No episódio de sábado, 28 de fevereiro de 2026, do podcast “Pode Conversar”, no quadro “Voz e Representação”, o apresentador Francisco recebeu o primeiro-sargento da Polícia Militar da Paraíba e professor Patrício Farias, fundador do cursinho “Minha Missão, Sua Aprovação”, para uma conversa marcada por bastidores da docência, trajetória na segurança pública e um retrato direto das dores e expectativas de quem vive o mundo dos concursos em Patos e região.

Logo na abertura, Francisco contextualizou a relação de longa data entre os dois — contemporâneos na UEPB — e destacou o alcance que Patrício tem construído nas redes sociais com conteúdos voltados à preparação de candidatos. Patrício retribuiu elogiando o ambiente do estúdio e assumiu o tom pessoal da entrevista: filho de Eudo e Solange, pai de Nicolas e Bela, casado com Kivia, ele reforçou que a história profissional se apoia em pilares familiares e em uma rotina de disciplina.

A conversa avançou para o ponto que deu origem ao convite: o crescimento do cursinho e a mobilização em torno de simulados presenciais, que, segundo Patrício, têm papel central no processo de amadurecimento do aluno. Ele defendeu que o ensino online tem valor, mas sustentou que o presencial “favorece o ambiente”, impulsiona a constância e cria um “direcionamento” mais efetivo para quem está começando. A proposta do “Minha Missão, Sua Aprovação”, explicou, nasceu justamente da percepção de uma lacuna local e regional na preparação de concurseiros — especialmente para carreiras policiais — e da convicção de que Patos tem vocação para ser um polo de formação.

Ao revisitar o início na docência, Patrício contou que começou a dar aulas ainda adolescente, ajudando a mãe, que conciliava escola, reforço e aulas à noite. O trabalho, iniciado aos 17 anos, virou base para a atuação atual: turmas para concursos, pré-vestibular/ENEM e também aulas em escolas particulares do município. Apesar de formado em Administração e com formação em Geografia, ele descreveu a sala de aula como uma extensão natural da própria história: “herdei” a docência da mãe e transformou isso em um projeto de vida.

Sobre a criação do cursinho, Patrício situou a virada entre 2016 e 2017, período em que passou por formação em João Pessoa após aprovação em concurso interno para sargento. Foi ali, relatou, que fez “visitas técnicas”, observou modelos de cursinhos em outras cidades e voltou para Patos com a ideia de “montar a própria história” com identidade própria. O começo foi “de grão a grão”, com turmas isoladas, parcerias iniciais e, depois, estrutura própria — incluindo a passagem pelo auditório da Rádio Espinharas, viabilizada, segundo ele, por portas que se abriram quando outras se fecharam. “Foi cara e coragem”, resumiu, lembrando as dificuldades para encontrar imóveis adequados no Centro e o custo elevado de espaços com salas amplas.

O desempenho em aprovações apareceu como uma espécie de “certificação social” do projeto. Patrício citou resultados expressivos — inclusive em concursos de segurança pública — e descreveu o impacto emocional do primeiro aluno aprovado: “eu chorava feito menino”. Para ele, o resultado não é marketing, mas consequência de método, constância e, sobretudo, mentalidade. Em um dos trechos mais repetidos ao longo da conversa, reforçou a tese de que motivação é intrínseca, mas pode ser ativada e sustentada por ambiente, rotina e disciplina.

Quando o tema virou para o perfil dos alunos e as maiores dificuldades, Patrício apontou dois gargalos principais: base e preparo mental. Ele relatou que muitos chegam sem noções essenciais para as provas, especialmente em áreas como Direito, raciocínio lógico e informática, e que a adaptação à lógica de bancas e editais exige um tipo de estudo diferente do ensino médio. A segunda barreira é a frustração — a “lapada” do primeiro concurso — que pode levar ao abandono do sonho se o candidato não compreender a natureza cíclica do processo: repetição, constância e ajuste de estratégia. Para ilustrar, ele defendeu que não é necessário estudar “20 horas por dia”, mas estudar com método, cronograma, foco no que está fraco e objetivos claros.

No detalhamento do cursinho, Patrício explicou que o foco principal são carreiras policiais (Polícia Militar, Civil, Penal, Guarda Municipal), mas que também houve turmas com forte desempenho em concursos municipais, incluindo professores. Sobre disciplinas, citou um “núcleo base” que se adapta ao edital: Língua Portuguesa, raciocínio lógico, Direito Constitucional, Penal e Processo Penal, Direito Administrativo, Informática, Atualidades/Conhecimentos Gerais, além de História e conteúdos específicos conforme o concurso. Ele também apresentou a equipe, valorizando docentes da própria cidade e região, e destacou nomes que, segundo ele, trazem experiência de décadas na preparação de candidatos.

A entrevista ainda reservou espaço para a carreira policial. Patrício contou que não planejava inicialmente entrar na PM e chegou a ser aprovado no Banco do Brasil, mas seguiu o caminho militar após ser chamado primeiro pela Polícia. Hoje, com 16 anos de corporação, ele descreveu a lógica de hierarquia e disciplina como uma ferramenta que se conecta diretamente ao universo do concurseiro: quem quer aprovação precisa de rotina, metas e consistência. Ele explicou também, em linguagem acessível, a diferença entre batalhão e comando regional (CPR), detalhando a estrutura do CPR2 e a regionalização do policiamento, além de comentar a evolução de estrutura e qualificação do efetivo nos últimos anos.

Ao ser perguntado sobre uma operação mais tensa, preferiu destacar a experiência profissional sem entrar em detalhes sensíveis, mencionando uma grande ocorrência em Coremas como marco de aprendizado e reforçando que, em segurança pública, o “momento” e o “contexto” nem sempre são compreendidos por quem está fora da cena. Ainda assim, defendeu que tecnologia, planejamento e formação são indispensáveis para reduzir riscos e garantir o princípio central: preservação da vida.

No encerramento, Patrício voltou ao tema que atravessou toda a entrevista: aprovação como consequência de esforço. Reafirmou que “ninguém dá nada de mão beijada”, que a educação é o caminho mais acessível e transformador para quem não nasceu em berço de riqueza, e deixou uma mensagem final direta ao concurseiro: a vaga “passa” — e, quando encontra alguém constante, vira mudança de vida. A conversa terminou com tom de gratidão e serviço, reforçando o espírito do quadro “Voz e Representação”: uma trajetória local, contada com franqueza, que dialoga com a realidade de milhares de pessoas que estudam para reescrever o próprio destino.

Entrevista Completa: