
Na última sexta-feira, 12 de dezembro, às 19h, o podcast Pode Conversar recebeu o advogado Dr. Taciano Fontes, em uma entrevista marcada por reflexões profundas sobre advocacia, justiça, política, tecnologia, sociedade e os rumos do Nordeste. Com quase três décadas de atuação profissional, Taciano apresentou ao público não apenas sua trajetória jurídica, mas também sua visão crítica e humanizada sobre temas centrais da vida pública brasileira.
Logo no início da conversa, o advogado destacou a importância do formato democrático dos podcasts como ferramenta de comunicação direta com a população. “Esse modelo é mais aberto, mais correto, porque dialoga com as pessoas. Quem não pode assistir ao vivo, assiste depois. É uma comunicação que cresce porque é verdadeira”, afirmou.
Natural do Sertão, Taciano relembrou sua formação acadêmica na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, e a decisão de seguir um caminho diferente da maioria de seus colegas de turma, que optaram por concursos públicos. “Eu fiz o caminho inverso. Estava na capital e voltei para o Sertão. Não me arrependo. Aqui estão minhas raízes, minha família, e é aqui que eu gosto de advogar”, disse, ressaltando que a advocacia, apesar das dificuldades, segue sendo uma profissão apaixonante e desafiadora.
Durante a entrevista, um dos pontos centrais foi sua atuação institucional na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), especialmente na luta pela estabilidade da Vara da Família em Patos. Taciano explicou que a alta rotatividade de magistrados vinha comprometendo o andamento dos processos e prejudicando diretamente os jurisdicionados. “Não era só falta de juiz. Era troca constante. Em pouco mais de um ano, passaram oito ou dez juízes pela Vara. Isso é inviável para quem precisa de uma resposta rápida da Justiça”, afirmou. Segundo ele, o impasse foi resolvido após diálogo com o Tribunal, garantindo maior segurança jurídica à população.
Ao tratar das ações de família, o advogado fez uma análise contundente sobre os impactos da morosidade judicial. “Uma Vara da Família que não anda é uma ferida aberta. Muitas vezes, um divórcio que não se resolve gera conflitos que acabam evoluindo para violência doméstica”, alertou, defendendo a cultura do acordo e da mediação como instrumentos de pacificação social.
A entrevista também abordou temas sensíveis, como violência doméstica, saúde mental e o papel do Estado. Taciano foi enfático ao afirmar que agressões contra mulheres são inadmissíveis. “Homem não bate em mulher. Isso é covardia. É cruzar uma linha que não tem volta”, declarou, defendendo medidas mais rigorosas de proteção às vítimas, como tornozeleiras eletrônicas para agressores, acompanhamento psiquiátrico e até o direito à autodefesa em casos extremos.
No campo político, o advogado destacou sua postura independente e avessa a radicalismos. “Injustiça não tem lado. Não importa se é contra Bolsonaro, Lula ou qualquer outro. Um jurista não pode aplaudir a injustiça”, afirmou, lembrando que já atuou profissionalmente em causas de pessoas de diferentes espectros ideológicos quando identificou violações de direitos.
Outro ponto de grande repercussão foi a análise sobre inteligência artificial e seus impactos no mercado de trabalho. Pós-graduando na área pela USP, Taciano explicou que a tecnologia não substituirá completamente o ser humano, mas exigirá adaptação. “A inteligência artificial não vai tirar o emprego de todo mundo, vai tirar o emprego de quem não souber lidar com ela”, disse, comparando a IA a uma ferramenta que otimiza tarefas repetitivas e reduz o esgotamento mental dos profissionais.
Com olhar estratégico, o advogado projetou um futuro promissor para o Nordeste, especialmente na área energética. Segundo ele, a região reúne condições únicas para se tornar um polo global de produção de energia solar e eólica. “O Nordeste pode ser o novo Oriente Médio do mundo, só que com energia limpa. Energia hoje é o maior ativo do planeta”, destacou, citando ainda o potencial para atração de grandes data centers e investimentos tecnológicos.
Na reta final da entrevista, Taciano falou sobre sua presença ativa nas redes sociais e a produção de conteúdos jurídicos acessíveis ao público. “Minha intenção não é captar clientes. É orientar, informar e traduzir o Direito para quem não fala juridiquês”, explicou, destacando o retorno positivo do público e o alcance crescente de seus vídeos.
Ao encerrar, deixou uma mensagem de otimismo e valorização do diálogo. “A informação é o maior vetor de transformação. Onde há pensamento, há progresso”, afirmou, reforçando seu compromisso com a educação, a justiça e o debate público qualificado.
A entrevista com Dr. Taciano Fontes reafirmou o papel do Pode Conversar como espaço plural de escuta, reflexão e construção de ideias, conectando o Sertão às grandes discussões contemporâneas do Brasil e do mundo.
Link da Entrevista: