
Gravada na quinta-feira, às 17h, e exibida na sexta-feira (20/03), às 19h, a entrevista com a Capitã Rebeca no podcast Pode Conversar trouxe uma conversa marcada por relatos de superação, compromisso com a segurança pública e reflexões sobre o papel da mulher na sociedade. Natural de Mãe d’Água, no Sertão paraibano, a oficial falou sobre sua trajetória na Polícia Militar da Paraíba, o enfrentamento à violência contra a mulher, sua atuação nas redes sociais e também sinalizou que poderá voltar ao programa, em abril, para tratar de política.
Logo no início da conversa, Rebeca relembrou suas origens no interior e contou que saiu cedo de sua cidade em busca de novas oportunidades. Vinda de uma família marcada pela educação e pelos concursos públicos, ela explicou que encontrou na carreira militar o caminho para conquistar independência financeira e realização profissional. Segundo a capitã, a escolha pela Polícia Militar foi decisiva e se tornou uma das maiores realizações de sua vida.
Com quase 15 anos de atuação na corporação, Rebeca afirmou que a profissão lhe trouxe desafios intensos, mas também muitas oportunidades. Entre os principais pontos abordados, ela destacou a necessidade de as mulheres ocuparem mais espaços dentro das instituições, inclusive na segurança pública. A oficial chamou atenção para o fato de que as mulheres ainda representam menos de 10% do efetivo da Polícia Militar e lembrou que, por muito tempo, os concursos reservaram apenas uma parcela mínima de vagas femininas.
Durante a entrevista, a capitã reforçou que uma de suas principais bandeiras é o combate à violência contra a mulher. Ao comentar casos recentes de repercussão nacional, ela defendeu punição rigorosa para agressores e ressaltou que episódios desse tipo não representam a instituição policial, mas sim condutas criminosas individuais. Em sua fala, enfatizou que o enfrentamento à violência doméstica exige a participação de toda a sociedade, inclusive dos homens, que precisam atuar como aliados no combate ao machismo e na defesa do respeito às mulheres.
Rebeca também explicou como funcionam os mecanismos de proteção disponíveis para mulheres em situação de violência. Ela orientou que vítimas podem procurar delegacias, unidades de saúde e centros de referência, além de acionar imediatamente a polícia pelo 190 em casos de flagrante. Ao detalhar a atuação da Patrulha Maria da Penha, destacou a importância do programa no acolhimento e acompanhamento das mulheres inseridas em contextos de ameaça, reforçando que a rede de proteção tem avançado nos últimos anos.
Em um dos momentos mais fortes da entrevista, a capitã relatou uma ocorrência que a marcou profundamente: o caso de uma mulher que, após já ter sido vítima de violência, deu uma nova chance ao agressor e voltou a sofrer ataques graves. Para Rebeca, esse tipo de situação mostra como o ciclo da violência pode ser cruel e silencioso. Ela alertou para a necessidade de romper com a naturalização das agressões, inclusive as psicológicas, e defendeu que as mulheres busquem ajuda o quanto antes.
Outro ponto discutido foi o uso das redes sociais como ferramenta de transparência. Rebeca contou que utiliza seus perfis para mostrar o cotidiano da atividade policial, compartilhar operações e prestar contas à população sobre o trabalho realizado. Para ela, essa aproximação com o público fortalece o vínculo entre a polícia e a sociedade, além de valorizar o serviço prestado por quem atua diariamente nas ruas.
Ao ser questionada sobre política, a capitã preferiu adotar cautela. Fardada durante a entrevista, explicou que, por questões institucionais, não poderia tratar diretamente sobre eventual candidatura ou posicionamentos eleitorais naquele momento. Ainda assim, sinalizou que pretende voltar ao programa após o início do período permitido para tratar do tema com mais clareza. Segundo ela, política é uma ferramenta essencial para transformar realidades e criar políticas públicas eficazes, especialmente nas áreas de proteção à mulher e segurança.
A entrevista também permitiu ao público conhecer outros aspectos da história pessoal da oficial. Rebeca revelou que, ainda jovem, ganhou uma bolsa de estudos após vencer um torneio de xadrez, o que a levou a João Pessoa. Mais tarde, já na Polícia Militar, formou-se em Direito e atualmente cursa Medicina, com previsão de conclusão no próximo ano. A capitã afirmou que vê na nova formação mais uma oportunidade de servir às pessoas e contribuir com a sociedade.
Ao longo do bate-papo, ficou evidente a combinação entre firmeza, sensibilidade e senso de missão que marcam a atuação da capitã. Seja ao falar sobre segurança pública, sobre o papel da mulher ou sobre seus projetos futuros, Rebeca demonstrou convicção de que servir à população exige responsabilidade, presença e compromisso com resultados concretos.
A participação da Capitã Rebeca no Pode Conversar terminou em clima de gratidão mútua e com a promessa de um novo encontro. Desta vez, possivelmente para tratar exclusivamente de política. Até lá, a entrevista já se consolida como um registro importante de uma trajetória marcada por disciplina, coragem e defesa de causas que ultrapassam a farda.
Link da Entrevista: