O podcast decidiu sair das paredes do estúdio e ir até onde as histórias realmente acontecem. Desta vez, o cenário foi a Praça do CEPA, palco de um ensaio fotográfico cheio de luz, delicadeza e movimento, onde encontramos Ana Lívia, 11 anos, bailarina, atleta de bocha paralímpica e dona de uma presença capaz de iluminar qualquer espaço. Ao lado da mãe, Mara, ela recebeu nossa equipe para um bate-papo que ultrapassou os limites de uma simples entrevista e se transformou em um retrato profundo sobre determinação, inclusão e o poder transformador do incentivo.

Enquanto Ana posava para fotos, mostrando a mesma leveza e segurança que leva ao palco, conversamos com Mara sobre as conquistas da filha. O orgulho em seu rosto falava tanto quanto suas palavras. “Pra mim é uma bênção, porque ela é uma bênção de Deus. É satisfazer a vontade dela, não é a minha, é a dela“, disse a mãe, emocionada. A cada frase, ficava evidente que Ana não é apenas uma criança talentosa; ela é protagonista da própria história, dona de uma coragem rara e de uma vontade inesgotável de viver.

A paixão pelo balé começou cedo, por iniciativa da própria Ana, que, ainda com 5 anos, procurou a professora da escola para dizer que seu sonho era ser bailarina. Desde então, ela vem lapidando essa habilidade com dedicação diária. Hoje, além de dançar, treina bocha paralímpica, esporte que a levou a participar do Campeonato Paraibano Paralímpico e dos Jogos Escolares Paralímpicos. Cada conquista é um novo capítulo de uma trajetória que cresce diante dos olhos da família e, agora, diante de todos que acompanham seu trabalho.

Mara contou que a filha possui uma rotina intensa e cheia de atividades, sempre conduzida com energia e entusiasmo. A semana tem dança, esporte, terapias e pouco espaço para ficar parada. “Se tiver um dia fora do ritmo, ela já diz: ‘Mamãe, tô entediada sem ter o que fazer’”, brinca a mãe. Essa inquietação positiva revela muito sobre Ana Lívia: ela não aceita o papel de coadjuvante, não se vê limitada pelas circunstâncias e não se afasta do mundo — pelo contrário, se coloca nele com força, brilho e autenticidade. “Ela não gosta de ficar no escuro, ela gosta de brilhar”, resume Mara.

A conversa também trouxe à tona uma campanha importante: a vaquinha virtual para ajudar na compra da nova cadeira adaptada. Mais leve, prática e funcional, ela facilitará não só a dança, mas o esporte e o dia a dia de Ana, que é totalmente independente na condução da cadeira. O link para contribuir está na bio do Instagram de Mara, no perfil @mara_carvalho82, e qualquer ajuda faz diferença.

Em meio ao diálogo, Mara aproveitou para deixar um recado às mães de crianças com deficiência: “Não escondam suas crianças. Mostrem a elas que são capazes. Ana gosta de se maquiar, dançar, estudar, praticar esportes. Ela vive como qualquer criança. Hoje existe espaço para todos, e o importante é que eles sejam felizes fazendo o que amam.” Suas palavras ecoam como um chamado à inclusão verdadeira — aquela que começa dentro de casa e se amplia quando a sociedade abre espaço para acolher.

Ao sair do estúdio e ir ao encontro dessas histórias, o podcast reafirma sua missão de dar voz a quem muitas vezes não é ouvido, mostrando que narrativas como a de Ana Lívia não só inspiram, mas transformam. O episódio dedicado a ela não é apenas conteúdo: é uma celebração da força, da autonomia e do brilho de uma menina que já nasceu pronta para ocupar o mundo. E que, com cada passo de dança e cada movimento no esporte, mostra que não existe limite para quem tem coragem de sonhar.