
Durante uma conversa direta e esclarecedora, a consultora Roberta Trindade trouxe à tona um problema comum entre criadores de conteúdo, comunicadores e profissionais do setor de serviços, a dificuldade de transformar reconhecimento, propósito social e reputação em remuneração justa. A reflexão surgiu a partir da experiência de um podcast que, apesar de consolidado e relevante, ainda enfrenta obstáculos quando o assunto é cobrar por coberturas e trabalhos profissionais.
Segundo Roberta, muitos profissionais confundem o valor da marca com a ausência de preço. Valores como ética, respeito, honestidade, caráter e compromisso social são fundamentais para construir reputação, mas não substituem a necessidade de precificação. Para ela, todo serviço é um produto e todo produto precisa ter nome, regras de venda e preço definido.
A consultora compara o setor de serviços ao comércio tradicional. Assim como um copo, um celular ou um microfone possuem preço, condições de desconto e formas de pagamento, serviços como coberturas jornalísticas, podcasts ou palestras também precisam seguir critérios claros. O erro mais comum, segundo ela, é aceitar trabalhos sem perguntar sobre orçamento, o que elimina qualquer possibilidade de negociação e enfraquece a valorização profissional.
Roberta explica que precificar serviços é mais desafiador por se tratar de algo intangível, mas isso não elimina a necessidade de cálculo. Pelo contrário, exige ainda mais atenção. É preciso considerar todos os custos envolvidos, como energia elétrica, equipamentos, manutenção do espaço, água, café oferecido, deslocamentos, tributos, investimentos em capacitação, compra de livros, tempo de planejamento e até a apresentação pessoal. A forma como o profissional se veste e se apresenta também passa a ser um custo da empresa, pois está diretamente ligada à imagem do negócio.
Outro ponto destacado é o impacto da subvalorização. Ao cobrar barato ou não cobrar, o profissional compromete sua própria renda e reforça a ideia de que seu trabalho vale menos. Para Roberta, qualidade gera custo e custo precisa ser pago. Uma palestra de impacto, por exemplo, exige estudo, preparo, organização e investimento contínuo. Sem retorno financeiro, o negócio se torna insustentável.
A lógica se aplica a qualquer atividade. Do podcast à cobertura de eventos, da consultoria à venda de um produto artesanal, nada é gratuito quando existe custo. Como a própria consultora exemplifica, quem vende um produto precisa comprar a matéria-prima para produzi-lo, portanto, cobrar é uma necessidade, não um excesso.
A mensagem final é clara. A ajuda pontual pode existir, mas não pode ser regra. Todo profissional precisa vender seu trabalho, não apenas oferecer. Definir preço não diminui o valor da marca, ao contrário, fortalece o respeito, a sustentabilidade e a continuidade do negócio.
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