Às 17h do último sábado, 21 de março, o quadro Voz e Representação recebeu a juíza Dra. Isabela Assunção para uma conversa sobre trajetória profissional, atuação no Judiciário e temas do dia a dia da população.

Durante a entrevista, Dra. Isabela contou que é natural do Piauí e que chegou a Patos há 23 anos, após aprovação no concurso da magistratura da Paraíba. Ela disse que Patos foi sua primeira comarca e que a cidade passou a ser o centro da sua vida profissional e pessoal no estado. Ao longo da carreira, também atuou em Malta, Teixeira e Piancó, antes de retornar a Patos.

A juíza explicou que, em Patos, trabalhou na Primeira Vara da Comarca, com competência no Tribunal do Júri e outros crimes por distribuição. Agora, em Cajazeiras, passou a atuar em uma vara de família. Segundo ela, a mudança faz parte de uma movimentação da carreira e também representa o início de uma nova fase profissional.

Ao falar sobre a área de família, Dra. Isabela citou os principais tipos de processos que analisa atualmente, como divórcio, pensão alimentícia, revisão de alimentos, investigação de paternidade, interdição, guarda e divisão de bens. Ela destacou que muitos conflitos familiares envolvem ressentimentos entre os adultos e acabam atingindo diretamente os filhos.

Um dos pontos abordados foi a convivência entre pais e filhos após a separação. A magistrada relatou que tem encontrado situações diferentes: casos em que mães reclamam da ausência dos pais e outros em que pais tentam participar da vida dos filhos, mas encontram obstáculos. Segundo ela, a presença de pai e mãe na formação da criança é relevante, e a guarda compartilhada tem sido cada vez mais discutida nesses processos.

Sobre união estável, a juíza explicou que o reconhecimento da relação não depende de um tempo mínimo específico, mas da comprovação de convivência pública, contínua e duradoura, com intenção de constituir família. Ela também pontuou que, para efeitos previdenciários, como pensão por morte, a legislação exige comprovação de dois anos de união estável ou casamento.

Na entrevista, Dra. Isabela também comentou a atuação da mulher em diferentes espaços da sociedade. Para ela, a autonomia financeira e a educação têm papel importante na vida das mulheres, mas não resolvem tudo sozinhas. A juíza afirmou que também é necessário fortalecer a autonomia emocional e a autoestima, diante de uma realidade ainda marcada por violência e desigualdade.

Outro tema tratado foi a forma como a população enxerga a Justiça. Dra. Isabela afirmou que a ideia de justiça pode variar conforme a posição de cada pessoa em um conflito. Ela defendeu que todos os casos levados ao Judiciário devem ser analisados com atenção, porque quem procura a Justiça o faz por considerar aquela situação importante.

Ao lembrar sua experiência no Tribunal do Júri, a magistrada explicou que a decisão sobre condenação ou absolvição cabe aos jurados, enquanto ao juiz compete aplicar a pena dentro dos critérios previstos em lei e na jurisprudência. Ela também disse que atuar por 12 anos com casos envolvendo vida e liberdade marcou sua trajetória.

A juíza ainda comentou sua experiência na Justiça Eleitoral, onde já trabalhou em outras comarcas. Ela chamou atenção para o prazo de regularização do cadastro eleitoral, incluindo título e transferência, e destacou que a eleição municipal exige cuidado maior do juiz eleitoral por envolver registros de candidatura, propaganda, fiscalização e prestação de contas.

Na parte final da entrevista, Dra. Isabela avaliou de forma positiva o uso da tecnologia no Judiciário. Segundo ela, a digitalização dos processos e a realização de audiências virtuais ampliaram o acesso e facilitaram o trabalho de advogados, partes e magistrados. Sobre inteligência artificial, disse que a ferramenta pode contribuir com a Justiça, mas ainda deve ser usada com cautela.

Ao encerrar a participação no Voz e Representação, Dra. Isabela agradeceu pelo convite e reforçou a importância da escuta no trabalho do Judiciário. Também deixou uma mensagem sobre família, dizendo que os sonhos e a vida profissional precisam ter base na convivência familiar.

Entrevista Completa: