Na noite da última sexta-feira, 17 de abril, às 19h, o podcast Pode Conversar recebeu novamente o humorista e criador de conteúdo Juliano Dub, conhecido nacionalmente pelo personagem “Major de 10 anos”. Em um bate-papo descontraído, marcado por histórias, reflexões e bastidores do universo digital, Juliano voltou ao programa após sua primeira participação em 2024 e comentou as mudanças em sua trajetória, os desafios de produzir humor na internet e os novos caminhos que vem explorando em seu trabalho.

Logo no início da entrevista, Juliano destacou a evolução da estrutura do programa e elogiou o crescimento do projeto conduzido por Francisco. O convidado lembrou da primeira vez em que participou do podcast e ressaltou como o ambiente está mais moderno e mais preparado, associando essa mudança ao esforço e à dedicação colocados no trabalho. Ao longo da conversa, o humorista também relembrou que, depois da entrevista anterior, conquistou novos espaços, incluindo uma participação em emissora de televisão, algo que, segundo ele, ajudou a ampliar ainda mais a visibilidade do seu trabalho.

Um dos pontos centrais da entrevista foi a transformação no processo de criação de conteúdo. Juliano explicou que uma das mudanças mais significativas dos últimos tempos foi a incorporação da inteligência artificial em suas produções. Segundo ele, embora a tecnologia já existisse quando esteve no programa pela primeira vez, hoje ela se tornou muito mais acessível e útil para a construção de novos cenários, histórias e possibilidades narrativas dentro do universo do “Major de 10 anos”. Ele afirmou que a inteligência artificial vem sendo usada com sabedoria e que essa ferramenta tem ajudado bastante o canal, inclusive abrindo espaço para novos projetos que ainda estão em fase inicial.

Juliano também falou sobre as mudanças no comportamento do público nas redes sociais. De acordo com ele, os vídeos mais longos, que antes funcionavam melhor, hoje disputam espaço com formatos rápidos e diretos. Ele lembrou que, no início, chegou a apostar em conteúdos mais extensos, com histórias em formato de minisséries, mas explicou que o público mais jovem atualmente prefere vídeos curtos, com duração de um a dois minutos, consumindo conteúdo de forma mais imediata. Essa adaptação, segundo o humorista, passou a ser necessária para manter o alcance e dialogar com os novos hábitos de consumo nas plataformas digitais.

Ao revisitar os personagens que marcaram sua trajetória, Juliano relembrou figuras como Zé Mulambo, Nego Cecel, Chorinho e outros nomes que fazem parte do imaginário de quem acompanha seu trabalho há anos. Durante a conversa, ele explicou que muitos desses personagens nasceram da observação cotidiana, das conversas em mesa de bar, das gírias populares e de experiências vividas ao longo da juventude. Para ele, o universo do “Major de 10 anos” é, em grande parte, um retrato bem-humorado de situações, tipos e falas presentes na vida real, especialmente no interior nordestino.

A entrevista também abriu espaço para uma reflexão sobre os limites do humor na atualidade. Juliano afirmou que produzir conteúdo humorístico se tornou mais delicado, não apenas pelas regras das plataformas, mas também pela sensibilidade crescente do público. Segundo ele, comentários críticos e tentativas de enquadrar determinadas piadas em discussões mais rígidas são cada vez mais frequentes, o que exige do criador de conteúdo mais cuidado e resistência emocional para seguir produzindo. Mesmo assim, ele reforçou que seu objetivo não é atacar pessoas, mas trabalhar o humor com espontaneidade e, no máximo, inserir críticas sociais pontuais dentro das histórias.

Outro tema importante abordado foi a monetização e a realidade financeira de quem trabalha com internet. Juliano deixou claro que, ao contrário do que muita gente imagina, nem sempre o número de seguidores se converte diretamente em renda. Ele explicou que, atualmente, suas principais fontes de receita vêm do YouTube e da produção de vídeos personalizados, feitos sob encomenda para pessoas e pequenos negócios. Ao mesmo tempo, ressaltou que plataformas como o Instagram funcionam mais como vitrine e meio de divulgação do que como fonte direta de retorno financeiro.

Ao comentar sobre as dificuldades da carreira, o humorista falou sobre a busca por parcerias, a instabilidade dos ganhos nas redes e os desafios técnicos para manter a qualidade das produções. Também relatou situações envolvendo plágio de conteúdo e uso indevido de sua marca, além de punições sofridas em plataformas por conta de cenas geradas com inteligência artificial ou pelo uso de referências audiovisuais associadas a grandes estúdios. Mesmo diante dessas dificuldades, Juliano mostrou confiança na continuidade do seu trabalho e disse que já aprendeu a lidar com os obstáculos ao longo dos anos.

A entrevista foi marcada ainda por momentos de descontração, especialmente quando Juliano contou histórias envolvendo personagens inspirados em pessoas reais e relembrou episódios curiosos que cercam suas produções. Em meio ao tom leve da conversa, ele também revelou que está preparando novos conteúdos, entre eles uma nova minissérie e possíveis projetos futuros ligados à inteligência artificial, embora tenha preferido não adiantar muitos detalhes.

Ao final, Juliano deixou uma mensagem de incentivo para quem deseja começar a produzir conteúdo para internet. Ele destacou que persistência e força de vontade são fundamentais, lembrando que nem toda trajetória é feita apenas de facilidades. Para ele, seguir em frente, mesmo diante das dificuldades, continua sendo o principal caminho para quem deseja transformar talento em resultado.

Confira a Entrevista na Integra: