteúdo: imagem, fotografia, vídeo, marketing, estratégia e posicionamento de marcas, além de discussões sobre redes sociais, parcerias, precificação e o uso de inteligência artificial na comunicação.

O episódio segue a proposta do quadro Voz e Representação: receber alguém que representa algo relevante para a cidade e a região. Logo no início, eu contextualizei a atuação de Glauber no mercado local, destacando sua ligação com a criação de imagens e o trabalho que desenvolve apoiando organizações e profissionais na forma como se posicionam no ambiente digital. Glauber agradeceu o convite e reforçou a importância de espaços que não apenas divulgam histórias, mas também ajudam a compartilhar experiências profissionais que podem servir de referência para outras pessoas. Ele resumiu esse espírito ao afirmar que “a gente precisa trazer o pensamento, a ideação que personalidades têm nas suas áreas profissionais, que podem servir como inspiração, mas também como um processo educacional para o outro”.

Ao longo da entrevista, um dos primeiros pontos que fiz questão de levantar foi a importância da imagem para uma organização. Glauber respondeu trazendo a fotografia como algo que vai além do estético. Para ele, o registro visual tem função histórica e prática, ajudando a confirmar fatos e construir memória, e, no marketing, passou a atuar como um primeiro contato entre marca e público. Ele explicou que, hoje, antes mesmo de alguém ouvir uma marca, chegar fisicamente a um estabelecimento ou tocar um produto, essa pessoa já foi impactada por aquilo que viu. Como ele disse, “mais do que nunca, é ela que tem toda uma representação antes mesmo de você escutar alguém, antes mesmo de você alcançar fisicamente um estabelecimento”. Glauber também relacionou fotografia e vídeo, destacando que o vídeo, na prática, é composto por imagens em sequência, e que essa linguagem visual tem poder direto para vender, convencer, validar e credibilizar pessoas, produtos e marcas.

A conversa avançou então para um exemplo direto: o próprio Pode Conversar. Eu perguntei a ele sobre a importância do “retrato”, das imagens de bastidores e do registro visual como forma de mostrar o que era o projeto em 2024 e como ele vem evoluindo. Glauber respondeu a partir da experiência que teve comigo e com o podcast, citando conversas anteriores e as fotos produzidas em outra oportunidade, que eu sigo utilizando até hoje. Ele destacou que o registro visual do ambiente, da estrutura e das mudanças comunica crescimento e fortalece a percepção pública do projeto. Segundo ele, “o processo de melhoria do teu ambiente e o registro disso, visualmente falando, apresenta crescimento e credibilidade”. Ele reforçou ainda que a credibilidade não se constrói apenas com o que se mostra, mas também com o que se explica, com a trajetória, com o contexto, com a história e com o motivo pelo qual um projeto existe.

Nesse trecho, eu comentei como passei a me enxergar como parte integrante do próprio produto, algo que se fortaleceu depois de uma entrevista com a Roberta. Relatei também ajustes recentes de identidade visual e design que fiz com apoio de um ex-aluno, justamente por perceber que eu precisava sair da caixa e buscar uma nova perspectiva para continuar evoluindo. Glauber aproveitou essa fala para fazer um alerta sobre estagnação. Ele disse que quando um criador passa tempo demais no mesmo ambiente e no mesmo formato, sem mentalmente entender que precisa crescer, isso não adormece apenas o público, mas o próprio criador. A energia diminui, o entusiasmo enfraquece e o projeto começa a perder força.

Foi aí que eu perguntei diretamente o que fazer quando um projeto parece travado, quando o gráfico não sobe nem desce. Glauber explicou que muitos sonhos começam sem planejamento e, depois que viram realidade, surge a dúvida sobre o próximo passo. Para ele, nenhum projeto cresce de forma consistente sem estratégia. Ele foi direto ao dizer que “nenhum sonho pode ser transformado em realidade sem planejamento, sem estratégia, sem saber qual é o próximo passo”. Também destacou que trabalhar acompanhado acelera o caminho e que networking não é luxo, é necessidade. Mesmo sem grande estrutura, um projeto pode atrair pessoas e convidados por histórico, palavra e consistência, e ele citou o próprio Pode Conversar como exemplo disso.

Em seguida, entramos num ponto que muita gente vive na prática: o medo de aparecer demais. Eu quis ouvir dele sobre a dúvida comum de publicar muitas fotos, muitos vídeos e acabar sendo interpretado como egocêntrico. Glauber disse que esse tipo de receio faz muita gente se apequinar, quando na verdade a frequência pode ser positiva se houver propósito e variedade. Ele explicou que não é sobre aparecer por vaidade, mas sobre comunicar com intenção e estratégia. Ao falar sobre isso, ele reconheceu que existem métricas nas redes sociais, como alcance, curtidas e compartilhamentos, mas ressaltou que existe um fator que não entra nos painéis das plataformas: o impacto emocional e a qualidade do público atingido. Ele resumiu isso ao dizer que existe “outra unidade de metrificação” que nenhuma rede social consegue medir, e que muitas vezes um conteúdo com pouco alcance pode chegar à pessoa certa e abrir portas reais para o projeto.

Quando o tema passou para empreendedorismo, Glauber falou sobre redes sociais como uma ferramenta que virou porta, janela e oportunidade para negócios pequenos crescerem. Para ele, o ambiente digital tem um poder de aceleração que o físico não tem, desde que seja bem utilizado. Ele fez questão de diferenciar dois caminhos: o da panfletagem e o da construção de conteúdo com contexto. Segundo ele, quando uma marca só publica oferta, só repete anúncio e só se autopromove, ela vira panfletadora. Por outro lado, quando a marca educa a audiência, apresenta exemplos, mostra usos e cria conexão, ela se fortalece. Glauber usou exemplos práticos, inclusive com o próprio podcast, e também citou situações simples, como um comércio que não deve apenas listar produtos, mas mostrar receitas, usos e benefícios, tornando o conteúdo mais atrativo e menos repetitivo.

Na sequência, entramos em um bloco importante: parcerias. Eu trouxe a discussão sobre credibilidade e sobre o impacto de trocar parceiros com muita rapidez, principalmente quando são marcas do mesmo nicho. Glauber defendeu que parceria não é só dinheiro e que, muitas vezes, o ganho está em visibilidade, confiança e validação pública. Ele explicou que existe uma lógica de ganha-ganha que pode ser construída sem remuneração imediata, especialmente no começo de um projeto, e destacou que a credibilidade aparece quando o público percebe que a recomendação tem base em convicção, uso ou experiência, e não apenas pagamento.

Ele também alertou que encerrar uma parceria e começar outra logo em seguida, especialmente dentro do mesmo nicho, pode gerar ruído e parecer troca de discurso por dinheiro. Para ele, é essencial manter respeito pelo histórico, preservar relacionamento com a marca anterior, dar um tempo de maturação e ajustar linguagem e abordagem antes de iniciar uma nova divulgação semelhante. Nesse momento, ele criticou uma prática comum no mercado: dizer que uma marca é “a melhor” e pouco depois dizer o mesmo de outra concorrente. Para Glauber, o comunicador pode apresentar diferenciais, mas não pode vender certezas absolutas para o coletivo, porque quem decide o que é melhor é o consumidor. Como ele afirmou, “só quem tem o direito de dizer que aquela marca é a melhor é o cliente, é o consumidor”.

A entrevista também abriu espaço para um tema delicado e necessário: política e comunicação. Eu expliquei que criei o quadro Voz e Representação justamente para receber figuras públicas sem abandonar minha linha editorial, baseada em histórias e trajetórias, e perguntei como um canal pode lidar com isso sem perder identidade. Glauber respondeu com um conceito que atravessou boa parte do episódio: clareza comunicacional. Para ele, o criador precisa definir desde o início quem é, por que fala, para quem fala e quais limites existem. Ele explicou que um canal pode ser assumidamente alinhado a uma bandeira, ou pode ter uma proposta plural, mas precisa ser transparente, porque isso educa a audiência e orienta o perfil dos convidados. Ele reforçou que credibilidade depende de coerência com o histórico e relatou sua experiência profissional em comunicação política, afirmando que sempre se posicionou para ser contratado por competência técnica, sem exigência de “vestir camisa” por pressão.

Em outro momento, tratamos da diferença entre preço e valor. Glauber reconheceu que o tema envolve economia e processos, mas trouxe uma leitura prática do mercado de comunicação. Para ele, precificação varia conforme estrutura, equipe, tempo de atuação e encargos operacionais. Ele explicou que uma agência com vários profissionais terá custos diferentes de um prestador individual, e isso se reflete no preço. Citou a necessidade de funções como atendimento, captação, edição, social media, redação e gestão de projeto, defendendo que preço está ligado a pessoas, tempo e processos. E reforçou que o preço pode se transformar em valor quando a marca consegue comunicar com clareza sua jornada, seu método e o que entrega.

No trecho sobre inteligência artificial, Glauber fez um alerta importante. Ele falou sobre dependência, alienação e perda de capacidade crítica quando o uso se torna excessivo e exclusivo. “Se tu se alienar ao uso excessivo e muitas vezes exclusivo dessa IA para fazer as coisas que você precisa fazer, você vai pagar um preço”, afirmou. Ele também apontou como risco a produção de conteúdo genérico, já que muitas ferramentas tendem a entregar respostas semelhantes para diferentes empresas, reduzindo diferenciação. Outro ponto levantado foi o uso automático de tendências, sem avaliar se aquilo combina com a identidade da marca, o que pode levar ao ridículo e comprometer posicionamento. Ao mesmo tempo, ele reconheceu benefícios e destacou que a IA pode ser uma excelente auxiliar para copywriting, planejamento e aceleração de processos internos, desde que usada como apoio e não como substituição do fator humano.

Na reta final, eu pedi conselhos práticos sobre como me posicionar melhor no Instagram. Glauber recomendou cuidado com excessos, ajustes finos no volume de parcerias e planejamento por tipo de conteúdo. Ele também sugeriu participação em comunidades e tribos digitais, fortalecendo presença com contexto e pertencimento, e destacou a importância de olhar para pautas sociais e projetos locais, lembrando que iniciativas comunitárias frequentemente precisam de visibilidade e apoio.

Nas considerações finais, Glauber destacou janeiro como mês dedicado ao fotógrafo e lembrou o Dia Nacional do Fotógrafo, em 8 de janeiro. Ele falou sobre a importância do profissional para a memória histórica, social e para o marketing, agradeceu às pessoas que reconhecem seu trabalho e anunciou o desejo de colocar em prática a exposição “30 a mais na fotografia”, com registros de fotógrafos com mais de 30 anos de carreira, valorizando a trajetória da categoria e dando visibilidade a profissionais da cidade e região.

Para encerrar, ele comentou a influência do equipamento na qualidade do trabalho. Defendeu que, para quem está começando, o melhor equipamento é o que se tem disponível, mas destacou que, com evolução e recursos, investir em tecnologia adequada melhora a entrega, desde que haja preparo financeiro e conhecimento técnico para extrair o potencial do que foi adquirido. Ele resumiu essa ideia dizendo que “não deixe de começar, não deixe de realizar o seu trabalho porque você não tem o melhor equipamento”.

A entrevista com Glauber Alves vai ao ar às 17h, no quadro Voz e Representação, trazendo uma conversa centrada em imagem, estratégia, credibilidade e comunicação digital, com reflexões práticas sobre como projetos, marcas e profissionais podem se fortalecer no mercado sem perder coerência, propósito e identidade.