A 100ª edição do podcast Pode Conversar foi ao ar, de forma especial, na manhã deste sábado, às 10h, e se tornou um marco na história do programa. Para celebrar a data e antecipar o aniversário de dois anos do podcast, que completa existência nesta segunda-feira, o CEO e apresentador, Francisco Anderson, escolheu um convidado que já faz parte da trajetória da casa: o Padre Fabrício Timóteo, que participou pela terceira vez do projeto. “Poderia ocorrer outras edições, centésimo primeiro, centésimo segundo, mas o 100 tinha que ser ele. Porque ele conhece essa trajetória da gente aqui. E eu costumo dizer que toda vez que ele vem aqui, a expansão é gigantesca”, destacou Francisco já na abertura, emocionado com a presença do sacerdote, a quem chamou de “um ser de Deus”.

O clima da entrevista foi de reencontro e de gratidão. Diferente da primeira participação, em que o apresentador confessou ter ficado tenso, desta vez o ambiente era de intimidade, confiança e profunda partilha. Logo no início, o episódio trouxe à tona a nova música “A Voz da Oração”, parceria de Padre Fabrício com o poeta Nonato Costa. O sacerdote contou como, a partir de frases que ele costuma repetir em suas homilias e postagens no Instagram, Nonato construiu a canção que, segundo ele, “já está bombando”. Em seguida, incentivado por Francisco, cantou ao vivo um trecho que tocou fortemente o público: “A voz da oração dá conselhos, fortalecendo os fracos na fé. Diante de Jesus, de joelhos; diante dos problemas, em pé.”

A partir daí, a conversa ganhou profundidade, especialmente quando o padre falou sobre crenças limitantes, tema que atravessou o episódio como um fio espiritual e psicológico. Ele explicou que muitas pessoas carregam dentro de si frases como “eu não consigo”, “eu não posso”, “eu sou inútil, frágil demais”, e que esses pensamentos são alimentados por histórias de humilhação, críticas constantes e uma imagem distorcida de Deus: “São as crenças limitantes, e nós precisamos superar essas crenças limitantes. As vozes que nos rebaixam, nos diminuem, nos desfiguram, vão gerando traumas, dores psíquicas e emocionais. E ainda tem a crença num Deus assustador, num Deus terrível, num Deus amedrontador, num Deus que só faz castigar, punir e limitar. Tudo isso vai potencializando, infelizmente, essas crenças limitantes, otimizando o que não presta dentro de nós.”

Em vários momentos, Francisco trouxe experiências pessoais de fé. Em uma delas, abriu o coração e contou que, às vezes, tem a sensação de que Deus “tira um pouco mais de tempo” para olhar para ele de modo especial, e perguntou ao sacerdote se isso não seria orgulho ou soberba. A resposta veio como um ajuste de rota, mas cheio de acolhimento: “É uma crença do amor universal, do amor absoluto, que se encarna na sua vida. Paulo disse isso em Gálatas 2,20: Cristo se entregou por mim. Cada um tem que tomar posse disso: Jesus me ama. Isso não é individualismo, não é narcisismo, não é subjetivismo, não é ganância. Ele se entregou por mim, Ele me ama. Quando eu tenho isso muito conscientemente, eu posso ajudar muito mais, posso colaborar muito mais, posso servir muito mais e muito melhor. Porque ninguém pode fazer o bem se não estiver bem, ninguém pode fazer uma obra de transformação se ele mesmo não passou por uma obra de transformação, ninguém pode amar se em primeiro lugar não se sente amado. Então isso não é narcisismo, não é soberba, isso é certeza de que somos amados — e, por sermos amados, somos impulsionados a amar com a mesma intensidade na qual somos amados.”

A partir dessa troca, ficou ainda mais claro para o público que a experiência de se saber amado por Deus não é sinal de vaidade espiritual, mas de maturidade na fé. Francisco também testemunhou que, em suas orações, não busca apenas pedir, mas agradecer — inclusive relatando que, naquele mesmo dia, após concluir uma conquista importante, ajoelhou-se para agradecer a Deus. Padre Fabrício completou dizendo que, muitas vezes, a aparente “demora” de Deus é, na verdade, um tempo de lapidação: “Além dessa ‘demora’ de Deus ir talhando você e lapidando você, Deus sabe o que é melhor para você. A gente acha que sabe; Deus não acha, Ele tem certeza.” Foi a partir dessa inspiração matinal que ele revelou a frase que, segundo contou, Deus havia colocado em seu coração e que pretendia registrar em um reels: “Não precisa você fugir. É no lugar mesmo da sua humilhação que eu vou honrar você. É no lugar mesmo em que aconteceram destruições que eu vou reconstruir a sua vida. Você não precisa fugir; é ali onde você foi desonrado que eu vou exaltar a sua vida.”

Ao ouvir essas palavras, Francisco se emocionou, arrepiado, dizendo que guardaria em off o contexto pessoal que o fez sentir aquilo como uma resposta direta de Deus. A sintonia entre a experiência interior do apresentador e a fala do sacerdote revelou o tom quase profético da participação.

A palavra bíblica também teve espaço de destaque. Com a Bíblia da mãe nas mãos, exibida em câmera, o padre conduziu uma reflexão a partir da imagem do “tesouro em vasos de barro”, presente na Segunda Carta aos Coríntios. “Você sabe que existe um tesouro dentro de você. Esse tesouro foi o próprio Deus que colocou. Ninguém pode furtar, ninguém pode roubar, ninguém pode assaltar. O Deus que está em você é maior do que tudo isso que está diante de você. Então há um tesouro dentro de mim e há um tesouro dentro de você. O vaso é frágil, é vulnerável, mas o tesouro que há em nós dor nenhuma pode tirar, sofrimento nenhum pode tirar, voz humana nenhuma pode roubar. Temos esse tesouro em vasos de barro.” E completou aplicando diretamente ao apresentador: “Dentro de você tem um tesouro, Francisco: um tesouro do amor de Deus, um tesouro do poder de Deus, da sabedoria divina e da misericórdia dos céus. É com esse tesouro que você vai enfrentar, superar, lutar e ultrapassar.”

Ao longo do programa, o sacerdote também falou sobre sua rotina missionária intensa, que o leva a cruzar o estado da Paraíba de ponta a ponta em poucos dias para celebrar missas, pregar, conduzir louvores e momentos de cura e libertação. Ele contou que não se vê tirando férias no sentido tradicional, porque seu “descanso” é justamente fazer missão. Explicou ainda que muitas de suas participações em eventos têm caráter solidário, com arrecadação revertida em cestas básicas, e testemunhou casos concretos de Providência Divina, como o dia em que recebeu em um envelope exatamente o valor necessário para comprar uma cadeira de rodas, uma cama adaptada e um colchão especial para um acamado: “Tudo na minha vida é Providência. Tudo na minha vida é Providência. Deus provê e Deus proverá, e a Sua misericórdia jamais nos faltará.”

Outro ponto forte da entrevista foi a crítica à separação rígida entre fé e vida cotidiana. Padre Fabrício argumentou que não basta ser sinal de Deus apenas dentro da igreja: “Ser sinal de Deus dentro da igreja é muito fácil, dentro da sacristia é muito fácil. Eu quero ver você ser sinal de Deus em áreas desafiadoras: no seu trabalho, nos estudos, na universidade, nas relações sociais, nos círculos onde as conversas às vezes são degradantes. O Evangelho não pode ficar encarcerado; a Palavra de Deus não pode ficar enjaulada. A Palavra de Deus tem que ficar livre para libertar todas as pessoas.” Francisco aproveitou o gancho para reforçar a importância de ser “sal da terra e luz do mundo” em qualquer ambiente, inclusive no podcast, na rua, na sala de aula e na convivência diária, e o padre completou com uma oração pedindo libertação da incoerência e da hipocrisia: “Que Deus nos livre da incoerência e da hipocrisia. Vem, Espírito que é santo, dá-me o teu encanto, traz-me a conversão, faz de mim libertação, transforma tudo o que eu sou e infunde em mim o teu amor.”

Perto do fim, o apresentador pediu uma palavra específica para sua vida enquanto ser humano, e não apenas como podcaster ou doutor. Na resposta, o padre costurou tudo o que vinha dizendo ao longo do programa e entregou uma síntese que se tornou a grande frase da 100ª edição: “Francisco, olhe para mim. Você que está em casa, olhe para mim. Somos atribulados por todos os lados, mas não desanimamos. Somos incompreendidos, perseguidos, hostilizados, preparam armadilhas contra nós, mas jamais seremos derrubados. Muitos viram as costas para nós, muitos nos são insensíveis e até indiferentes. Mas tem alguém maior olhando para você, protegendo você, defendendo você e guiando os seus passos. Por isso você não foi derrotado até aqui. Até aqui a mão do Senhor sustentou você — e ela vai continuar sustentando, amparando e defendendo. Como diz o Salmo: quem cuida de você não dorme. Quem cuida de você não dorme. Em tudo isso, somos mais do que vencedores. Deus mandou lhe dizer que vai acontecer. Deus mandou lhe dizer: tudo vai passar. Força e vitória, meu irmão. Deus está com você. Somos atribulados, mas jamais seremos derrotados.”

Ao encerrar, Francisco lembrou sua própria origem em Conceição, no Vale do Piancó, e ouviu do padre uma confirmação carinhosa: “Lembra de onde você veio e onde você chegou. Lembra de todos os livramentos que você já passou. Hoje você é doutor; nem era para você estar aqui, mas Deus falou assim: ‘Esse aí eu vou levantar. E onde ele colocar a mão, eu vou abençoar’.”

Ao final da gravação, Padre Fabrício ainda entoou, em voz firme e terna, um trecho da canção “Não chore, quem cuida de você não dorme”, reforçando em música a mesma promessa que havia proclamado na palavra. Do outro lado da mesa, Francisco Anderson se emocionou, lembrando de tudo o que já passou até chegar ali, na 100ª edição de um projeto que também é, para ele, prova viva de que quem cuida dele, de fato, não dorme.

Link da Entrevista Completa: