A ansiedade, tão presente na rotina de milhões de brasileiros, foi o foco da fala do médico Dr. Eulâmpio em uma recente conversa sobre saúde mental e uso de canabidiol. Ele explicou que sentir ansiedade não é, por si só, algo ruim — ao contrário, faz parte de um mecanismo natural de defesa do organismo. O problema começa quando esse estado de alerta deixa de ser passageiro e se transforma em um modo de funcionamento permanente do corpo e do cérebro.

Segundo o médico, a ansiedade fisiológica é aquela que nos prepara para situações desafiadoras: uma apresentação de mestrado, uma prova importante, uma entrevista de emprego. “Se eu não fico minimamente ansioso, algo está errado”, brinca, para ilustrar que certa dose de apreensão é saudável e até protetora. Ela nos deixa mais atentos, mais cautelosos e prontos para reagir a possíveis ameaças — como se estivéssemos diante de um “leão” do lado de fora da porta.

O grande problema, aponta ele, está no estilo de vida da sociedade atual. O cérebro foi “programado” para alternar momentos de trabalho, descanso e lazer. No entanto, o ritmo frenético de jornadas extensas, somado ao uso e abuso de telas, jogos e outras formas de estímulo constante, comprime o tempo de descanso e quase elimina o lazer de qualidade. A falta de atividade física agrava ainda mais o cenário. O resultado é um organismo que passa a operar em “modo alerta” o tempo todo — o que, na prática, significa viver em estado de ansiedade permanente.

Essa ativação contínua cobra um preço alto do corpo. Dr. Eulâmpio lembra que, diante do estresse, o organismo libera hormônios como cortisol e noradrenalina. Em situações pontuais, isso é necessário: o aumento da pressão arterial e da circulação sanguínea prepara o corpo para correr, lutar, reagir. Porém, quando esse mecanismo é acionado o tempo inteiro, sem pausa, ele pode contribuir para quadros de hipertensão, dores de cabeça frequentes, taquicardia e outros sintomas físicos associados à ansiedade. O médico compara esse processo a um celular com a tela ligada direto: “Chega uma hora que a bateria acaba”. No ser humano, esse “descarregar” muitas vezes se manifesta como depressão.

De acordo com Dr. Eulâmpio, uma parcela importante dos transtornos de ansiedade tende a se tornar crônica quando não há intervenção adequada. Ele destaca que cerca de 40% dos casos têm influência genética, enquanto 60% estão ligados a fatores ambientais — ou seja, ao estilo de vida, às pressões do cotidiano, ao contexto em que a pessoa vive. Em muitos casos, a ansiedade prolongada, não tratada, pode evoluir para quadros depressivos, exigindo acompanhamento mais intensivo.

Quando o assunto é tratamento, o médico é categórico ao afirmar que o uso de canábis medicinal, especialmente o óleo rico em canabidiol (CBD), não deve ser encarado como primeira opção. “Existem medicações já bem consolidadas que apresentam respostas muito boas para os transtornos ansiosos”, ressalta. Antidepressivos e ansiolíticos tradicionais, aliados a psicoterapia e mudanças no estilo de vida, seguem como linha de frente em grande parte dos casos.

O canabidiol, segundo ele, passa a ser uma alternativa em situações específicas: pacientes que não toleram bem os medicamentos alopáticos convencionais ou que, mesmo após tentativas com diferentes classes de remédios, não obtiveram uma resposta satisfatória. Nesses casos, o uso de óleo de cannabis pode ser avaliado com critério, sempre com acompanhamento médico. Dr. Eulâmpio reforça ainda que não existe “um único” óleo de cannabis: há várias formulações, concentrações e tipos diferentes, que precisam ser escolhidos de forma individualizada.

Ao final, a mensagem central do médico é de alerta, mas também de responsabilidade. A ansiedade não é apenas “nervosismo” ou “frescura”: trata-se de um estado que, quando crônico, afeta o corpo inteiro e pode abrir caminho para a depressão. Por outro lado, existe tratamento — e ele passa por uma combinação de cuidados: ajustar o ritmo de vida, resgatar o descanso e o lazer, praticar atividade física, buscar ajuda profissional e, quando indicado, utilizar medicamentos, sejam eles tradicionais ou, em casos específicos, à base de canabidiol.

Importante: este texto tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas de ansiedade persistente, procure um profissional de saúde habilitado.

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