Durante pronunciamento realizado nesta terça-feira na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), o deputado estadual André Gadelha elevou o tom contra o projeto de Parceria Público-Privada (PPP) envolvendo a Cagepa e defendeu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o processo.

Na tribuna, o parlamentar afirmou que já conseguiu dez assinaturas para protocolar a chamada “CPI do Esgoto” e pediu apoio dos demais deputados para atingir o número necessário e aprofundar as investigações sobre a concessão do sistema de esgotamento sanitário em municípios paraibanos.

“Precisamos mostrar de forma transparente e responsável ao povo, principalmente à população de 75 cidades, tudo o que está acontecendo”, declarou.

André Gadelha questionou a justificativa utilizada para a realização da PPP, afirmando que a Cagepa é uma empresa financeiramente consolidada. Segundo ele, a companhia “fatura mais de R$ 100 milhões por mês” e ultrapassa “R$ 1 bilhão por ano”, o que, na visão do deputado, contradiz o discurso de inviabilidade financeira utilizado para defender a parceria com a iniciativa privada. O parlamentar também criticou a contratação de empréstimos bilionários e alegou que a operação estaria sendo construída para beneficiar uma única empresa.

“É um leilão de um personagem só, de uma empresa só”, afirmou.

Em um discurso marcado por metáforas cinematográficas, André Gadelha comparou o caso a produções como “La Casa de Papel” e ao assalto ao Banco Central, afirmando que existe um “filme” sendo montado nos bastidores da política paraibana.

O deputado citou a existência de “quatro personagens”: “o ex”, “o atual”, “o sombra” e “o povo”, que, segundo ele, seria a vítima de todo o processo. Sem citar nomes diretamente, o parlamentar insinuou a participação de lideranças políticas ligadas ao governo estadual e afirmou que uma empresa espanhola interessada na PPP teria histórico de corrupção e pagamento de propina em outros países.

“Tudo isso foi planejado numa véspera de eleição”, disse.

Outro ponto levantado por André Gadelha foi a seleção dos municípios contemplados pelo projeto de saneamento. Segundo ele, cidades que mais necessitam de investimentos em esgotamento sanitário teriam ficado de fora da lista, enquanto municípios com menor demanda foram incluídos.

“Onde as dez cidades que mais precisam de saneamento, apenas duas entram na relação. Já as dez que menos precisam, todas entram”, declarou.

Ao final do pronunciamento, o deputado fez um apelo aos colegas parlamentares para assinarem o requerimento de abertura da CPI.

Para André Gadelha, a Assembleia Legislativa precisa aprofundar a fiscalização sobre o contrato, que prevê duração de 25 anos.

“Uma PPP de um quarto de século. Por que não considerar como uma privatização?”, questionou.