A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Conceição, no Sertão da Paraíba, voltou a ganhar destaque durante uma sessão do Legislativo. Em meio às articulações para a escolha da nova Mesa Diretora, marcada para o dia 19 de novembro de 2026, vereadores utilizaram a tribuna para esclarecer comentários que circulam pela cidade sobre supostas ofertas de dinheiro em troca de votos.

O debate envolveu os vereadores Luís Paulino, Jussiê e Stherlan, além do atual presidente da Casa, Fidélis de Doca, que demonstrou preocupação com os rumores e seus possíveis impactos sobre a credibilidade do Poder Legislativo.

Luís Paulino nega proposta financeira do prefeito Samuel

A discussão ganhou força após o vereador Luís Paulino esclarecer publicamente informações relacionadas a uma visita que recebeu do prefeito Samuel e do pai do gestor municipal em sua residência.

Segundo Luís Paulino, durante o encontro foram tratados assuntos políticos envolvendo a Câmara Municipal e futuras eleições. Entretanto, o parlamentar fez questão de afirmar que não houve qualquer oferta de dinheiro para conquistar seu apoio político.

“Em nenhum momento, naquela oportunidade, o prefeito me ofertou promessa de dinheiro. Em nenhum momento aconteceu isso, até porque ele me conhece, sabe da minha idoneidade e sabe da minha capacidade de não aceitar essas coisas”, declarou.

Luís Paulino explicou que decidiu se manifestar diante dos comentários que circulam no município, especialmente aqueles que relacionam a disputa pela presidência da Câmara a supostas negociações financeiras.

O parlamentar reforçou que não recebeu qualquer proposta para votar em determinado candidato ou se tornar aliado político do prefeito.

Fidélis critica rumores de pagamentos de até R$ 100 mil por votos

Após o pronunciamento de Luís Paulino, o presidente da Câmara, Fidélis de Doca, também se manifestou sobre o assunto e demonstrou indignação com as especulações que circulam pela cidade.

Segundo Fidélis, embora a eleição da Mesa Diretora seja uma disputa interna entre os 11 vereadores, o assunto tem provocado comentários que acabam atingindo a imagem de todos os parlamentares.

“Você sai na cidade, onde chega, é que fulano se vendeu, que fulano cobriu o dobro do dinheiro. É história demais, rapaz, na cidade. E isso é ruim para esta Casa”, afirmou.

O presidente relatou que os rumores chegam a mencionar supostos pagamentos de R$ 50 mil e R$ 100 mil por votos, valores que ele citou para demonstrar o tamanho das especulações.

Em tom de indignação, Fidélis questionou a dimensão dessas histórias e destacou o prejuízo que provocam à imagem da Câmara.

“Fica feio para esta Casa”, enfatizou.

Fidélis também relembrou que foi eleito três vezes presidente da Câmara, inclusive uma delas por unanimidade, e assegurou que nunca ofereceu dinheiro para conquistar o voto de qualquer colega.

“Nunca dei um real a nenhum colega vereador. Aqui foi o trabalho, foi a amizade, foi o respeito”, declarou.

Jussiê pede aparte e defende respeito aos vereadores

Durante a manifestação de Fidélis, o vereador Jussiê solicitou um aparte para reforçar a preocupação com os comentários envolvendo supostas negociações financeiras na eleição da Câmara.

Jussiê destacou que, em sua avaliação, as especulações não partiram dos próprios parlamentares e ressaltou que jamais afirmou que algum colega teria recebido dinheiro em troca de apoio político.

“Da minha parte, esse vereador que vos fala nunca falou que alguém recebeu, deixou de receber, porque eu tenho ética, tenho profissionalismo e tenho respeito pelo Parlamento”, declarou.

O vereador também defendeu que os 11 integrantes da Câmara mantenham uma postura de respeito mútuo e evitem alimentar comentários que possam comprometer a credibilidade da instituição.

Segundo Jussiê, informações transmitidas de uma pessoa para outra acabam ganhando proporções maiores, mesmo sem comprovação.

Ao responder ao aparte, Fidélis agradeceu a manifestação e reafirmou que sua preocupação principal é preservar a imagem do Poder Legislativo.

“É uma preocupação que eu tenho com a imagem desse Poder. É um Poder que já é criticado. Eu sei que não saiu desta Casa, eu sei que é coisa da especulação da cidade”, afirmou.

Stherlan relembra eleições por unanimidade e destaca independência política

Outro momento importante da discussão foi a manifestação do vereador Stherlan, que trouxe uma reflexão sobre a história política da Câmara Municipal de Conceição.

O parlamentar relembrou episódios em que vereadores de grupos adversários votaram uns nos outros para a presidência da Casa, inclusive em eleições marcadas pela unanimidade.

“Olha como é bonita a história desta Casa”, afirmou Stherlan, ao destacar momentos em que as diferenças políticas não impediram entendimentos entre os parlamentares.

Durante sua fala, o vereador mencionou episódios envolvendo Luís Paulino, Nilson Lacerda e o atual prefeito Samuel, que anteriormente também ocupou a presidência do Legislativo.

Stherlan questionou a interpretação de que um vereador, ao votar em alguém de outro grupo político, estaria necessariamente recebendo alguma vantagem ou mudando de lado.

Ao recordar uma eleição envolvendo Luís Paulino e Nilson Lacerda, o parlamentar destacou que os votos foram dados em um contexto de divergências políticas, sem que isso significasse a existência de negociações financeiras.

O vereador também lembrou que, quando Samuel disputou a presidência da Câmara, recebeu votos de parlamentares que faziam oposição ao seu grupo político.

“Nós deixamos de ser oposição porque demos um voto a Samuel?”, questionou.

Para Stherlan, esses episódios demonstram que a decisão de um parlamentar pode ser motivada pelo reconhecimento, pela convivência institucional ou por entendimentos políticos, sem representar necessariamente uma aliança permanente.

O vereador também falou sobre sua própria trajetória e destacou que sempre manteve posicionamentos firmes dentro do Legislativo, inclusive diante de integrantes de grupos políticos aos quais fazia oposição.

“Eu nunca me abstive e me orgulho disso”, declarou.

A reflexão de Stherlan reforçou a defesa da independência parlamentar e do respeito às decisões individuais dos vereadores, especialmente em um momento de intensa movimentação política no município.

Disputa entre Pedro Júnior e Valdemir Berto movimenta os bastidores

Durante a sessão, também foram mencionadas as articulações envolvendo os vereadores Pedro Júnior e Valdemir Berto, que lideram grupos na disputa pela presidência da Câmara.

Em uma das manifestações, foi reconhecida a possibilidade de Pedro Júnior reunir seis votos. Entretanto, o parlamentar que abordou o assunto reafirmou seu compromisso com Valdemir Berto, justificando sua posição por um sentimento de gratidão.

Ele também destacou que manteria seu voto independentemente da possibilidade de vitória ou derrota e que estaria disposto a conversar com outros colegas caso Valdemir retirasse sua candidatura.

As declarações evidenciam um cenário de articulações políticas, compromissos pessoais e diferentes posicionamentos dentro do Legislativo.

Apesar das divergências, os pronunciamentos tiveram em comum a preocupação com a imagem da Câmara e o entendimento de que a disputa deve ocorrer com respeito entre os vereadores.

Eleição acontece no dia 19 de novembro

A eleição para a nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Conceição está marcada para o dia 19 de novembro de 2026.

A disputa vem mobilizando os bastidores da política local e despertando a atenção da população, principalmente diante das articulações envolvendo os grupos que buscam conquistar a maioria dos votos.

Durante a sessão, entretanto, não foram apresentadas provas de compra de votos. As referências a supostos pagamentos ocorreram no contexto de críticas a rumores que circulam pela cidade.

As manifestações de Luís Paulino, Fidélis de Doca, Jussiê e Stherlan mostraram que, apesar das diferenças políticas, existe uma preocupação compartilhada em preservar a credibilidade do Legislativo Municipal.

O debate também trouxe uma reflexão importante: apoiar determinado candidato à presidência da Câmara não significa, necessariamente, abandonar convicções políticas ou estabelecer alianças permanentes.

Em meio às articulações que antecedem a eleição, o desafio dos parlamentares será conduzir a disputa respeitando as diferenças, preservando a autonomia dos mandatos e fortalecendo a confiança da população na Câmara Municipal.

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