“Não é só o sal que faz mal ao coração.” A afirmação do médico Lucas Xavier reforça um alerta cada vez mais urgente: o risco de infarto e AVC (acidente vascular cerebral) é resultado de um conjunto de fatores que, muitas vezes, estão presentes no dia a dia sem que as pessoas percebam.

Em conversa sobre saúde cardiovascular, Lucas explica que a hipertensão arterial continua sendo um dos principais vilões quando o assunto é infarto no Brasil. Muitas vezes ligada ao consumo excessivo de sal, a pressão alta força constantemente os vasos sanguíneos e o coração, abrindo caminho para eventos graves como infarto e AVC.

Outro fator que preocupa o especialista é a diabetes. Mais do que alterar a glicemia, a doença causa danos progressivos aos vasos sanguíneos em todo o corpo.
“Ela vai machucando os vasos a longo prazo”, explica. O resultado é visível em casos extremos, como pés diabéticos e amputações por infecções, mas os danos também atingem o coração e o cérebro, aumentando a chance de infarto e AVC. Por isso, o médico reforça a importância de um controle rígido da glicemia, uso correto de insulina e medicamentos, além de dieta adequada.

O tabagismo também aparece como um dos grandes responsáveis pelos problemas cardiovasculares. De acordo com Lucas Xavier, quem fuma tem uma chance “quatro a cinco vezes maior” de sofrer um infarto em comparação com quem não fuma. As substâncias presentes no cigarro, como a nicotina, agridem e degradam os vasos sanguíneos, favorecendo o entupimento das artérias.

O estresse constante entra na lista de fatores de risco que muitas vezes são subestimados. Situações repetidas de tensão mantêm a pressão arterial e a frequência cardíaca elevadas, sobrecarregando o sistema cardiovascular. “Imagina o corpo o tempo todo em situação de estresse, com pressão e frequência cardíaca sempre altas. Isso aumenta o índice de doenças cardiovasculares”, destaca o médico.

A alimentação inadequada fecha o pacote dos principais vilões. Dietas ricas em gordura aumentam o colesterol e podem levar à chamada dislipidemia, condição em que os níveis de gordura no sangue estão alterados. Esse desequilíbrio favorece o acúmulo de placas nas artérias, o que também aumenta a predisposição ao infarto.

Lucas Xavier lembra que a lista de fatores de risco é extensa e envolve “dezenas de pontos de atenção”, mas reforça que muitos deles são preveníveis com mudanças de hábitos:
– controle da pressão e da glicemia;
– abandono do cigarro;
– redução do consumo de sal e gordura;
– alimentação equilibrada;
– manejo do estresse e busca por qualidade de vida.

A mensagem final é clara: cuidar do coração e do cérebro passa por escolhas diárias. Conhecer os riscos é o primeiro passo para evitá-los.

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