
Na noite de ontem, o podcast Pod Conversar recebeu o advogado Watson Medeiros, do Rio Grande do Norte, para uma entrevista voltada a temas do direito relacionados à carreira de professores e profissionais da educação. O convidado contou que mantém atuação também em estados vizinhos, como Ceará e Paraíba, e chegou ao programa após uma agenda de viagens, vindo de Juazeiro do Norte (CE).
Durante a conversa, Watson explicou que seu escritório trabalha com demandas de professores efetivos e temporários, além de atuar com regime próprio de previdência e outras frentes ligadas a servidores públicos. “A gente tem um escritório especializado em professores e profissionais de educação, não só os efetivos, mas também os profissionais temporários”, disse.
Da área empresarial ao foco em direitos sociais
Watson relatou que, no início da carreira, atuou com advocacia empresarial, especialmente em questões administrativas e consultivas. Segundo ele, parte do trabalho era “destravar” pendências junto a órgãos públicos, além de conduzir acordos e regularizações. Entre os exemplos citados, mencionou atividades ligadas à área hoteleira e resolução de dívidas e pendências que se estendiam por anos.
Ele também comentou uma experiência anterior como conciliador federal durante a graduação, descrevendo o papel de buscar acordos e organizar etapas do processo para reduzir conflitos antes de uma decisão judicial.
Como surgiu o escritório e a ampliação para outras cidades
Na entrevista, Watson contou que a estrutura inicial do escritório foi montada com recursos limitados e que, no começo, fazia atendimentos fora de sala formal, em locais como casa de clientes e ambientes do dia a dia, por falta de sede própria. Com o tempo, afirmou que a base de clientes cresceu, primeiro no interior do Rio Grande do Norte, e depois se expandiu para outras regiões próximas da Paraíba e do Ceará.
Ele disse que hoje o escritório atende principalmente professores: “Noventa por cento dos nossos mais de dois mil clientes são professores”, afirmou, acrescentando que também atua com aposentadorias e demandas do regime próprio para outras categorias.
Temporários: férias, décimo terceiro e contratos sucessivos
Um dos blocos da conversa abordou a situação de professores contratados temporariamente. Watson mencionou que, segundo ele, parte das contratações que deveriam ser excepcionais acabam se repetindo por longos períodos, e afirmou que há casos em que temporários encerram o contrato sem receber férias e 13º, esperando nova contratação no início do ano seguinte.
Ele relatou que seu trabalho inclui buscar, na Justiça, o pagamento de direitos que não foram reconhecidos na vigência do contrato, principalmente quando há repetição de vínculos temporários. “Nós buscamos na justiça reparar esse direito”, disse, citando férias e décimo terceiro como temas recorrentes.
Aposentadoria: tempo em sala, licença-prêmio e revisão de proventos
Ao falar sobre aposentadoria, Watson afirmou que professores precisam verificar se o tempo considerado para regras especiais está ligado a sala de aula ou assessoramento pedagógico, e alertou que funções administrativas podem mudar a forma de contagem. Ele também citou pontos como abono de permanência, licença-prêmio e conferência de vantagens como anuênios, triênios e quinquênios antes e depois da aposentadoria.
Segundo ele, há situações em que professores se aposentam com valores abaixo do que poderiam receber, por ausência de revisão de dados e direitos acumulados. Ele também mencionou que, após a aposentadoria, há prazos legais que limitam revisões.
Deficiência e isenção de imposto de renda
Em outro momento, Watson explicou que casos de deficiência podem ter regras específicas na aposentadoria, dependendo do grau e de avaliação pericial. Ele também falou sobre isenção de imposto de renda em casos de doenças graves e citou a cegueira monocular como situação reconhecida na jurisprudência para fins de isenção, ressaltando que, segundo ele, essa isenção se aplica aos proventos de aposentadoria e pensão, e não ao servidor ainda ativo.
Redes sociais como canal de informação e atendimento
Watson comentou que relutou em entrar nas redes sociais, mas decidiu criar um perfil para informar e facilitar o acesso do público. Ele disse que busca linguagem direta e que o conteúdo é planejado mensalmente, com pauta e materiais gravados em bloco. Também afirmou que costuma responder pessoalmente mensagens e comentários.
Ao citar um exemplo, disse que uma publicação sobre tabela do imposto de renda teve alto alcance e passou a gerar dúvidas e contatos de pessoas de diferentes estados.
Estrutura por setores e seleção de equipe
No fim do episódio, Watson descreveu a organização do escritório por setores, com atendimento inicial, área jurídica, apoio contábil e acompanhamento interno. Ele disse que participa diretamente das entrevistas de seleção e que utiliza testes voltados à atenção, com apoio de psicóloga, além de treinamento e supervisão para quem entra.
Sobre o uso de inteligência artificial, afirmou que utiliza ferramentas para apoiar pesquisa e reduzir tempo de consulta, mas que, na visão dele, a atividade jurídica segue dependente de análise humana e estrutura de trabalho organizada.
Entrevista na íntegra: