André Tiburtino projeta crescimento da Copa Morada do Sol e destaca impacto do turismo esportivo em Patos
Em entrevista ao Pode Conversar, professor e técnico de voleibol falou sobre a segunda edição da competição, movimentação econômica, turismo, formação de atletas e árbitros e os desafios para fortalecer outras modalidades esportivas no município.
O professor de Educação Física e técnico de voleibol André Tiburtino foi o convidado do Pode Conversar para uma entrevista dedicada ao crescimento da Copa Morada do Sol de Voleibol e aos impactos que a competição vem produzindo dentro e fora das quadras em Patos.
Com mais de 18 anos de atuação na área esportiva, André contou que a criação da Copa surgiu da necessidade de oferecer aos atletas do Sertão mais oportunidades de competição, reduzindo a dependência de eventos realizados principalmente em cidades maiores e nas capitais.
Segundo ele, o desenvolvimento do voleibol na região mostrou que os atletas precisavam não apenas de treinamento, mas também de calendário competitivo. A partir dessa percepção, surgiu a ideia de realizar em Patos uma competição voltada às categorias de base e capaz de reunir equipes de diferentes municípios e estados.
A primeira edição da Copa Morada do Sol reuniu 42 equipes. De acordo com André Tiburtino, 36 delas vieram de fora da região de Patos, fazendo com que a organização precisasse olhar para questões que inicialmente ultrapassavam a realização das partidas.
Hospedagem, alimentação, transporte e deslocamento das delegações passaram a integrar diretamente o planejamento da competição. André contou que, inicialmente, a expectativa era promover um evento de alcance mais regional. No entanto, após a divulgação em grupos ligados ao voleibol, a procura cresceu rapidamente.
Delegações de diferentes localidades demonstraram interesse e Patos recebeu equipes vindas, inclusive, de outros estados. Para André, foi naquele momento que ficou evidente que a Copa Morada do Sol poderia assumir uma dimensão muito maior.
Mais do que uma competição esportiva, o evento começou a se apresentar como uma atividade capaz de atrair visitantes e movimentar diferentes setores da economia patoense. Durante a entrevista, André afirmou que passou a enxergar a Copa Morada do Sol como um evento de turismo esportivo.
A mudança de percepção aconteceu quando a organização começou a observar o número de atletas, técnicos, dirigentes, familiares e demais integrantes das delegações que chegavam à cidade durante a competição.
Segundo estimativas apresentadas por ele, aproximadamente 500 pessoas precisaram de hospedagem durante a primeira edição. André afirmou ainda que o evento teria movimentado mais de R$ 150 mil somente na rede hoteleira durante o período da competição.
Considerando hospedagem, alimentação, combustíveis, restaurantes, transporte por aplicativos, comércio e outros serviços, a estimativa apresentada pelo organizador é de uma movimentação entre R$ 400 mil e R$ 500 mil.
Os números são estimativas apresentadas pela própria organização durante a entrevista. André destacou ainda que restaurantes registraram grande movimentação e que cidades próximas também acabaram recebendo visitantes diante da procura por hospedagem em Patos.
Para ele, esses efeitos mostram que investir em calendário esportivo também pode representar uma estratégia de fortalecimento econômico.
Um dos pontos defendidos por André durante a conversa foi a necessidade de ampliar a maneira como o poder público e a própria sociedade enxergam o esporte. Na avaliação dele, esporte não deve ser relacionado apenas à atividade física ou à saúde.
Eventos esportivos também podem movimentar hotéis, restaurantes, postos de combustíveis, serviços de transporte, comércio, prestadores de serviços e profissionais envolvidos diretamente na organização das competições.
André afirmou que a primeira edição teve um custo aproximado de R$ 37 mil e comparou o investimento realizado com a estimativa de mais de R$ 400 mil movimentados na economia local.
A partir dessa experiência, ele defendeu uma atenção maior de gestores públicos, vereadores, empresários e instituições para iniciativas esportivas desenvolvidas no município.
A entrevista também abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre a diversidade esportiva. Mesmo declarando sua paixão pelo futebol e lembrando sua própria experiência com o futsal, André avaliou que a forte concentração de investimentos e atenção no futebol acaba dificultando o desenvolvimento de outras modalidades.
Ele citou voleibol, handebol e basquete como exemplos de esportes que necessitam de estrutura específica. Enquanto uma bola pode ser suficiente para iniciar uma atividade de futebol, modalidades como voleibol e basquete dependem de redes, postes, tabelas, aros e espaços adaptados.
Para André, fortalecer outras modalidades exige não apenas incentivar atletas, mas também pensar na infraestrutura dos ginásios e equipamentos esportivos existentes na cidade.
Outro desafio destacado durante a entrevista foi a disponibilidade de quadras. A realização simultânea de dezenas de partidas exige diferentes ginásios funcionando durante praticamente todo o dia.
André agradeceu às instituições que disponibilizam suas estruturas para o evento e ressaltou que a competição só consegue alcançar seu atual formato graças à colaboração de vários parceiros.
Entre as instituições mencionadas durante a entrevista estão Fera, Unifipê, AABB, Colégio Autêntico, Colégio Cristo Rei, além da Prefeitura Municipal de Patos e do Patos Shopping. O Ginásio Rivaldão também ocupa posição importante na programação.
Para André, a participação dessas instituições demonstra que a Copa deixou de ser um projeto restrito aos seus idealizadores e passou a envolver diferentes setores da cidade.
Para 2026, a organização decidiu manter o foco nas categorias de base. A previsão apresentada durante a entrevista é trabalhar com as categorias Sub-15 e Sub-18, nos naipes masculino e feminino.
A intenção é receber até 12 equipes por categoria, permitindo que a Copa possa alcançar 48 equipes.
Inicialmente chegou a ser estudada uma ampliação ainda maior, com a inclusão da categoria Sub-21 e possibilidade de aproximadamente 72 equipes. A ideia, entretanto, foi revista.
André explicou que a organização avaliou questões relacionadas à capacidade de hospedagem, estrutura dos ginásios, logística e também à convivência entre atletas adolescentes e participantes de uma categoria formada por adultos.
A categoria Sub-21 poderá ser estudada separadamente para uma futura edição.
Um dos diferenciais apresentados por André é o formato de disputa. As equipes passam inicialmente por grupos e, de acordo com a classificação, seguem para as séries Ouro, Prata ou Bronze.
A proposta busca evitar que uma delegação viaje centenas de quilômetros para disputar apenas uma ou duas partidas.
Segundo André, cada equipe terá a oportunidade de disputar pelo menos quatro jogos. Além da disputa pelo título principal, as séries Prata e Bronze mantêm as equipes envolvidas na competição e ampliam as possibilidades de premiação.
Na avaliação da organização, esse modelo é especialmente importante por se tratar de categorias de base.
A Copa Morada do Sol também criou uma identidade própria para suas premiações. Além dos campeões das séries Ouro, Prata e Bronze, a competição reconhece individualmente atletas que se destacam ao longo das partidas.
Há escolha do destaque dos jogos e, ao final da competição, premiação para funções específicas do voleibol, como levantador, ponteiro, central, líbero e oposto.
Também é escolhido o principal atleta da competição.
Outro projeto é o chamado Passaporte Campeão, que garante benefício para a equipe vencedora retornar à edição seguinte e defender seu título.
A estratégia pretende criar uma continuidade entre as edições e fortalecer a identidade da competição.
A Copa também pretende manter uma iniciativa de formação de arbitragem. Segundo André, no ano passado foi realizado um curso gratuito voltado a pessoas interessadas em conhecer e atuar na arbitragem do voleibol.
Para a segunda edição, a proposta será repetida. Os participantes passam pela formação e, de acordo com o desempenho, podem ser convidados para trabalhar durante a própria Copa.
André considera essa iniciativa uma oportunidade de criação de um novo campo de atuação profissional ligado ao esporte.
Além de formar atletas, portanto, o evento pretende contribuir para a formação de árbitros e outros profissionais.
O tamanho da estrutura também foi detalhado durante a entrevista. André explicou que somente a arbitragem pode envolver aproximadamente 18 profissionais, além de pessoal de apoio.
Cada ginásio necessita ainda de equipes responsáveis por organização, limpeza, segurança, primeiros socorros e logística.
Há também coordenação técnica, coordenação de mídia, organização geral e equipes responsáveis pelas atividades realizadas fora das quadras.
Isso faz com que o número de trabalhadores envolvidos diretamente na realização seja muito maior que o número de árbitros.
Na avaliação do organizador, essa é outra maneira pela qual o evento gera oportunidades temporárias de trabalho e circulação de recursos.
Se a expansão da Copa demonstra o crescimento do evento, ela também expõe limitações estruturais existentes na cidade. Uma delas é a hospedagem.
André afirmou que a capacidade da rede hoteleira precisa acompanhar a expansão dos grandes eventos realizados em Patos.
Para a organização, não basta atrair dezenas de equipes se posteriormente os participantes encontrarem dificuldades para conseguir hospedagem.
Por isso, além dos hotéis, a Copa procura alternativas como alojamentos e outros espaços capazes de receber delegações.
A preocupação é principalmente com projetos sociais e equipes que não possuem condições financeiras de assumir custos elevados de hospedagem.
Nesse sentido, André defende que a inclusão esportiva também precisa considerar o custo de participação em competições.
Uma das principais novidades apresentadas para a nova edição será a utilização da gamificação.
A proposta é fazer com que atletas e delegações conheçam Patos durante os intervalos entre as partidas.
Pontos da cidade poderão receber QR Codes ligados a desafios. As equipes visitarão esses locais, realizarão atividades, produzirão fotografias, publicarão conteúdos nas redes sociais e acumularão pontos dentro da competição paralela.
Entre os locais mencionados durante a entrevista estão a Cruz da Menina, a Catedral de Nossa Senhora da Conceição e espaços religiosos e turísticos da cidade.
A intenção é transformar a passagem das delegações por Patos em uma experiência que ultrapasse os ginásios.
Com isso, atletas que chegam à cidade para disputar voleibol também passam a conhecer sua cultura, comércio, história e pontos turísticos.
A mesma estratégia deverá ser utilizada para aproximar as equipes dos patrocinadores. Empresas parceiras poderão aparecer dentro dos desafios promovidos pela Copa.
A organização pretende estimular publicações, interações e atividades digitais que façam com que as marcas apoiadoras tenham contato direto com os atletas e com o público do evento.
André explicou que essa será uma forma de oferecer uma contrapartida mais ampla aos empresários que decidirem investir na competição.
Mais do que simplesmente colocar uma logomarca em uma peça publicitária, a proposta é inserir os parceiros dentro da experiência proporcionada pelo evento.
A parceria com o Patos Shopping também deverá continuar. O espaço funciona como ponto de convivência das delegações fora dos ginásios.
A chamada Arena Viva Vôlei deverá concentrar atividades de interação, premiações, brincadeiras, desafios e ações voltadas aos atletas e familiares.
Na primeira edição, segundo André, o shopping se transformou em um ponto de encontro entre delegações de diferentes cidades e estados.
Para a organização, essa convivência entre os participantes também é parte importante de uma competição voltada principalmente para jovens atletas.
Outro aspecto destacado na entrevista é a participação de estudantes da Escola Dionísio da Costa, conhecida como Premen.
Alunos dos cursos técnicos de Administração e Informática estão envolvidos na comunicação e nas ferramentas digitais utilizadas pela competição.
Segundo André, estudantes participaram do desenvolvimento do site e deverão contribuir com produção de mídia e divulgação do evento.
A experiência pretende aproximar o conteúdo estudado em sala de aula de uma atividade prática.
Para André, a parceria demonstra como um evento esportivo também pode servir como espaço de formação educacional e preparação para o mercado de trabalho.
Ao comentar a participação dos estudantes, o professor aproveitou a entrevista para defender a conclusão da reforma da Escola Dionísio da Costa.
Atualmente, segundo ele, professores e estudantes estão utilizando temporariamente outro espaço enquanto aguardam a estrutura definitiva.
André destacou que projetos como o desenvolvido para a Copa demonstram a capacidade dos estudantes e professores da instituição e reforçam a importância de garantir condições adequadas para o desenvolvimento das atividades educacionais.
Outro avanço lembrado durante a conversa foi o reconhecimento institucional da Copa Morada do Sol.
O evento passou a integrar oficialmente o calendário esportivo do município.
Para André, a medida representa o reconhecimento de um trabalho que começou recentemente, mas que rapidamente mostrou capacidade de mobilizar atletas, instituições, empresas e diferentes setores da economia.
Ele também defendeu a retomada e o fortalecimento do Conselho Municipal de Esporte como espaço permanente para discutir políticas públicas para diferentes modalidades.
Na avaliação do professor, Patos possui condições geográficas favoráveis para se tornar referência regional na realização de eventos esportivos.
A localização da cidade facilita o encontro de equipes vindas da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e outros estados nordestinos.
A projeção para a segunda edição mantém o caráter interestadual.
Durante a entrevista, André citou interesse e participação de equipes provenientes de estados como Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, além de diferentes cidades paraibanas.
Essa presença reforça a estratégia de posicionar Patos como um ponto de encontro do voleibol de base no interior do Nordeste.
Mais do que aumentar simplesmente o número de participantes, a organização afirma que pretende preservar a qualidade da experiência oferecida às delegações.
A ampliação da estrutura também aumenta os custos.
Por isso, uma das principais mensagens deixadas por André durante a entrevista foi direcionada aos empresários e comerciantes de Patos.
Ele convidou empresas interessadas a conhecerem o projeto e as possibilidades de participação.
Segundo o organizador, recursos são necessários para custear arbitragem, premiação, estrutura, apoio técnico, primeiros socorros, segurança, climatização, comunicação e diferentes serviços utilizados ao longo da competição.
A proposta apresentada aos patrocinadores é associar as marcas a um evento que recebe atletas, técnicos, dirigentes e familiares e que provoca movimentação em diferentes áreas da cidade.
Ao longo de toda a entrevista, André retornou a uma ideia central: o esporte pode produzir efeitos que ultrapassam o resultado de uma partida.
Pode contribuir para a formação de jovens, oferecer novas experiências, aproximar pessoas, criar oportunidades profissionais e movimentar economicamente uma cidade.
No caso da Copa Morada do Sol, a intenção é reunir essas diferentes dimensões dentro de um único projeto.
A competição nasceu do voleibol, mas, na avaliação de André Tiburtino, já começa a assumir características de um evento turístico, educacional, social e econômico.
Agora, a organização trabalha para consolidar a segunda edição e ampliar uma experiência que começou em 2025.
A meta apresentada pelo professor é continuar fortalecendo a competição ano após ano e contribuir para que Patos seja reconhecida como referência na realização de eventos esportivos na Paraíba e, futuramente, no Nordeste e no país.
Entrevista Completa: