Em entrevista ao Pode Conversar!, a oftalmologista falou sobre sinais de alerta, doenças silenciosas, uso excessivo de telas, cuidados com crianças e riscos da automedicação com colírios. A saúde dos olhos ainda costuma ser lembrada por muitas pessoas apenas quando surge a necessidade de trocar os óculos. Para a oftalmologista Dra. Hethma Carvalho, esse é um dos principais equívocos da população. Em entrevista ao quadro Voz e Representação, do Pode Conversar!, ela reforçou que a consulta oftalmológica vai muito além da prescrição de grau e pode ser decisiva para identificar doenças silenciosas, como glaucoma, alterações na retina e complicações associadas ao diabetes e à hipertensão.

Logo no início da conversa, a médica explicou que escolheu a medicina como forma de ajudar o próximo e que a oftalmologia entrou em sua trajetória também por influência familiar. Filha de médico e com tios oftalmologistas, ela afirmou que cresceu observando o cuidado no atendimento aos pacientes. “Foi a partir desse amor, dessa troca, dessa possibilidade de olhar no olho da outra pessoa e poder ajudar, que eu pensei: eu quero ser assim”, relatou.

Ao falar sobre os sinais que indicam a necessidade de procurar atendimento com urgência, Dra. Hethma citou dor, ardor, vermelhidão, embaçamento e qualquer mudança percebida na visão. No entanto, ela destacou que nem sempre os problemas aparecem de forma evidente. Há casos em que o paciente procura o consultório apenas para trocar os óculos e acaba descobrindo alterações importantes. “Não tem como a gente saber sem examinar. A gente precisa examinar, não tem para onde correr”, afirmou.

Entre os problemas mais comuns que chegam ao consultório, a médica citou glaucoma, catarata, conjuntivite e presença de corpo estranho no olho. Sobre a catarata, ela lembrou que a doença não atinge apenas pessoas idosas. Embora seja comum com o envelhecimento, também pode aparecer em jovens e até em recém-nascidos, no caso da catarata congênita. Por isso, ressaltou a importância do teste do olhinho e do acompanhamento desde a infância.

Questionada sobre quando os pais devem levar uma criança ao oftalmologista, Dra. Hethma foi direta: o quanto antes. Segundo ela, crianças precisam de atenção específica, pois muitas vezes ainda não conseguem expressar dificuldades visuais. A recomendação, conforme explicou, é que a avaliação seja feita periodicamente e, preferencialmente, mantida ao longo da vida.

A entrevista também abordou o impacto do uso excessivo de telas, especialmente entre crianças e adolescentes. A oftalmologista afirmou que o tema é atual e merece atenção das famílias. Segundo ela, o excesso de exposição a celulares, televisões, computadores e tablets pode contribuir para cansaço visual, ressecamento ocular e progressão da miopia, além de interferir na rotina de interação das crianças quando substitui brincadeiras, diálogo e convivência.

A médica destacou ainda sinais que podem indicar dificuldade visual em crianças, como aproximar demais objetos do rosto, apresentar dificuldades na escola ou ter queda no desempenho de aprendizagem. Ainda assim, reforçou que algumas alterações podem passar despercebidas, principalmente quando a criança enxerga bem de um olho e mal do outro, sem saber que existe diferença.

Outro ponto de alerta foi o uso de colírios sem orientação médica. A oftalmologista foi enfática ao afirmar que a automedicação não é recomendada. Segundo ela, colírios usados de forma incorreta podem mascarar doenças, causar efeito rebote e provocar complicações, especialmente quando há uso indiscriminado de medicamentos com corticoide.

Durante a conversa, Dra. Hethma também explicou que doenças como catarata, glaucoma e degeneração macular relacionada à idade podem apresentar sintomas discretos ou até serem silenciosas no início. No caso do glaucoma, a ausência de sintomas pode atrasar o diagnóstico e comprometer a visão de forma irreversível.

A relação entre doenças sistêmicas e saúde ocular também foi tratada na entrevista. Dra. Hethma explicou que diabetes e hipertensão podem causar alterações nos vasos sanguíneos e afetar estruturas importantes dos olhos, especialmente a retina. No caso do diabetes, ela reforçou que o acompanhamento oftalmológico é essencial para identificar precocemente sinais de retinopatia diabética.

Para a oftalmologista, um dos maiores desafios ainda é a falta de procura por atendimento preventivo e a falsa sensação de segurança quando o paciente sai da consulta apenas com uma receita de óculos. Ela reforçou que exames como avaliação de fundo de olho e medida da pressão intraocular são importantes para uma avaliação mais completa.

Ao final da entrevista, Dra. Hethma deixou uma mensagem de acolhimento para quem adia cuidados por medo, culpa ou falta de informação. Segundo ela, o importante é buscar ajuda e agir a partir do momento presente.

“Faça o que pode fazer com as condições que tem no momento. O que passou, passou. Agora é daqui para frente”, afirmou.

A principal orientação deixada pela médica é clara: o acompanhamento oftalmológico regular pode ajudar no diagnóstico precoce, na prevenção de complicações e na preservação da visão ao longo da vida.

Entrevista Completa: