Na última sexta-feira, 6 de março, às 19h, o podcast Pode Conversar recebeu Aline Torres, conhecida pelo público infantil como Tia Aline. Durante a entrevista, ela falou sobre sua trajetória profissional, o trabalho com crianças, a musicalização infantil, a atuação em eventos e a experiência com famílias em espaços como escolas e CRAS.

Com cerca de 12 anos de atuação na área infantil, Aline explicou que começou trabalhando com locação de brinquedos. Segundo ela, a empresa Pule e Brink surgiu a partir dessa atividade, inicialmente com cama elástica, pula-pula e barraquinhas de guloseimas. Depois, a demanda dos próprios clientes abriu espaço para um novo serviço: a recreação com crianças.

Ela contou que a ideia de se tornar animadora infantil nasceu quando uma cliente pediu uma proposta diferente para uma festa. A solicitação era por alguém que brincasse com as crianças, mas sem usar a figura tradicional de palhaço, porque o filho tinha medo. A partir disso, Aline começou a atuar com roupas coloridas, brincadeiras e, mais tarde, personagens temáticos.

Entre os primeiros personagens interpretados por ela esteve Alice, de Alice no País das Maravilhas. Depois vieram outros nomes conhecidos do universo infantil, como Branca de Neve, Frozen, Mickey, Minnie e Galinha Pintadinha. Segundo Aline, a entrada desses personagens nos eventos foi gradual e enfrentou resistência no início, principalmente por causa dos custos envolvidos nas festas. Com o tempo, o serviço ganhou espaço e passou a ser mais procurado.

Durante a entrevista, Aline também relatou sua ligação antiga com a música. Ela contou que começou ainda na infância, aos 8 anos, quando aprendeu teclado observando as aulas do pai e reproduzindo as melodias de ouvido. A partir daí, passou a se apresentar em escolas e gincanas. Mais tarde, já na juventude, integrou projetos musicais com o irmão e participou de bandas, entre elas grupos ligados ao forró e ao pagode.

Essa vivência musical foi incorporada ao trabalho com o público infantil. Hoje, além da recreação, Aline atua com musicalização infantil, utilizando canções, movimentos corporais e recursos visuais para estimular coordenação, fala, atenção e interação. Durante o podcast, ela apresentou alguns dos materiais que usa com bebês e crianças pequenas, como ukulele, guarda-chuva colorido, bola expansiva, lenços, luvas com personagens e caixas com objetos temáticos.

Ao explicar a diferença entre aula de música e musicalização, Aline destacou que a musicalização trabalha a música de forma mais lúdica, com foco no desenvolvimento infantil. Segundo ela, atividades simples com sons, gestos, repetições, objetos coloridos e cantigas ajudam na percepção auditiva, coordenação motora, reconhecimento de partes do corpo, fala e socialização.

A entrevistada também falou sobre a atuação no CRAS, onde desenvolve oficinas voltadas para a primeira infância, atendendo principalmente crianças de 6 meses a 2 anos, sempre com acompanhamento dos responsáveis. Nessas atividades, ela utiliza recursos simples e acessíveis, muitas vezes feitos com objetos que as famílias já têm em casa, como fraldas, potes, pegadores de roupa, bacias com água e brinquedos do cotidiano.

Outro ponto abordado foi o impacto da pandemia no setor de eventos infantis. Aline lembrou que quem trabalha com festas foi um dos primeiros a parar e um dos últimos a retomar as atividades. Nesse período, ela relatou dificuldades financeiras e emocionais, mas também falou sobre a adaptação do trabalho, com a realização de lives e aniversários online, inclusive com personagens e oficinas remotas para crianças.

No programa, Aline também comentou a importância de observar o desenvolvimento infantil e de evitar excessos no uso de telas. Segundo ela, muitos casos de atraso na fala e dificuldade de atenção estão ligados ao uso prolongado de celular e a conteúdos muito agitados. Ela orientou que pais e responsáveis observem a rotina da criança, busquem conteúdos mais calmos e musicais e procurem orientação profissional quando perceberem sinais de atraso no desenvolvimento.

Além das apresentações em aniversários, Aline afirmou que seu trabalho também inclui shows infantis, com repertório voltado para crianças e espaço para interação com as famílias. Ela explicou que costuma mesclar músicas atuais com canções de outras gerações, incluindo referências da infância de muitos pais. Segundo ela, o objetivo é envolver crianças e adultos no mesmo momento.

Aline também destacou uma experiência recente no Carnaval, quando participou de um evento infantil com presença do Padre Fabrício. Ela relatou que o encontro foi marcante e reforçou a proposta de trabalhar eventos voltados para a convivência familiar, com músicas leves, repertório infantil e valorização de elementos culturais como frevo e marchinhas.

Ao final da entrevista, Aline falou sobre os próximos passos da carreira. Entre os projetos em andamento, ela anunciou a criação de um novo formato de apresentação infantil com foco em mágicas, sob o nome “Zim Salabim”. A proposta, segundo ela, é ampliar o repertório de atrações voltadas ao público infantil em Patos e na região.

Durante toda a conversa, a entrevistada reforçou temas ligados ao cuidado com as crianças, à presença da família na rotina dos filhos e à importância de criar momentos de convivência, brincadeira e atenção no dia a dia.

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