Em participação em programa apresentado por Francisco Anderson, o jornalista Jordan Bezerra fez uma ampla leitura da disputa pelas duas vagas ao Senado Federal pela Paraíba em 2026, avaliando o peso político de nomes como João Azevêdo, Veneziano Vital do Rêgo, Nabor Wanderley e Marcelo Queiroga.

Logo na abertura do debate, Francisco Anderson organizou o tabuleiro político: citou o trabalho de Veneziano junto aos prefeitos, o movimento do governador João Azevêdo, a entrada de Nabor “no jogo” para o Senado — já exibindo força ao reunir, em sequência, grupos de prefeitos em apoio ao seu nome — e a presença de Marcelo Queiroga como referência do voto da direita.

Disputa mais acirrada dos últimos anos

Jordan Bezerra avaliou que a próxima eleição para o Senado tende a ser uma das mais disputadas dos últimos anos na Paraíba, mesmo com duas vagas em disputa. Ele resgatou exemplos recentes, como a eleição em que Cássio Cunha Lima liderava as pesquisas e acabou ficando em quarto lugar, enquanto Daniela Ribeiro surpreendeu e “veio de baixo atropelando todo mundo”, além da vitória de Veneziano em 2018 em um cenário considerado, à época, praticamente consolidado em favor de outras candidaturas.

Para Jordan, a lição é clara:
pesquisa não encerra eleição, especialmente em disputas em que o segundo voto para o Senado pode redefinir completamente o resultado.

João Azevêdo e Veneziano: nomes consolidados nas pesquisas

Na análise do jornalista, o atual governador João Azevêdo (PSB) aparece hoje como nome fortíssimo para o Senado, liderando pesquisas de intenção de voto tanto no primeiro quanto no segundo voto dos eleitores. Pesquisas recentes realizadas por institutos como Data Qualyt, Real Time Big Data e Anova vêm apontando João na dianteira em diferentes cenários para 2026.

Já o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) surge, na leitura de Jordan, como o segundo nome mais consolidado, impulsionado sobretudo pelo seu municipalismo e pela relação direta construída com prefeitos em todo o estado. Além da capilaridade no interior, Veneziano ganhou fôlego com a filiação do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, ao MDB, o que tende a corrigir uma fragilidade histórica do senador na capital.

Jordan lembrou ainda que Veneziano conta com o apoio de lideranças importantes, como Pedro Cunha Lima e o grupo dos Cunha Lima, além de ter reconstruído pontes com o ex-prefeito Romero Rodrigues, hoje alinhado ao seu projeto. Para o jornalista, trata-se de um político que aprendeu muito com o irmão, Vital do Rêgo, considerado nos bastidores o grande articulador da família, e que se tornou hábil em evitar “casca de banana” colocada pela imprensa.

A “chegada de Nabor ao jogo” e o efeito dos prefeitos

Ao conduzir a entrevista, Francisco Anderson chamou atenção para a entrada de Nabor Wanderley no cenário, relatando a sequência de eventos em que o prefeito de Patos passou a reunir prefeitos em torno da sua pré-candidatura ao Senado. Anderson destacou encontros que reuniram inicialmente 13 prefeitos, depois mais 10, e, em seguida, um grupo que chegou a 20 e, mais recentemente, 23 prefeitos.

Essa movimentação foi confirmada por articulações recentes: o prefeito de Patos e ex-deputado estadual Nabor Wanderley (Republicanos) vem se firmando como um dos nomes mais fortes dentro da base governista, acumulando apoios de gestores municipais em diferentes regiões do estado.

Na avaliação de Jordan Bezerra, “Nabor não entrou no jogo para pouca coisa”. O jornalista destacou que o movimento em torno do republicano não é apenas “para tirar foto”, mas a montagem de uma campanha robusta, construída prefeitos “um a um”, num estilo que ele comparou ao “jeitinho mineiro”, discreto e eficiente. Para Jordan, com três nomes fortes — João, Veneziano e Nabor — “alguém vai sobrar na curva” nessa disputa.

Marcelo Queiroga e o voto da direita

Além dos nomes ligados ao governo e à base mais tradicional, Francisco Anderson também citou o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, apontando-o como o candidato natural do voto da direita na Paraíba. Jordan concordou que Queiroga representa esse campo político, mas ponderou que, até o momento, a pré-candidatura ainda não “emplacou” no mesmo ritmo dos demais nomes citados.

Nos últimos meses, Marcelo Queiroga tem reafirmado publicamente sua pré-candidatura ao Senado e se colocado como opção do campo bolsonarista na Paraíba, buscando unificar esse segmento em torno do seu nome.

Para Jordan, porém, a dificuldade de gerar maior simpatia em camadas mais amplas do eleitorado pode pesar, sobretudo diante do avanço simultâneo de João, Veneziano e Nabor tanto nas pesquisas quanto na conquista de apoios.

MDB fortalecido e rearranjo de forças

Outro ponto ressaltado por Jordan Bezerra foi o reposicionamento do MDB na capital com a chegada de Cícero Lucena ao partido. Antes, segundo ele, Veneziano tinha uma espécie de “deficiência” em João Pessoa, carecendo de um “candidato pra chamar de seu” na capital. Com Cícero filiado e comprometido com o projeto, o senador passa a contar com um puxador de votos em João Pessoa, enquanto mantém a força tradicional em Campina Grande e no interior.

Jordan relembrou que Veneziano manteve coerência política ao apoiar Pedro Cunha Lima em 2022, gesto que, segundo ele, foi mal compreendido por parte da classe política na época, mas que hoje se converte em capital político e em alianças consolidadas para 2026.

Ao fim da análise, Jordan Bezerra reforçou que a eleição para o Senado em 2026 na Paraíba está longe de ter resultado definido, apesar da liderança de João Azevêdo nas pesquisas e da consolidação de Veneziano e da escalada de Nabor. O cenário, segundo ele, é de alta competitividade, com articulações intensas nos bastidores, movimentos de prefeitos e reorganização partidária — especialmente em torno do MDB e do Republicanos.

A mediação de Francisco Anderson, que estruturou o debate apresentando os nomes, lembrando o papel de Veneziano junto aos prefeitos, a possível migração de João Azevêdo para a disputa ao Senado, a chegada de Nabor Wanderley ao jogo e o espaço da direita com Marcelo Queiroga, permitiu que Jordan Bezerra desenhasse um quadro claro:

a Paraíba caminha para uma das disputas mais complexas e estratégicas da sua história recente para o Senado, onde cada apoio, cada gesto e cada segundo voto podem ser decisivos.

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