O Pode Conversar recebeu nesta terça-feira o CEO do Instituto Data Ducks, Eryvelton Lima, para uma análise aprofundada das pesquisas eleitorais realizadas em Patos. Diferente do formato adotado pelo grande portal Patos Online, onde o analista já havia concedido uma entrevista recentemente, o Pode Conversar optou por uma abordagem distinta, explorando temas não contemplados anteriormente e buscando compreender nuances que escapam às leituras tradicionais de cenário político.

A conversa teve início com o tema rejeição, ponto que Eryvelton considera decisivo na análise eleitoral. Segundo ele, “rejeição é um fator importante e cauteloso na leitura da pesquisa. Ela define o teto de crescimento do candidato”. Ele explicou que nomes menos conhecidos tendem naturalmente a ter menor rejeição, justamente por ainda não sofrerem desgaste público. Citou o exemplo de Tarcísio de Freitas, cuja rejeição nacional é menor que a de Bolsonaro, não por maior aceitação, mas por menor exposição. Nos cenários analisados em Patos, Eryvelton observou que “Cícero está à frente na rejeição, por não ter políticos de expressão apoiando seu nome na cidade”, enquanto “Lucas é o menos rejeitado”. Sobre o Senado e o Governo, destacou que Marcelo Queiroga aparece com forte rejeição, reflexo da associação ao bolsonarismo em uma região majoritariamente simpática ao PT.

Questionado sobre a possibilidade de mudanças no tabuleiro político com a entrada de novos nomes, ele afirmou que a eleição tende a sofrer alterações em abril, quando ocorrerá a “passagem das canetas” nos cargos executivos. “Quando João passar o governo para Lucas Ribeiro, começa uma nova avaliação. Não sei se ele manterá a mesma aceitação pós-governo”, ponderou. Mesmo assim, Eryvelton não acredita que João Azevêdo ficará para trás: “Não creio que João vá sobrar na curva, ele tem muito serviço prestado”.

A conversa avançou para um ponto sensível: a polarização nacional e a possibilidade de migração entre eleitores de Lula e Bolsonaro. Eryvelton explicou que a disputa presidencial é decidida por um grupo específico: “Quarenta por cento são radicais de esquerda, quarenta por cento radicais de direita. O que decide é o voto volátil, os 20% do meio”. Ele explicou que estes 20% votam conforme confiança e contexto socioeconômico: “Não basta estar revoltado com o governo. O eleitor precisa olhar e confiar no outro nome. Se não confiar, permanece onde está.” Para ele, Tarcísio de Freitas tem conseguido penetrar em setores da esquerda justamente por manter uma postura mais técnica e menos confrontacional.

Sobre o nome do Padre Fabrício, especulado por parte da imprensa como possível candidato ao Senado, Eryvelton foi categórico ao explicar por que não incluiu o religioso em sua pesquisa: “Eu só coloco nomes que declararam publicamente intenção de candidatura. Não vi Padre Fabrício afirmar isso em nenhum momento. Pesquisa é ética.” Segundo ele, incluir alguém que não manifestou intenção seria induzir o eleitor e comprometer a seriedade técnica do instituto.

A eleição da Mesa Diretora da Câmara de Patos também entrou em pauta. Com 11 vereadores já manifestando voto ao vereador Mike Nervino, Eryvelton considera o cenário praticamente consolidado: “Quando 11 sobem à tribuna e afirmam, não costuma voltar atrás. A Câmara tem sua história, mas 6 ganharem de 11 seria complicado.”

Questionado sobre a existência de “fenômenos eleitorais” — os chamados outsiders — como Toninho do Sopão, Tiririca ou Cabo Gilberto, ele avaliou que “a preço de hoje, não vejo ninguém com esse potencial na Paraíba. Pode mudar? Pode. Mas hoje não identifico nenhum outsider emergindo.” Ele lembrou que o TSE, após fenômenos como o de Tiririca, estabeleceu cláusula de barreira para evitar que gigantes de votos puxassem candidatos com votações irrisórias.

O apresentador também questionou o desempenho expressivo de Efraim Filho em Patos, e Eryvelton explicou que parte disso se deve ao histórico recente: “O Grupo Mota apostou em Efraim na eleição passada, e isso criou raízes. Algumas pessoas ainda acham que existe ligação, mesmo não havendo mais.”

Em suas palavras finais, Eryvelton descreveu os desafios de trabalhar com pesquisas eleitorais: “Quando o resultado agrada, dizem que você é fera. Quando não agrada, dizem que você errou. Mas faz parte. Eu gosto do trabalho e estou à disposição.” Ele ressaltou que 2026 será um ano de grande demanda, com pesquisas internas e registradas no TSE, e que o Data Ducks seguirá prezando pela ética e rigor metodológico.

Assim, a entrevista no Pode Conversar não apenas complementou, mas expandiu significativamente a discussão pública em torno das pesquisas recentes. Ao escolher uma abordagem diferenciada, o programa entregou ao público uma leitura mais técnica, profunda e contextualizada do cenário eleitoral, contribuindo para que o eleitor patoense entenda não apenas os números, mas as forças invisíveis que moldam cada resultado.

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