Criador do Observatório da Descoberta Local analisa o comportamento dos consumidores e explica como avaliações, fotos e informações atualizadas influenciam as escolhas feitas no Google

A forma como consumidores encontram e escolhem empresas e profissionais foi o tema da entrevista com Gil Tomaz no Pode Conversar!. Formado em Direito, natural de Sousa e criador do Observatório da Descoberta Local (ODL), ele apresentou dados sobre o comportamento de busca em Patos e alertou para a importância de uma presença digital bem estruturada.

O ODL surgiu do interesse de Gil em compreender como as pessoas tomam decisões diante de uma necessidade cotidiana, como procurar um médico, escolher um restaurante ou encontrar uma farmácia. A iniciativa analisa o que os consumidores pesquisam, quais empresas aparecem nos resultados e se os perfis encontrados transmitem confiança.

“Eu precisava descobrir como as pessoas encontram empresas e profissionais quando se deparam com um problema. Como escolhem um dentista ou um restaurante? Como funciona essa psicologia da escolha?”, explicou.

A primeira edição do levantamento foi dedicada às farmácias. A segunda, já em fase de diagramação, aborda o setor de restaurantes. De acordo com os dados apresentados por Gil, a expressão “restaurante em Patos PB” registra, em média, 1,3 mil buscas mensais no Google.

Para ele, o número demonstra que há uma demanda significativa, inclusive entre moradores que desejam conhecer novos estabelecimentos e visitantes que chegam à cidade sem referências pessoais. Nessas situações, avaliações, fotografias, horário de funcionamento, localização e formas de contato podem ser decisivos.

“A indicação continua muito importante, mas hoje ela passa por uma segunda camada, que é a confirmação. A pessoa recebe a indicação e vai ao Google conferir as avaliações, as fotos e as informações daquele profissional ou negócio”, afirmou.

Avaliações ajudam a construir confiança

Entre os principais fatores para melhorar o posicionamento de uma empresa nas buscas, Gil destacou a criação e a atualização do perfil no Google. Segundo ele, o cadastro é gratuito e pode reunir informações como endereço, horário de atendimento, telefone, WhatsApp, fotografias, cardápio e publicações.

As avaliações dos clientes também ocupam papel central. O especialista orienta empresários e profissionais a solicitarem esse retorno de quem já utilizou seus serviços, além de responderem tanto aos elogios quanto às críticas.

“A avaliação é o ouro do negócio. Se chegar uma avaliação negativa, ela pode ser uma oportunidade para apresentar seu ponto de vista, pedir desculpas e mostrar que o problema será resolvido”, pontuou.

Na avaliação de Gil, manter o perfil ativo ajuda a demonstrar que o estabelecimento funciona e acompanha a experiência de seus consumidores. Fotos recentes, publicações periódicas e respostas personalizadas reforçam essa percepção.

“Não basta aparecer, tem que convencer. Quem pesquisar por você precisa encontrar informações que transmitam confiança”, resumiu.

Observatório analisa realidade dos negócios locais

O trabalho do Observatório da Descoberta Local consiste em verificar o que os consumidores estão buscando em Patos, quais estabelecimentos aparecem e de que maneira são apresentados nos resultados.

Gil propõe que empresários façam uma experiência simples: pesquisem pelo serviço ou produto oferecido, sem utilizar o nome da própria empresa. Em seguida, devem observar se aparecem nos resultados e se o conteúdo disponível representa a qualidade do negócio no mundo físico.

Segundo ele, o ODL já encontrou empresas tradicionais da cidade com perfis desatualizados ou abandonados. O problema pode afastar visitantes, estudantes, turistas e pessoas que chegam a Patos sem conhecer os estabelecimentos locais.

O levantamento sobre farmácias, conforme apresentado na entrevista, identificou um crescimento de 267% nas buscas pela expressão “farmácia perto de mim” no período de um ano. O dado indica que o consumidor nem sempre procura uma marca específica, mas o estabelecimento capaz de atender à sua necessidade com rapidez e proximidade.

“No Google, visibilidade não é vaidade, é questão de acesso. Se você não aparece, quem aparecer será escolhido, e não necessariamente será a melhor empresa ou o melhor profissional da cidade”, observou.

Inteligência artificial deve auxiliar, não decidir

A inteligência artificial também foi abordada durante a conversa. Gil considera que essas ferramentas já participam do processo de escolha dos consumidores, mas defende que sejam utilizadas como apoio, com supervisão e senso crítico.

“A inteligência artificial não veio para substituir a decisão humana. Ela veio para nos auxiliar e complementar. O ator principal precisa continuar sendo o ser humano”, ressaltou.

Para o criador do ODL, as tecnologias podem mudar, mas a necessidade das pessoas permanece: encontrar alguém em quem possam confiar para resolver um problema. Por isso, empresas e profissionais devem cuidar das informações disponíveis tanto nos mecanismos de busca quanto nas redes sociais e nos canais de atendimento.

Gil também diferenciou o papel dessas plataformas. Enquanto Instagram e Facebook são voltados principalmente ao relacionamento e à descoberta de conteúdos, o Google costuma ser acessado quando o usuário já procura um produto ou serviço. O WhatsApp Business, por sua vez, facilita o atendimento e a continuidade do contato.

“O Observatório não estuda apenas o Google ou a inteligência artificial. Nós estudamos pessoas. No final das contas, o consumidor quer saber em quem pode confiar para resolver seu problema”, concluiu.

Gil Tomaz compartilha orientações sobre posicionamento digital no Instagram, pelo perfil @giltomaz1, onde também disponibiliza contato para empresas interessadas em receber um diagnóstico sobre sua presença nas buscas locais.

Entrevista Completa: