Tenente-Coronel Viviane Vieira defende combate firme às facções, proteção às mulheres e diálogo na política
Durante participação no podcast Pode Conversar, a tenente-coronel Viviane Vieira falou sobre sua trajetória na Polícia Militar da Paraíba, os desafios enfrentados ao longo de quase duas décadas de carreira, o avanço das facções criminosas, a importância do combate à corrupção e a necessidade de fortalecer políticas de proteção às mulheres. Natural ao falar sobre sua história, Viviane relembrou que ingressou na Polícia Militar ainda muito jovem, aos 17 anos, e destacou que a profissão sempre foi uma vocação.
“Foi o que escolhi para minha vida. São quase 20 anos de carreira e continuo apaixonada pelo trabalho policial, especialmente pelo serviço ostensivo e pelo contato direto com a população”, afirmou. Ao comentar situações que mais a impactaram na profissão, a oficial destacou ocorrências envolvendo crianças, mas revelou que um dos episódios mais difíceis foi presenciar famílias sendo expulsas de suas próprias casas por organizações criminosas durante o período em que comandou o 21º Batalhão, em Cabedelo.
Segundo ela, o avanço da criminalidade em determinadas áreas demonstra a necessidade de uma atuação constante das forças de segurança para garantir a presença do Estado e a proteção da população. Viviane também falou sobre os desafios enfrentados por ser mulher em uma instituição historicamente masculina. Ela revelou que sofreu preconceito no início da carreira, inclusive durante o curso de formação, mas ressaltou que o trabalho e os resultados conquistados ao longo dos anos foram fundamentais para superar essas barreiras. “Meu cartão de visita sempre foi o meu trabalho. Nunca achei que deveria fazer menos por ser mulher. Sempre procurei desempenhar minha função da melhor forma possível”, disse.
Um dos principais temas da entrevista foi o crescimento das facções criminosas no Brasil. Viviane destacou que o país possui dezenas de organizações criminosas estruturadas e defendeu uma atuação firme do Estado no enfrentamento dessas organizações. Para ela, além das discussões sobre classificações jurídicas e definições técnicas, a população espera ações concretas que garantam mais segurança. “A sociedade quer operações, quer prisões, quer apreensão de armas e drogas e quer se sentir segura nas ruas”, afirmou. A tenente-coronel também citou resultados obtidos durante sua passagem pelo comando do batalhão em Cabedelo, mencionando a redução dos índices de homicídio e o grande número de armas retiradas de circulação por meio de operações policiais.
Ao comentar operações recentes que investigaram agentes públicos envolvidos com organizações criminosas, Viviane fez questão de elogiar os profissionais que atuam com honestidade e defender rigor contra qualquer prática ilícita. “Existem bons policiais que dedicam suas vidas à segurança da população. Já aqueles que cometem crimes devem responder por seus atos, independentemente do cargo ou da função que ocupem”, declarou. Ela ressaltou ainda que a transparência e as investigações qualificadas são ferramentas fundamentais para fortalecer a confiança da sociedade nas instituições.
Outro ponto que recebeu destaque foi a segurança das mulheres. Viviane demonstrou preocupação com casos recentes de violência sexual e criticou a chamada revitimização, quando vítimas passam a ser julgadas ou atacadas nas redes sociais após denunciarem crimes.
Para ela, a sociedade precisa acolher quem denuncia e criar mecanismos que incentivem outras vítimas a buscar ajuda. “A mulher precisa ser acolhida e protegida. Muitas vezes ela enfrenta não apenas o trauma da violência, mas também o julgamento público”, afirmou. A oficial também orientou que mulheres compartilhem sua localização em tempo real ao utilizarem transporte por aplicativo durante a noite e mantenham contato com familiares ou amigos durante o trajeto, como medida preventiva de segurança.
Já ao abordar o cenário político, Viviane defendeu mais diálogo e menos radicalização entre diferentes correntes ideológicas. Segundo ela, os eleitores devem buscar informações, analisar propostas e conhecer a trajetória dos candidatos antes de tomar decisões.“As pessoas precisam estudar, pesquisar e formar sua própria opinião. O voto é um patrimônio do cidadão e deve ser exercido com responsabilidade”, destacou.
Ao longo da conversa, a tenente-coronel reforçou que segurança pública, proteção às mulheres e fortalecimento das instituições devem permanecer entre as principais pautas do debate público, defendendo sempre a aproximação entre sociedade e forças de segurança para a construção de um ambiente mais seguro para todos.
Entrevista Completa: