Convidado do Pode Conversar!, colunista relembrou o início da carreira, histórias vividas na comunicação e os preparativos para a décima Feijoada da Amizade

Muito antes das mensagens instantâneas e do envio de textos pela internet, Carlos Estevão precisava recorrer à rodoviária para conseguir publicar sua coluna. Todas as noites, a matéria produzida em Patos seguia de ônibus para João Pessoa. Por volta das 5h, um funcionário recebia o material e o encaminhava à redação. Pouco tempo depois, às 7h, o jornal já estava nas ruas.

Essa foi uma das muitas lembranças compartilhadas pelo colunista social durante sua participação no Pode Conversar!, na última sexta-feira (14). Em uma conversa marcada pela espontaneidade, Carlos revisitou mais de quatro décadas de atuação na comunicação e falou sobre os eventos que ajudaram a movimentar a vida social de Patos.

A história começou após uma temporada longe da Paraíba. Carlos estudou Economia em São Paulo e, posteriormente, mudou-se para o Rio de Janeiro. Na capital fluminense, frequentava festas, recepções e outros ambientes sociais. Durante um período de férias em Patos, recebeu um convite de Adalberto Barreto, então superintendente do jornal Correio da Paraíba, para escrever uma coluna social alusiva ao aniversário do município.

O convite causou surpresa, principalmente porque Carlos não morava mais na cidade. Mesmo assim, ele aceitou o desafio.

“Eu fiz, deu certo e fui muito parabenizado. Depois, voltei para a Paraíba, vim morar em Patos e aqui estou há 45 anos fazendo coluna social”, contou.

A partir daquele momento, o colunismo passou a ocupar um lugar permanente em sua vida. Durante anos, Carlos escreveu quase diariamente para o Correio da Paraíba, com publicações de terça-feira a domingo. Também teve passagens pelos jornais A União e O Norte, além de receber convite para trabalhar no Jornal da Paraíba.

A carreira, entretanto, não ficou limitada aos jornais impressos. Carlos também atuou na Rádio Panati, apresentou o programa Hi Society na TV Correio, participou de revistas e, atualmente, integra o podcast Paraíba Society ao lado de Jefferson Saldanha e Rose Nascimento.

“Já passei por todos os meios: televisão, rádio, jornal, revista e podcast”, resumiu.

Histórias que atravessaram gerações

Ao longo da entrevista, Carlos relembrou episódios que ajudam a contar não apenas sua trajetória, mas também parte da história social de Patos. Entre as personalidades que conseguiu levar aos seus eventos está Martha Rocha, primeira Miss Brasil e um dos grandes nomes da beleza brasileira.

A vinda da ex-miss à cidade exigiu uma verdadeira operação. Segundo Carlos, Martha não quis seguir de carro após desembarcar em João Pessoa. Foi necessário hospedá-la no Hotel Tambaú enquanto ele buscava uma alternativa para o deslocamento.

“Ela exigiu que viesse de avião. Eu tive que colocá-la no Hotel Tambaú e, no outro dia, conseguir uma aeronave para trazê-la a Patos. O Governo do Estado concedeu o avião”, recordou.

Carlos também recebeu integrantes da família imperial brasileira e estabeleceu contato com artistas, comunicadores, autoridades e representantes da sociedade de diferentes estados. Entre as cidades visitadas por ele em encontros de colunistas sociais estão Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador, Fortaleza e Maceió.

Uma das histórias mais curiosas de sua passagem pelo jornalismo impresso aconteceu no início da década de 1980. As colunas de Carlos eram transportadas por uma empresa de ônibus cujo proprietário se chamava Fernando da Mata. Na redação, o sobrenome foi trocado por “da Gata”, o mesmo de um homem que, na época, era procurado pela polícia.

“No outro dia, saiu a foto de Fernando com o nome de Fernando da Gata. Deu um problema sério”, relembrou, entre risos.

Eventos que ficaram na memória de Patos

Além da atuação como colunista, Carlos Estevão tornou-se conhecido pela realização de festas e solenidades. Ao longo dos anos, promoveu iniciativas como o Personalidade VIP, o Troféu Imprensa, o Mulheres que Brilham, o Excelência VIP e encontros de integração entre profissionais de diferentes áreas.

A primeira Noite VIP foi realizada em 1981 e contou com a participação de Silvinho, cabeleireiro da Rede Globo que integrava o júri do programa de Chacrinha. Carlos também recordou que participou como jurado de uma gravação do programa, em 1984.

Outras iniciativas reuniram bancários, médicos, profissionais da beleza e integrantes da imprensa. Quando presidiu uma associação de profissionais da comunicação, Carlos promoveu ações como descontos em estabelecimentos, apoio à alimentação dos associados e o Forró da Imprensa, que contou com a participação de Pinto do Acordeon.

Uma das realizações das quais mais se orgulha foi o Baile do Centenário de Patos, em 2003. O evento reuniu autoridades e convidados de diferentes lugares, entre eles Expedita Ferreira, filha de Lampião e Maria Bonita, que veio de Aracaju acompanhada das netas.

Outro momento lembrado com carinho aconteceu em 1987, durante a inauguração do Ginásio Rivaldão. A pedido do então deputado federal Rivaldo Medeiros, Carlos preparou uma apresentação sobre mulheres que marcaram a história.

O espetáculo reuniu 53 jovens da sociedade patoense, que representaram personagens como a Princesa Isabel, Maria Bonita, Cleópatra e Madame Curie. Para montar o desfile, foi necessário pesquisar as roupas, a trajetória e até as músicas relacionadas a cada personagem.

“Foi muito trabalho e muita pesquisa. Eu fiz essa pesquisa com Fiodone Gouveia e Eliete Pinho. Passamos madrugadas pesquisando quem eram aquelas mulheres, como se vestiam e quais músicas combinariam com o desfile”, contou.

A apresentação teve Adriano Reis, então ligado à Rede Globo, como mestre de cerimônias. O cuidado com a estrutura também entrou para a memória de Carlos: preocupado com o piso recém-instalado no ginásio, Rivaldo Medeiros determinou que toda a quadra fosse protegida com madeira para a realização do evento.

Credibilidade construída com respeito

Carlos também falou sobre a convivência com representantes de diferentes grupos sociais e políticos. Embora afirme não ter envolvimento partidário, ele considera que o bom relacionamento com pessoas de diferentes posições foi importante para sua trajetória.

Em uma das festas, conseguiu reunir cinco deputados de partidos distintos. A capacidade de dialogar com diferentes grupos rendeu até uma definição curiosa, feita certa vez por Francisca Motta: Carlos seria uma pessoa “redonda”, por não ter lados.

“Eu me dou bem com todo mundo. Não sou político, não gosto de política e nem entendo de política. Mas todos são meus amigos”, declarou.

O colunista também recebeu homenagens pelos serviços prestados à sociedade. Entre elas está a Comenda Ministro Ernani Sátyro, concedida pela Câmara Municipal de Patos em 2000. Carlos recordou ainda uma homenagem recebida em Brasília, por indicação de um colega do colunismo social.

Para ele, o reconhecimento e a permanência na atividade são frutos da maneira como conduz seus compromissos.

“Eu tenho muita credibilidade e sou grato à sociedade, que sempre me abraçou. Todos os eventos que realizo são bem-sucedidos porque sou muito correto com os meus compromissos. Acredito que essa seja uma das razões para continuar nesse espaço”, afirmou.

Feijoada da Amizade chega à décima edição

Durante a participação no Pode Conversar!, Carlos Estevão também apresentou os preparativos para a décima edição da Feijoada da Amizade. Criada com o objetivo de reunir amigos e movimentar a sociedade patoense, a festa será realizada mais uma vez no Water Play.

As atrações confirmadas são o cantor e poeta Amazan e o sanfoneiro Gustavinho. Segundo Carlos, a organização envolve uma série de detalhes, desde a escolha dos artistas até a contratação de som, garçons, profissionais para o bar, estrutura, mesas e cadeiras.

“É uma festa que requer muito trabalho. Quando o cantor chega, precisa encontrar tudo pronto. A gente tem que pensar nas atrações, no som, na comida, nos garçons e em toda a estrutura”, explicou.

A entrada será destinada aos convidados, identificados pela camisa oficial do evento. Durante o programa, Carlos entregou pessoalmente as camisas ao apresentador e à sua esposa, reforçando o caráter afetivo da celebração.

“A Feijoada da Amizade é uma festa dos meus amigos, das pessoas das quais gosto. Será uma festa seletiva, animada e divertida”, adiantou.

Mesmo depois de tantas décadas, eventos e histórias, Carlos Estevão continua acompanhando de perto a vida social de Patos. Entre as antigas colunas enviadas de ônibus e os atuais programas transmitidos pela internet, ele mantém o princípio que considera essencial para permanecer na comunicação: tratar as pessoas e os compromissos com dignidade, humildade e respeito.