
Foto: Divulgação/UEPB – Reitoria da UEPB, em Campina Grande-PB
A presidente do Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Elizabeth Valle, participou nesta terça-feira (23), em Patos-PB, da sessão itinerante da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). Na ocasião, reforçou as reivindicações da categoria e destacou a necessidade de diálogo com o Governo do Estado. A greve dos professores da instituição foi iniciada na última segunda-feira (16), após quase dois anos de tentativas frustradas de negociação.
Segundo Valle, o movimento cobra principalmente a recomposição do orçamento da universidade, o pagamento retroativo das progressões funcionais e a convocação de professores aprovados em concurso. Atualmente, a UEPB conta com 393 docentes substitutos e enfrenta dificuldades para manter turmas devido à falta de recursos.
“O Governo do Estado não vem cumprindo a Lei de Autonomia, que garante o repasse mínimo de 3% da arrecadação. Esse corte compromete a assistência estudantil, bolsas e até o funcionamento de cursos. Além disso, houve uma perda salarial de cerca de 20% durante o governo de João Azevêdo”, afirmou a presidente do sindicato.
A dirigente criticou ainda a ausência de diálogo com o governo estadual. “Há quase um ano o procurador não recebe a categoria. O governo se diz aberto ao diálogo, mas até agora não se sentou conosco para discutir nossas pautas. Essa greve só terá fim quando o governador marcar uma mesa de negociação”, completou.
Apoio do ANDES-Sindicato Nacional
Durante a sessão itinerante em Patos, o presidente do ANDES-Sindicato Nacional, professor Josevaldo, também esteve presente em apoio à ADUEPB e reforçou a importância da mobilização.
“Quando uma base do ANDES está em greve, todo o sindicato nacional também está. Estamos aqui em Patos, numa atividade da Assembleia Legislativa da Paraíba, apostando na possibilidade de construir mediações e pontes para reabrir o diálogo com o Governo do Estado. A greve da UEPB é dirigida pela ADUEPB, que é uma seção sindical do nosso sindicato nacional, e por isso o ANDES apoia integralmente – física, material e intelectualmente – essa luta. Trata-se de uma greve que envolve salário, orçamento, carreira, concurso público e assistência estudantil”, destacou.
Josevaldo acrescentou ainda que a presença do movimento na ALPB busca sensibilizar o presidente da Assembleia, deputado Adriano Galdino, para que se coloque como mediador no processo de negociação. “O poder legislativo precisa assumir esse papel de ponte para que o governo receba a pauta dos professores e construa uma saída para o impasse”, disse.
Nota do Governo e contestação
Questionada sobre a nota divulgada pelo Governo da Paraíba, que afirma já ter repassado valores acima do previsto à UEPB, Elizabeth Valle rebateu a narrativa oficial.
“O governo apresenta números nominais, mas não percentuais. É preciso olhar a arrecadação e verificar se os 3% previstos em lei estão sendo cumpridos. O próprio Tribunal de Contas já apontou que o governo não cumpre a Lei de Autonomia da UEPB. Portanto, não se trata apenas de valores, mas do percentual legalmente assegurado”, explicou.
Busca de apoio na Assembleia
A presença dos docentes e do sindicato nacional na sessão itinerante em Patos-PB teve como objetivo sensibilizar os parlamentares para atuarem como mediadores no impasse. “A Assembleia Legislativa é um poder importante e pode contribuir para que o governador João Azevêdo finalmente se sente à mesa e dialogue conosco”, reforçou Elizabeth Valle.
Enquanto não há avanço nas negociações, a greve segue por tempo indeterminado, impactando diretamente alunos, professores e o funcionamento da universidade.