Muito além da música: Samuel Pinto fala sobre legado de Pinto do Acordeon, política em Patos e diz que não é oposição nem situação, “é de posição”
Em entrevista ao Pode Conversar!, o suplente de vereador falou sobre cultura, fiscalização pública, projetos para Patos e articulações para as eleições de 2026. O suplente de vereador Samuel Pinto, filho do saudoso Pinto do Acordeon, participou do programa Pode Conversar! e falou sobre sua trajetória na música, a influência do pai na cultura nordestina e sua atuação na política patoense. Durante a entrevista, ele também fez críticas ao funcionamento da Câmara Municipal de Patos, defendeu maior valorização dos artistas locais e reafirmou apoio a Cícero Lucena para o Governo da Paraíba.
Logo no início da conversa, Samuel relembrou a convivência com Pinto do Acordeon e destacou que a música entrou em sua vida de forma natural. Segundo ele, ainda criança já acompanhava o pai em shows e bastidores, experiência que contribuiu para sua identificação com o palco, o forró e a percussão. “A música surgiu de forma natural. A gente acompanhava nosso pai nos shows. Eu recém-nascido não tinha onde dormir, dormia dentro da caixa da sanfona esperando papai tocar para a gente poder ir para casa”, contou.
Samuel também ressaltou a dimensão artística de Pinto do Acordeon, a quem definiu como cantor, compositor, acordeonista e uma referência completa da cultura nordestina. Ele lembrou ainda a relação do pai com a política, especialmente por meio da produção de jingles e da atuação como vereador em João Pessoa. De acordo com Samuel, a ligação de Pinto do Acordeon com lideranças políticas da Paraíba começou ainda no início da carreira artística. Ele citou o ex-governador Wilson Braga como uma figura importante nessa trajetória e afirmou que a primeira sanfona do pai teria sido adquirida com apoio dele.
Ao falar sobre sua própria caminhada política, Samuel avaliou a campanha de 2024, quando disputou uma vaga na Câmara Municipal de Patos e obteve 862 votos. Para ele, o resultado demonstrou que ainda é possível fazer política com propostas e presença junto à população. “Eu senti no olhar das pessoas a necessidade de um representante que viesse com essa bagagem da valorização da cultura, das ações sociais, do respeito ao contribuinte e, acima de tudo, com honestidade”, afirmou.
Samuel disse que pretende disputar novamente uma vaga em 2028 e afirmou acreditar que pode ampliar sua votação. Segundo ele, muitos eleitores teriam demonstrado arrependimento por não terem apoiado seu projeto político na eleição anterior. Durante a entrevista, o suplente também comentou projetos que tentou apresentar ou defender durante sua passagem pela Câmara. Entre eles, citou uma proposta voltada à cultura viva, com foco na valorização de quadrilhas juninas, mestres de capoeira, artistas da terra e manifestações de matriz africana. Ele também defendeu a criação de um teto mínimo mais digno para cachês de artistas locais, especialmente no período junino.
Samuel ainda mencionou a tentativa de implantar ensino bilíngue na rede municipal, com aulas de inglês e espanhol para estudantes de Patos. Na avaliação dele, a medida ajudaria a preparar crianças da rede pública para o mercado de trabalho. Em tom crítico, Samuel afirmou que pretende intensificar a fiscalização sobre atos públicos, mesmo sem mandato. Ele disse que continuará acompanhando demandas da população, especialmente nas áreas de infraestrutura urbana e serviços públicos. “Você que está me ouvindo de casa, que tem sua rua esburacada, que paga seu IPTU, chegue a mim. Eu vou buscar isso. Eu sei as ferramentas de buscar o direito de vocês”, declarou.
Questionado sobre sua permanência no PSB, Samuel indicou insatisfação com a sigla em Patos. Segundo ele, seu futuro partidário dependerá de diálogo e abertura política. “A gente fica onde é escutado, onde tem portas abertas para sentar e conversar”, afirmou.
No cenário estadual, Samuel confirmou apoio a Cícero Lucena para governador e a Nabô Wanderley para o Senado. Ele também declarou apoio a Murilo Galdino para deputado federal e citou Cicinho Lima como seu nome para deputado estadual. Sobre Cícero, Samuel afirmou que sua escolha foi baseada na experiência administrativa do ex-prefeito de João Pessoa. Ele destacou obras, ações na saúde, educação, mobilidade urbana e segurança alimentar como pontos que, segundo ele, credenciam Cícero para disputar o Governo do Estado. “Cícero Lucena está aqui porque plantou para colher. Ele sabe conduzir com excelência a verdadeira política do nosso estado”, disse.
Samuel também afirmou que se considera um político de “posição”, e não necessariamente de situação ou oposição. Para ele, a polarização entre direita e esquerda prejudica o debate público. “Eu não sou nem oposição, nem situação. Eu tenho posicionamento público. Onde eu vir que o gestor está habilitado para conduzir com respeito o povo e administrar com ética, eu sou daquele lado”, declarou.
A entrevista também teve um momento simbólico. Ao final, Samuel presenteou o apresentador Francisco com um chapéu que pertenceu a Pinto do Acordeon. O objeto, segundo ele, foi usado pelo pai em shows e documentários. Samuel encerrou a participação agradecendo o espaço e reforçando que sua postura política, embora firme, tem como objetivo defender a população de Patos. “Meu entendimento é lutar pelo povo do município. É fazer o melhor”, concluiu.