O CEO do Instituto Data Ducks, Eryvelton Lima, avaliou, em entrevista realizada nesta sexta-feira, que o cenário político da Paraíba passou a apresentar contornos mais definidos após o período de desincompatibilização e a consolidação das nominatas partidárias. Ao longo da conversa, ele analisou o reposicionamento de legendas, comentou a composição das chapas para deputado federal e estadual e tratou da disputa majoritária para o Governo do Estado, o Senado e a Presidência da República.

Segundo Lima, a formalização das saídas de gestores de seus cargos para disputar outros postos encerrou uma etapa de especulações e tornou mais objetiva a leitura do cenário. Na entrevista, ele citou a renúncia de Cícero Lucena à Prefeitura de João Pessoa para disputar o governo estadual, a saída de Nabor Wanderley da Prefeitura de Patos para concorrer ao Senado e a desincompatibilização de João Azevêdo do Governo da Paraíba, com a consequente posse de Lucas Ribeiro.

Ao entrar no tema das nominatas, o entrevistado afirmou que o PSB foi um dos partidos mais atingidos pela mudança de ciclo político no estado, após anos à frente do governo. Em sentido oposto, disse que a federação União Progressista, formada por Progressistas e União Brasil, saiu fortalecida do processo.

Na análise da chapa federal da União Progressista, Eryvelton Lima citou Agnaldo Ribeiro, Damião Feliciano, Eliza Virgínia, Emerson Caminhoneiro, Gabriela Silveira, Guga Pet, Helena Holanda, Julia Lemos, Poliana Werton, Ricardo Barbosa e Tarcísio Jardim. Segundo ele, a presença de nomes com mandato, lideranças partidárias e quadros que migraram de outras legendas amplia a força da federação. Na avaliação apresentada durante a entrevista, o grupo tem potencial para conquistar duas vagas na disputa para a Câmara dos Deputados.

Na chapa estadual da mesma federação, ele mencionou nomes como Bosco Carneiro, Ana Lorena, Diego Tavares, Dudu Soares, Eduardo Carneiro, Galego Souza, Gilbertinho, Jane Panta, João Gonçalves, Júnior Araújo, João Paulo II, Lindolfo Pires, Maria Porto, Michel Henrique, Tanilson Soares e Zé Aldemir. Para o entrevistado, a composição reúne nomes com mandato, ex-prefeitos e lideranças regionais, o que faz da União Progressista uma força competitiva também na disputa pela Assembleia Legislativa.

Ao comentar o PSD, Lima disse que o partido integrou uma divisão de tarefas no campo oposicionista, ficando com a nominata para deputado federal, enquanto o MDB concentraria os nomes para deputado estadual. Segundo ele, a chapa federal do PSD reúne Mersinho Lucena, Wellington Roberto, Dr. Jhony, Ramonilson, Germana, João dos Santos, Leila Fonseca, Raony Mendes e Samuel de Paiva. Na avaliação apresentada, os nomes com mandato aparecem em posição mais forte, embora ele também tenha apontado a possibilidade de candidaturas como a de Dr. Jhony ampliarem espaço político após as mudanças de alinhamento.

No MDB, Eryvelton Lima afirmou que a legenda passou a concentrar, no plano estadual, nomes ligados ao grupo de oposição associado a Veneziano Vital do Rêgo. Durante a entrevista, ele citou Ana Cláudia, Carlos Roberto, Camila Toscano, Dinho Dowsley, Fábio Ramalho, Felipe Leitão, Evas Bezerra, Tovar Correia Lima e Victor Hugo. Segundo ele, trata-se de uma nominata com presença de parlamentares e lideranças regionais, montada para dar densidade à chapa estadual do grupo.

O entrevistado também avaliou o desempenho da federação formada por PT, PV e PCdoB. Na chapa federal, ele citou Alessandra, Frei Anastácio, Gabi, Gervásio Maia, Ivonete, Luiz Couto, Marcos Henrique, Maria Priscila, Pedro Matias e Ricardo Coutinho. Segundo sua leitura, o desempenho do grupo dependeria, em parte, da definição sobre a candidatura de Frei Anastácio, já que uma eventual permanência dele na disputa federal poderia alterar o potencial da nominata. Ainda sobre essa federação, Lima indicou que nomes como Ricardo Coutinho, Luiz Couto e Gervásio Maia figuravam entre os mais competitivos no grupo.

Na chapa estadual do campo ligado ao PT, PV e PCdoB, o entrevistado não apresentou uma nominata completa no mesmo nível de detalhamento de outros partidos, mas relacionou o tema ao impacto das definições internas da federação e ao ambiente político vinculado ao campo governista e à influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo de decisão.

Sobre o Podemos, Lima afirmou que o partido aparecia, no momento da entrevista, em uma posição de indefinição política. Segundo ele, a legenda não apresentou, até então, o mesmo grau de clareza demonstrado por outros partidos na montagem de suas estratégias. Na nominata federal, ele citou Romero Rodrigues, Rui Carneiro, Rafafá, Leonardo Gadelha, Sara Cabral, Jacob Maciel e Fabiana Gomes. Na análise apresentada, a falta de definição mais nítida sobre os alinhamentos de lideranças como Romero Rodrigues e Rui Carneiro dificultava a leitura do peso eleitoral do partido.

Ao comparar o Podemos com o Republicanos, o entrevistado afirmou que, em disputas anteriores, o Republicanos demonstrou maior coesão ao sustentar apoio conjunto em diferentes frentes da eleição majoritária. Para ele, esse grau de unidade partidária se converte em vantagem na organização da chapa e na comunicação política.

Na avaliação sobre o PSB, Eryvelton Lima afirmou que a legenda perdeu quadros importantes no processo recente de rearranjo partidário, o que, em seu entendimento, enfraqueceu a nominata federal. Entre os nomes citados nessa composição estão Fábio Tyrone, Zezinho Botafogo, Alexandre Braga, Cris Furtado, Inácio Falcão, Raimundo Carvalho, Lídia Moura, Pedrito, Ribamar e Sargento Cobra. Segundo ele, a legenda ainda preserva nomes conhecidos, mas passou a enfrentar mais dificuldade para alcançar competitividade federal no novo cenário.

No plano estadual, contudo, o entrevistado avaliou que o PSB montou uma chapa mais robusta. Durante a conversa, ele citou Anísio Maia, de Carlos, Cassiano Filho, Chico Mendes, Dr. Levi, Dra. Cléssida, Eduardo Brito, Flavinha, Gabriela Varandas, Nelinho Costa, Raíssa Lacerda, Tenente Viviano, Tibério Limeira e Viviano Paiva. Para Lima, o partido manteve musculatura suficiente para permanecer competitivo na disputa pela Assembleia Legislativa, mesmo após perdas registradas em outras frentes.

O PL também foi apontado como uma das siglas que ganharam nova configuração com a chegada de Efraim Filho. Segundo Eryvelton Lima, o partido passou a reunir uma liderança de projeção majoritária e, ao mesmo tempo, ampliou sua capacidade de organizar chapas proporcionais. Na nominata federal, ele mencionou Cabo Gilberto, George Morais, Alex Monteiro, Ariano Fernandes, Carol Gomes, Gerlanio Gouveia, Gilbran Asfora, Mário Borba e Monique Marinho. Durante a entrevista, observou ainda que havia indefinições sobre a posição final de alguns nomes entre as disputas federal e estadual.

Na chapa estadual do PL, o entrevistado citou Alexandre do Sindicato, André Gomes, Carlão, Célia Dias, Coronel Sobreira, Fábio Lopes, Jéssica Maia, Nilvan Ferreira, Queiroguinha, Sargento Neto, Sargento Rui, Segundo Domiciano, Vitor Ribeiro e Waldo Virgulino. Na avaliação dele, a legenda formou um grupo competitivo, com presença de nomes já conhecidos no eleitorado e lideranças regionais em diversas áreas do estado.

O Republicanos recebeu um dos comentários mais extensos da entrevista. Eryvelton Lima afirmou que se trata do partido mais forte no cenário paraibano atual, tanto pela quantidade de parlamentares quanto pela distribuição de lideranças em diferentes regiões. Na nominata estadual, ele citou Adriano Galdino, Branco Mendes, Caio da Federal, Cicinho Lima, Coronel Fonseca, Daniel do Vale, Dr. Jutay, Felipe Coutinho, Félix Araújo, George Coelho, Leonice Lopes, Luciano Cartaxo, Márcio Roberto, Nilson Lacerda, Nobinho Almeida, Olívia Motta, Wilson Filho e Zezé de Santa Luzia.

Ao comentar nomes específicos do Republicanos, o entrevistado destacou que Luciano Cartaxo, mesmo vindo de uma trajetória ligada a partidos de esquerda, passou a integrar um partido de centro com forte presença estadual. Sobre Nilson Lacerda, afirmou que sua chegada à legenda mantinha coerência com a proximidade política já demonstrada em relação ao grupo de Hugo Motta. Também mencionou Coronel Fonseca como nome de perfil combativo e Zezé de Santa Luzia como liderança regional com base política consolidada.

Na chapa federal do Republicanos, Eryvelton Lima citou Hugo Motta, Capitã Rebeca, Japãozinho, Murilo Galdino, Ranieri Paulino, Tião Gomes e Sandiac. Segundo ele, Hugo Motta segue como principal nome do partido, e a nominata federal do Republicanos mantém potencial competitivo, impulsionada também pelo peso político acumulado pela legenda no estado.

Ao passar para a disputa pelo Senado, o entrevistado afirmou que o quadro permanece aberto e tende a ser decidido em uma disputa apertada. Na análise feita durante a entrevista, João Azevêdo, Nabor Wanderley, Veneziano Vital do Rêgo e Marcelo Queiroga formam o núcleo principal da corrida neste momento.

Sobre Veneziano, Lima afirmou que o senador busca a reeleição em um ambiente que ainda considera pouco definido entre seus próprios aliados. Na avaliação dele, o desenho político em torno da candidatura ainda apresentava indefinições, inclusive na composição da segunda vaga e na articulação regional. Ao comentar esse bloco, ele citou o nome de André Gadelha como parte da construção em curso.

Em relação a Marcelo Queiroga, o entrevistado disse que o ex-ministro aparece como nome consolidado da direita em João Pessoa, especialmente após o desempenho na eleição municipal, mas observou que ainda seria necessário ampliar presença no interior do estado. Também mencionou a falta de definição mais clara sobre a composição da segunda vaga no campo ligado ao PL.

Sobre Nabor Wanderley, Eryvelton Lima afirmou que o pré-candidato reúne força política própria e apoio de prefeitos e lideranças regionais, além de contar com o peso do grupo vinculado a Hugo Motta. Na análise dele, a candidatura de Nabor pode crescer ao longo da disputa, sobretudo fora da capital.

Já sobre João Azevêdo, o entrevistado avaliou que a saída do governo pode produzir algum desgaste natural, mas não a ponto de retirar o ex-governador do centro da disputa. Segundo sua leitura, João permanece competitivo porque deixou o governo com um aliado no comando e porque a continuidade administrativa tende a manter sua influência política.

No cenário para o Governo da Paraíba, Eryvelton Lima afirmou que a disputa também tende a ser equilibrada. Ele citou Cícero Lucena, Lucas Ribeiro e Efraim Filho como os nomes centrais da corrida. Segundo ele, Cícero Lucena chega à disputa com o peso de já ter governado João Pessoa em diferentes ocasiões e com trajetória consolidada na política estadual. Em relação a Lucas Ribeiro, destacou o fato de ter assumido o governo e de herdar uma estrutura administrativa já em funcionamento. Sobre Efraim Filho, observou crescimento político após a ida para o PL e a obtenção de apoios em diferentes municípios.

Ao tratar da Presidência da República, o entrevistado disse que o cenário nacional segue marcado por forte polarização e por um ambiente em que a rejeição do eleitorado tende a influenciar de forma decisiva. Durante a entrevista, citou Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Ciro Gomes, Romeu Zema, Aécio Neves e Augusto Cury entre os nomes mencionados no debate sobre a sucessão presidencial. Segundo ele, o quadro ainda aparece em movimento e com sinais de equilíbrio entre diferentes campos políticos.

Na parte final da entrevista, Eryvelton Lima também comentou o papel do PT na definição da disputa para o Senado na Paraíba. Segundo sua avaliação, a orientação nacional do partido, especialmente a posição do presidente Lula, tende a ter mais peso do que as deliberações estaduais. Nesse contexto, ele voltou a citar Nabor Wanderley, João Azevêdo e Veneziano Vital do Rêgo como nomes presentes no debate sobre apoios e alinhamentos locais.

Ao encerrar a conversa, o CEO do Instituto Data Ducks afirmou que as leituras apresentadas estavam baseadas em observação de cenário, dados de pesquisa e acompanhamento político. Segundo ele, a consolidação das nominatas e das desincompatibilizações tornou o ambiente eleitoral mais claro, mas ainda não eliminou as incertezas em torno das disputas majoritárias e proporcionais na Paraíba.

Entrevista na Integra: