O Voz e Representação, quadro do podcast Pode Conversar, recebeu o jornalista Gutemberg Cardoso em 08/11, às 17h. A entrevista começou pela trajetória do convidado no rádio: ele relatou a infância em Cajazeiras, o ingresso na Difusora como office boy, a passagem por operação e técnica de estúdio e a transição para o jornalismo. Contou a criação do Boca Quente e do Boca Quente – Segunda Edição, além da mudança para João Pessoa e a fase no Sistema Correio, quando estruturou um formato de debate ao meio-dia com equipe fixa. Na memória profissional, citou coberturas eleitorais, bastidores e a evolução do rádio para as plataformas digitais.

Na análise do ciclo atual, Gutemberg descreveu forte antecipação do debate na Paraíba, com pesquisas iniciadas mais de um ano antes do pleito. Segundo ele, os levantamentos já ocorreram em julho, agosto, setembro e outubro, com nova rodada em novembro, devendo tornar-se mensais e, mais adiante, quinzenais.

Para o governo do Estado, avaliou que o quadro tende a se afunilar. Citou Cícero como líder do momento e colocou Lucas, Efraim e Pedro no bloco seguinte. Até dezembro, podem ocorrer desistências: Adriano reavalia a permanência conforme a recuperação de intenção de voto; Pedro, identificado por parte do eleitorado como “antipolítico”, poderia compor como vice; e Efraim tende a manter a candidatura. Em rodada recente que acompanha, disse ter observado queda de Cícero, Lucas, Efraim e Adriano, com leve avanço de Pedro.

Gutemberg afirmou que a lógica local favorece polarização. Relatou casos em cidades onde grupos se dividem entre campos distintos — com Cícero associado a alianças à esquerda e Efraim identificado com a direita — o que pressiona por composições e pode reduzir o número de candidaturas competitivas, aumentando a chance de um confronto entre dois projetos.

Na disputa ao Senado, listou Efraim, João Azevêdo e Veneziano como nomes consolidados e destacou a entrada de Nabor Wanderley. Na leitura dele, a corrida tende a “embolar” com o avanço do corpo a corpo e a busca por apoios de prefeitos. Comentou que Nabor alternou ganhos e perdas recentes em pesquisas, em parte refletindo a repercussão de votações sob a presidência de Hugo Motta, enquanto João e Veneziano intensificam agendas com gestores.

Ainda sobre o Senado, apontou que Marcelo Queiroga permanece competitivo junto ao eleitorado de direita, cuja fidelidade pode sustentar seu nome no bloco intermediário. Observou que entradas tardias em chapas exigem alta capilaridade para se tornarem viáveis e citou a sondagem ao padre Fabrício, que, segundo ele, teria ficado “balançado”, sem decisão definitiva até o momento.

No plano legislativo, projetou renovação de cerca de 40% na Assembleia Legislativa, com a chegada de novos nomes — inclusive mulheres — e mudança menor na bancada federal, estimada entre três e quatro cadeiras. Para ele, a antecipação do calendário e o volume de pesquisas ajudam a revelar movimentos de curto prazo, mas não esgotam a dinâmica do processo, sujeita a ajustes nos próximos meses.

Ao tratar do comportamento do eleitor, Gutemberg afirmou que a Paraíba mantém alta atenção à política, com programação diária de entrevistas e debates em diversas cidades, o que amplia o nível de informação do público e influencia as escolhas.

Por fim, comentou práticas de redação e disse que equipes já utilizam ferramentas de inteligência artificial para revisar textos e corrigir inconsistências, sem substituir a apuração. Explicou também a origem do bordão “Pelo sim, pelo não, esta é a minha opinião”, que passou a marcar suas intervenções nas redes.

Entrevista Completa: