O presidente da Câmara Municipal de Conceição, Fidelis Rodrigues de Luna, conhecido popularmente como Fidelis de Doca, foi o entrevistado do quadro Voz e Representação, do podcast Pode Conversar. Durante a conversa, conduzida pelo comunicador Francisco Anderson, Fidelis fez um amplo relato sobre sua história pessoal e política, apresentou um balanço das ações realizadas à frente do Poder Legislativo, respondeu a questionamentos sobre temas administrativos e revelou suas perspectivas para as eleições de 2026 e 2028.

Atualmente no terceiro mandato como vereador e no terceiro período consecutivo exercendo a presidência da Câmara Municipal, Fidelis afirmou que sua entrada na política não nasceu inicialmente de um projeto pessoal. Segundo ele, tudo começou com o desejo de concretizar um sonho do irmão, Fabiano, que tentou disputar uma vaga no Legislativo de Conceição em 2012, mas teve a candidatura impugnada por questões judiciais.

Naquele processo eleitoral, o trabalho político iniciado por Fabiano acabou sendo direcionado para a candidatura de Flávio Mangueira, filho do ex-vereador Nonato Belmiro. A decisão, conforme relatado por Fidelis, representou uma forma de retribuir o apoio que Nonato havia demonstrado quando Fabiano apresentou o desejo de entrar na política. Flávio terminou aquela eleição como o segundo vereador mais votado de Conceição, resultado que, para Fidelis, demonstrou a força do trabalho realizado pelo irmão.

Depois daquele momento, Fabiano passou a incentivar Fidelis a assumir a missão de representar politicamente a família e as pessoas que acompanhavam o trabalho social desenvolvido por ele. Sem experiência partidária ou atuação anterior em campanhas, Fidelis iniciou sua caminhada eleitoral em 2016. Durante as visitas que fazia ao irmão, recebia cartas destinadas a amigos e apoiadores, que passaram a ser entregues pessoalmente nas comunidades e residências do município.

Foi nesse contato direto com os moradores que Fidelis começou a compreender a dinâmica da política local. O que inicialmente era apenas o cumprimento de uma missão familiar acabou se transformando em identificação com a atividade pública. Na primeira disputa, em 2016, conquistou 589 votos e ficou na quarta colocação geral entre os candidatos a vereador de Conceição. Ele recordou que, durante a campanha, algumas pessoas chegaram a afirmar que dificilmente alcançaria uma votação expressiva sem a presença do irmão. Em vez de desanimá-lo, as avaliações aumentaram sua disposição para trabalhar.

Os primeiros anos na Câmara foram definidos por Fidelis como um período de aprendizado. Mais reservado e com pouca experiência legislativa, ele passou a observar vereadores mais antigos para entender a elaboração de requerimentos, a apresentação de pedidos de providências e o funcionamento das sessões. Com o passar do tempo, ganhou desenvoltura e ampliou sua presença nas discussões do Legislativo.

Na eleição de 2020, Fidelis conseguiu renovar o mandato com 720 votos, ficando em segundo lugar na classificação geral. O resultado fortaleceu sua posição dentro do grupo político e abriu o caminho para a primeira eleição à presidência da Câmara Municipal.

A disputa pelo comando da Casa começou ainda no final de 2020, quando diferentes nomes passaram a ser discutidos entre os vereadores eleitos. No grupo político de Fidelis, chegaram a colocar as candidaturas de Roberto Chicó, Valdemir Berto, Luan e do próprio Fidelis. Roberto foi o primeiro a retirar o nome e declarar apoio. Posteriormente, Valdemir também desistiu da disputa. No dia da eleição, Luan retirou a candidatura e Fidelis foi eleito com seis votos.

Na eleição para o segundo biênio, realizada em novembro de 2022, Fidelis ampliou sua base e alcançou oito votos, incluindo o apoio de parlamentares que haviam sido eleitos pela oposição. Já para o atual mandato na presidência, foi escolhido por unanimidade, recebendo os votos dos 11 vereadores da Câmara Municipal.

Para Fidelis, o resultado representou mais do que uma articulação política bem-sucedida. Ele avaliou que a unanimidade foi consequência da confiança construída ao longo dos anos e do respeito mantido com todos os integrantes da Casa, independentemente de posição partidária. O presidente afirmou considerar a votação unânime um dos principais reconhecimentos de sua trajetória pública.

Durante a entrevista, Fidelis também foi questionado sobre as declarações feitas pelo prefeito Samuel Lacerda contra o vereador Ninha do Videl durante uma participação em uma emissora de rádio. O episódio provocou repercussão política em Conceição e gerou manifestações de solidariedade ao parlamentar.

Fidelis reconheceu que o prefeito se excedeu nas palavras e declarou não concordar com a forma como Ninha foi tratado. De acordo com o presidente, os vereadores e os demais integrantes da Câmara se solidarizaram com o colega. Ele ponderou, entretanto, que Samuel voltou atrás e pediu desculpas publicamente, por telefone, durante a programação da própria emissora.

Na avaliação de Fidelis, o reconhecimento do erro e o pedido público de desculpas representaram um gesto de grandeza por parte do prefeito. O presidente ressaltou que a crítica havia sido direcionada especificamente ao vereador e não ao Poder Legislativo como instituição, mas reforçou que não concordava com o tom utilizado inicialmente.

Ao apresentar o balanço de sua gestão, Fidelis informou que quatro prestações de contas referentes aos períodos em que esteve à frente da Câmara já haviam sido aprovadas. Sobre as contas de 2025, afirmou que havia sido emitido parecer favorável pelo Ministério Público de Contas, vinculado ao Tribunal de Contas do Estado da Paraíba. A análise ainda precisava cumprir as demais etapas formais, mas o presidente demonstrou confiança em uma nova aprovação.

Entre as ações administrativas, ele destacou que a Câmara Municipal de Conceição foi o primeiro prédio público do município a receber um sistema de geração de energia solar. A instalação possibilitou a ampliação da climatização do prédio, com aparelhos de ar-condicionado distribuídos pelos diferentes ambientes.

A gestão também realizou a compra de computadores, impressoras, cadeiras e móveis destinados aos gabinetes parlamentares, à secretaria, ao plenário e ao auditório. Foram construídas três novas salas, incluindo um espaço destinado ao arquivo permanente da Câmara. Antes da intervenção, parte da documentação precisava ser armazenada em uma sala cedida pela Prefeitura.

Outra medida foi a construção de banheiros masculinos e femininos com acessibilidade, disponibilizados não apenas para os frequentadores da Câmara, mas também para as pessoas que circulam pelo centro da cidade. O prédio está localizado em uma área movimentada, próxima a instituições como o Banco do Brasil e o Departamento Estadual de Trânsito.

Na lateral do imóvel, foi produzida uma pintura em homenagem à cantora paraibana Elba Ramalho. Segundo Fidelis, a intervenção se transformou em um ponto de visitação, especialmente para conceiçãoenses que moram em outras cidades e retornam ao município.

A modernização administrativa incluiu ainda a implantação do sistema eletrônico de votação e a digitalização dos documentos da Câmara. O presidente afirmou que os procedimentos legislativos passaram a ser realizados e armazenados de forma digital, ampliando a organização e o acesso às informações. A Câmara também adquiriu uma Fiat Strada de cabine dupla, uma Chevrolet Spin de sete lugares e uma motocicleta Honda Bros. Os veículos são utilizados em atividades administrativas e no envio de documentos e ofícios.

Entre os principais feitos, Fidelis destacou a realização do primeiro concurso público da história da Câmara Municipal de Conceição. Os candidatos aprovados dentro do número inicial de vagas já foram convocados. Durante a entrevista, o presidente revelou que existe a possibilidade de uma nova convocação de pessoas que permanecem na lista de espera, embora não tenha apresentado uma data definitiva para a medida.

Fidelis também relatou a realização de capacitações destinadas aos vereadores, servidores efetivos, comissionados e prestadores de serviços. A gestão promoveu ainda a restauração e a padronização das galerias com fotografias das legislaturas anteriores, buscando preservar a memória institucional da Câmara.

Outra iniciativa foi a criação de uma verba indenizatória destinada ao exercício da atividade parlamentar. Conforme explicou, os vereadores precisam apresentar mensalmente os comprovantes das despesas realizadas. A documentação é digitalizada e os valores ficam disponíveis para consulta no Portal da Transparência.

Mais recentemente, a Câmara implantou uma ouvidoria e um gabinete digital. Por meio de um número de WhatsApp, a população pode encaminhar reivindicações, sugestões e solicitações diretamente para os vereadores ou para o setor administrativo. Fidelis acredita que a ferramenta poderá ampliar a participação popular e aproximar o Legislativo dos moradores.

Sobre o andamento das matérias, o presidente declarou que os requerimentos e pedidos de providências são encaminhados sem atraso. Em alguns casos, quando existe previsão regimental, ele próprio realiza o deferimento e determina o envio imediato ao órgão responsável.

Nos projetos de lei encaminhados em regime de urgência, pode ser solicitada a dispensa da tramitação pelas comissões. Fidelis explicou que a medida precisa ser aprovada em plenário e é adotada quando a espera pelas reuniões ordinárias das comissões poderia comprometer a finalidade da proposta. Segundo ele, os vereadores recebem antecipadamente as cópias dos projetos e contam com o auxílio da assessoria jurídica da Casa.

A possibilidade de realização de sessões remotas também continua sendo utilizada, especialmente durante períodos de recesso ou diante da necessidade de convocação extraordinária. Para Fidelis, o modelo remoto foi uma das práticas adotadas durante a pandemia que permaneceram úteis ao funcionamento do Legislativo.

Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi o relato sobre o projeto “Flores em Vida – Memórias Vivas do Legislativo de Conceição”. A iniciativa prestou homenagens a 48 ex-vereadores do município ainda em vida e ganhou repercussão dentro e fora da Paraíba. A ideia surgiu depois que a família de um ex-parlamentar falecido recusou a realização da tradicional homenagem póstuma na Câmara. Na ocasião, os familiares afirmaram que o Legislativo nunca havia lembrado do ex-vereador enquanto ele estava vivo e somente procurou homenageá-lo depois de sua morte.

A declaração permaneceu na memória de Fidelis e motivou a realização de uma solenidade voltada aos antigos representantes do município. O evento reuniu ex-vereadores, ex-presidentes da Câmara, antigos gestores e familiares. Entre os homenageados estavam pessoas que exerceram longos mandatos e outras que permaneceram poucos dias ou meses no cargo.

Um dos momentos de maior simbolismo foi a participação de Nonato Belmiro, então com 96 anos, que voltou a presidir simbolicamente uma sessão da Câmara. Também participaram nomes como Rita de Cássia, Geraldo de Dedé, Flávio Mangueira, Nilson Lacerda, Nena Martins, João Pedro Furtado, Samuel Lacerda e outros antigos integrantes do Legislativo.

Fidelis contou que presidentes de câmaras municipais de diferentes estados entraram em contato para solicitar informações, cópias do decreto e detalhes da organização. Segundo ele, as pesquisas realizadas posteriormente não encontraram outra homenagem com as mesmas características e proporções.

Outro tema abordado foi o concurso público da Prefeitura de Conceição. Fidelis comentou as dificuldades inicialmente enfrentadas pelos candidatos para solicitar a devolução das taxas de inscrição do certame anterior. Ele afirmou que o procedimento foi posteriormente retificado.

Sobre a visita do Conselho Regional de Enfermagem da Paraíba ao município, motivada por questionamentos envolvendo a remuneração prevista para os técnicos de enfermagem, Fidelis disse que ainda não conhecia todos os detalhes. O presidente manifestou confiança de que a comissão organizadora e a assessoria jurídica da Prefeitura analisariam a situação e realizariam eventuais ajustes necessários.

Ele acrescentou que os projetos encaminhados à Câmara relacionados ao concurso, incluindo a criação de cargos e a ampliação de vagas, foram aprovados por unanimidade. Para Fidelis, a realização de concurso público fortalece a administração e garante maior independência profissional aos servidores aprovados.

No campo político, Fidelis confirmou que permanece integrado ao grupo liderado pelo prefeito Samuel Lacerda. Para as eleições de 2026, afirmou que acompanhará os candidatos apoiados pelo gestor municipal.

Questionado sobre a decisão de Samuel de não apoiar João Azevêdo para o Senado, apesar das obras estaduais realizadas em Conceição, Fidelis argumentou que o prefeito continua ligado ao mesmo projeto político ao apoiar Lucas Ribeiro para o Governo da Paraíba. Também destacou as contribuições de Veneziano Vital do Rêgo, Nabor Wanderley e Hugo Motta para o município.

O presidente avaliou como natural a possibilidade de diferentes grupos políticos de Conceição dividirem o mesmo palanque estadual. Na visão dele, quando uma aliança ou projeto oferece benefícios para o município, não deve existir impedimento para que adversários locais defendam uma mesma candidatura estadual.

Fidelis também declarou ser favorável ao chamado voto cruzado, quando o eleitor escolhe candidatos de grupos diferentes para cargos distintos. Ele afirmou que o eleitor tem liberdade para fazer suas escolhas e que não considera correto rejeitar o apoio de uma pessoa apenas porque ela não vota em todos os integrantes da mesma chapa.

Ao falar sobre as eleições municipais de 2028, Fidelis admitiu que sonha em ser prefeito de Conceição. Ele ressaltou, porém, que não estava lançando uma pré-candidatura e que qualquer decisão dependerá da avaliação do grupo político liderado por Samuel Lacerda.

O presidente disse ficar satisfeito ao perceber que seu nome é mencionado por moradores como uma possível alternativa para a disputa majoritária. No entanto, lembrou que o grupo possui outros nomes e que uma candidatura precisa ser construída de forma coletiva.

Fidelis também descartou, nas condições políticas atuais, a possibilidade de deixar a base de Samuel para compor como vice-prefeito em uma chapa vinculada ao grupo de Alexandre Braga. Ele afirmou confiar no grupo do qual faz parte e disse não se enxergar, neste momento, fora do projeto liderado pelo atual prefeito.

Ao ser questionado sobre uma possível composição envolvendo o deputado estadual Nilson Lacerda, Fidelis voltou a afirmar que sua permanência no grupo de Samuel é o ponto central de qualquer discussão. Para ele, uma aproximação dependeria de mudanças na própria organização dos grupos políticos.

Apesar de admitir o sonho de concorrer à Prefeitura, Fidelis declarou que, no cenário atual, sua candidatura considerada certa é para mais um mandato de vereador. Caso o grupo entenda que seu nome reúne condições para disputar a Prefeitura ou a Vice-Prefeitura, ele afirmou que aceitará participar da discussão.
A sucessão na presidência da Câmara Municipal também foi tratada na entrevista. Por estar no terceiro mandato consecutivo à frente da Casa, Fidelis informou que não poderá concorrer novamente. Ele afirmou que orientou os vereadores de sua base a iniciarem as articulações e apresentarem seus nomes.

Embora tenha evitado declarar uma decisão definitiva, Fidelis revelou que existe uma tendência de votar em Valdemir Berto. A preferência estaria relacionada ao fato de Valdemir ter retirado sua candidatura em três eleições anteriores para apoiar Fidelis.

O presidente classificou o possível voto como um gesto de gratidão, mas ressaltou que as discussões ainda estão abertas. Segundo ele, serão necessárias reuniões entre os vereadores e o prefeito para a construção de um consenso dentro da base.

Outros nomes também circulam nas articulações, incluindo Pedro Lacerda, Jussie e a vereadora Delvani, que alcançou uma votação expressiva nas eleições municipais. Fidelis afirmou que todos os 11 vereadores possuem legitimidade para disputar o cargo e defendeu que o próximo presidente realize uma gestão ainda melhor.

“Eu vou fazer um pedido a quem for o presidente: que faça melhor do que eu. A Câmara merece e Conceição merece”, declarou.

Sobre a convivência entre os parlamentares, Fidelis afirmou que os debates podem elevar o tom durante as sessões, mas garantiu que os conflitos são resolvidos por meio do diálogo. Segundo ele, nunca ocorreu uma situação em que os vereadores deixassem o plenário sem restabelecer uma convivência respeitosa.

O presidente também elogiou a postura da oposição. Para Fidelis, os vereadores oposicionistas não criam obstáculos automáticos aos projetos encaminhados pelo Poder Executivo. Ele afirmou que as propostas consideradas positivas para Conceição costumam receber o apoio dos diferentes grupos.

Ao final da conversa, Fidelis voltou a destacar a importância do irmão Fabiano em sua trajetória. Ele o classificou como o alicerce de sua vida política e afirmou que, mesmo na terceira campanha, encontrou eleitores que declararam apoio em reconhecimento aos serviços prestados por Fabiano.

Embora reconheça que passou a construir o próprio caminho e a desenvolver seu trabalho parlamentar, Fidelis considera que a influência do irmão permanece presente. Segundo ele, é difícil encontrar uma residência em Conceição onde Fabiano não tenha realizado algum tipo de serviço ou ajudado uma família.

Questionado sobre o maior orgulho de sua passagem pela presidência, Fidelis citou os investimentos na estrutura física, a aquisição dos veículos, a melhoria das transmissões das sessões e a modernização administrativa. Apesar disso, afirmou que sua maior satisfação é ter conseguido manter uma relação de respeito e harmonia com os demais vereadores.

A entrevista terminou com Fidelis agradecendo o espaço e colocando-se à disposição para retornar ao Pode Conversar à medida que novos fatos políticos surgirem. Como principal novidade administrativa, voltou a mencionar a possibilidade de convocar outros candidatos aprovados no concurso público da Câmara, inclusive até o final do ano, dependendo das condições e necessidades da instituição.

Entre lembranças familiares, realizações administrativas e projeções eleitorais, Fidelis de Doca apresentou uma trajetória marcada pela transformação de um compromisso assumido com o irmão em um projeto próprio de atuação pública. Sem oficializar uma candidatura majoritária, deixou claro que pretende continuar na política, buscar um novo mandato de vereador e participar das decisões que definirão os próximos capítulos da política de Conceição.

Entrevista Completa: