Arthur Villar, criador do Podcast Nordestino, contou no Voz e Representação como um hobby de adolescência virou um projeto referência em poesia, forró e vaquejada. Desde cedo ele se envolveu com comunicação — comunidades no Orkut, páginas no Facebook, blogs, canal no YouTube e passagens por rádio como sonoplasta e locutor eventual. Antes do podcast, tentou páginas e sites de notícia, mas, sem retorno e com dor de cabeça, decidiu parar. A virada veio após assistir a um corte do Flow com Douglas Ninja: motivado, resolveu começar com o que tinha — um celular. O primeiro episódio abriu caminho para evoluir de um estúdio caseiro à parceria com a i3 Filmes, em Monteiro (PB), do músico Isaac (ex-baterista da Magníficos). O programa surgiu como “PBCast – Podcast Nordestino”, mas o alcance além da Paraíba consolidou o nome atual.

A linha editorial se firmou em três eixos principais — poesia, forró e vaquejada — com espaço também para empreendedorismo e história. A proposta é mostrar o que o Nordeste tem de melhor, dando palco a pessoas e temas regionais. Sobre política, Arthur disse que recebeu políticos no início, porém, após ouvir o público, optou por não fazer debates partidários. Quando o assunto exige, fala-se de leis e políticas públicas de forma pontual e sem polarização, como nos episódios sobre caprinocultura, área em que o Cariri paraibano se destaca com recordes de produção.

No começo, a falta de apoio de amigos e conhecidos trouxe frustração. Com o tempo, o canal furou bolhas, ganhou base fiel e Arthur passou a valorizar quem acompanha, cumprimentando espectadores nas lives e reconhecendo membros e compradores de produtos do podcast. Para ele, a constância é decisiva: publicar sempre, em várias plataformas e aprender a cada episódio. Hoje o projeto é multiplataforma (YouTube, TikTok, Instagram, Kwai, Facebook e áudio). Ele citou números aproximados: TikTok com cerca de 600 mil seguidores, Instagram com ~460 mil, Kwai com ~240 mil, duas páginas no Facebook com ~30 mil cada, e no YouTube a busca pela placa de 100 mil inscritos após ultrapassar a casa dos 90 mil.

Entre os marcos, a presença de Flávio José foi um divisor. O convite se concretizou na véspera de o cantor abrir o São João de Campina Grande, e o episódio começou com Arthur declamando poesia e Flávio cantando “Natureza das Coisas”. A partir dali, convites de outros artistas ficaram mais simples. Santana, o Cantador, rendeu a maior audiência do canal em episódio completo, com cerca de duas horas de conversa e cortes que somados alcançaram milhões de visualizações, destacando temas como a cultura judaica e suas conexões históricas no Nordeste. Com Mano Walter, a logística envolveu Campina Grande em plena maratona de São João, viabilizada após encontros anteriores em shows e aproximação com a produção. Outros conteúdos acima da curva envolveram o poeta Guilherme Ramalho, Rodrigo Nojosa (duas passagens fortes) e Mateus, rezador de 17 anos, em episódio sobre a tradição das rezadeiras. Além do estúdio, o podcast realiza itinerantes e eventos em diferentes cidades e estados (PB, PE e PI), como aniversários do projeto em praça pública.

Nos bastidores, Arthur lembrou a fase em que fazia tudo sozinho: abrir live, operar câmera e conduzir entrevista, lidando ao vivo com falhas técnicas. Com a i3 Filmes, ganhou estrutura, mas continua adaptando cenário e horário conforme agenda de convidados e do estúdio. Ele recomenda ajustar horários à presença do público (por exemplo, segundas e quintas às 19h), planejar a divulgação com artes consistentes para episódios e cortes e manter presença em todas as redes, porque públicos diferentes consomem em lugares diferentes.

No campo comercial, o podcast mantém parcerias como a de suplementos Cavalo Forte (com cuidado para não colidir com patrocínios do convidado) e o queijo da Coruja, da Fazenda Coruja, presenteando convidados. Ao receber representantes da Fazenda Carnaúba e da Leite Taperoá, houve troca respeitosa entre produtores, com elogios ao parceiro do programa — exemplo de como o projeto trata concorrência de modo positivo. Sobre apostas, Arthur relatou que recusou propostas mesmo em momento financeiro difícil; a decisão é pessoal e baseada em princípios, preferindo construir um projeto sólido, ainda que mais devagar.

A poesia virou identidade do Podcast Nordestino. Arthur declama e compõe, priorizando textos sobre vida e motivação, e citou poetas como Tiago Laurentino (convidado anunciado para 27 de outubro) e Wendenberg de Castro, autor de uma homenagem em forma de poema ao programa. O primeiro episódio foi com Iago Silva, do marketing digital, numa fase ainda amadora que ele mantém no canal como parte da história. A expansão para além da Paraíba aconteceu cedo; nas plataformas de áudio, o podcast já foi ouvido em dezenas de países. Por fim, Arthur reforçou a importância de planejamento, transparência em exceções de agenda e identidade editorial: tratar todos os convidados por igual e manter o propósito de dar palco à cultura nordestina e seus protagonistas.

Entrevista completa (Voz e Representação): https://www.youtube.com/watch?v=9HwA7qCjRgw&t=3131s