Marcelo Queiroga abre ciclo de entrevistas do Pode Conversar! e apresenta prioridades para o Senado
Ex-ministro da Saúde defendeu investimentos com critérios técnicos, mudanças na legislação do SUS, endurecimento das leis penais e políticas para o desenvolvimento do Nordeste
O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, candidato ao Senado Federal pelo Partido Liberal (PL), foi o primeiro participante do ciclo de entrevistas promovido pelo Pode Conversar! com os postulantes ao cargo. Durante a conversa, realizada em Patos, ele apresentou suas principais propostas e abordou temas como saúde, segurança pública, desenvolvimento regional, emendas parlamentares, inteligência artificial e a relação entre os Poderes.
A iniciativa busca oferecer aos candidatos um espaço para expor ideias e propostas, contribuindo para que os eleitores conheçam melhor as opções disponíveis. O mesmo convite e modelo de entrevista foram disponibilizados às demais candidaturas ao Senado.
Ao explicar por que decidiu entrar na disputa, Queiroga afirmou que pretende contribuir para o fortalecimento do papel institucional do Senado. Ele destacou que a Casa atua na revisão de projetos aprovados pela Câmara dos Deputados, na elaboração de leis, na análise de indicações para tribunais superiores, agências reguladoras e embaixadas, além da destinação de recursos por meio de emendas parlamentares.
“Sou candidato ao Senado Federal para resgatar o papel histórico do Senado”, declarou. Segundo ele, a representação paraibana precisa estar à altura das atribuições da Casa e atuar na busca por investimentos para áreas como saúde, educação, saneamento básico e infraestrutura.
Saúde, segurança e desenvolvimento
Questionado sobre as três principais prioridades de um eventual mandato, Queiroga colocou a saúde em primeiro lugar. Médico formado em 1988 e ex-ministro da Saúde, ele defendeu uma atualização da legislação do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente para acompanhar as transformações tecnológicas ocorridas nas últimas décadas.
Entre as possibilidades apontadas está o uso da inteligência artificial para melhorar processos administrativos, prontuários, análise de dados e apoio às decisões clínicas. Para Queiroga, essas ferramentas podem contribuir para tornar mais eficiente o atendimento em situações de emergência, como nos casos de infarto e acidente vascular cerebral.
O candidato também argumentou que as políticas públicas de saúde devem ser estruturadas de maneira ampla, evitando iniciativas isoladas que não estejam integradas ao funcionamento do SUS.
Na segurança pública, segunda prioridade apresentada, Queiroga defendeu o endurecimento da legislação penal, o fortalecimento das forças policiais e o uso de inteligência no combate ao crime organizado. Entre as medidas mencionadas está a redução da maioridade penal para 16 anos, proposta que depende de alteração constitucional e divide opiniões no debate público.
O terceiro eixo destacado foi o desenvolvimento do Nordeste. Segundo Queiroga, a região reúne condições para ampliar sua participação na economia nacional por meio das energias renováveis, da educação, da indústria, da mineração e da qualificação profissional.
Ele citou o potencial paraibano nas áreas de energia eólica e solar, além da importância da transposição do Rio São Francisco. Também defendeu a implantação do Ramal do Piancó e a construção de adutoras para ampliar a segurança hídrica no Sertão.
Na educação, mencionou os polos universitários e técnicos existentes no estado e afirmou que a Paraíba pode formar profissionais capazes de atuar nos mercados nacional e internacional. Queiroga defendeu ainda a atração de empresas de tecnologia e indústrias, inclusive do setor farmacêutico.
Emendas com critérios técnicos
Ao tratar das emendas parlamentares, o candidato afirmou que pretende estabelecer critérios técnicos para a distribuição dos recursos entre os 223 municípios paraibanos.
Na saúde, explicou que a destinação de equipamentos, unidades e serviços deve considerar fatores como o perfil epidemiológico, a população atendida e a capacidade de funcionamento da rede. “Isso não pode ser uma aplicação oportunística. Tem que atender a critérios”, afirmou.
Queiroga também defendeu emendas para equipar as forças de segurança, melhorar as rodovias estaduais e incentivar setores econômicos com potencial de crescimento, como a mineração. Segundo ele, a distribuição não deve ser condicionada à filiação partidária ou à proximidade política dos gestores municipais.
Relação com o próximo governo
Sobre o posicionamento diante do futuro presidente da República, Queiroga disse que integrará a base governista caso o eleito pertença ao seu partido. Ressaltou, entretanto, que isso não significaria apoiar automaticamente todas as propostas apresentadas pelo Executivo.
Se estiver na oposição, prometeu adotar uma postura que classificou como responsável. “Vou trabalhar na agenda da saúde para aprimorar a legislação, estando no governo ou na oposição”, declarou.
Durante a entrevista, o candidato também criticou alianças eleitorais formadas por partidos com posições ideológicas distintas. Para ele, a falta de identidade programática prejudica a compreensão do eleitor e reforça a necessidade de uma reforma política.
Congresso, STF e apostas eletrônicas
Queiroga demonstrou preocupação com a atual relação entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação dele, decisões do Judiciário têm avançado sobre competências que deveriam pertencer ao Poder Legislativo.
O candidato defendeu a independência e a harmonia entre os Poderes, conforme estabelece a Constituição Federal, e afirmou que mudanças em temas como legislação penal devem ser discutidas e aprovadas pelo Congresso.
Outro assunto abordado foi o crescimento das apostas eletrônicas, as chamadas bets. Queiroga reconheceu que o setor já possui regulamentação, mas defendeu uma revisão das regras para aumentar o controle sobre a atividade.
Segundo ele, as apostas podem provocar impactos na saúde mental e na economia das famílias. O candidato também defendeu mais transparência na relação entre agentes públicos e grupos privados interessados na formulação de leis e políticas públicas.
Regulamentação da inteligência artificial
Queiroga posicionou-se favoravelmente à criação de um marco regulatório para a inteligência artificial. Para ele, a legislação precisa abranger tanto os benefícios da tecnologia quanto os riscos relacionados à manipulação de imagens, produção de conteúdos falsos e ataques contra reputações.
O ex-ministro ressaltou que o tema é amplo e exige a participação de especialistas, com análise das experiências adotadas em outros países. Também destacou o potencial da tecnologia para a pesquisa científica e relatou ter utilizado ferramentas de inteligência artificial na análise de bases de dados do SUS em um estudo sobre mortalidade infantil.
Ao encerrar a entrevista, Queiroga pediu que os paraibanos avaliem sua trajetória profissional e política. Ele comparou a necessidade de renovação da política à substituição de um medicamento que não produz os resultados esperados.
“Peço que você analise minha história, minha trajetória, o que eu fiz e o que ainda posso fazer para ajudar a Paraíba, o Nordeste e o Brasil”, concluiu.
A entrevista com Marcelo Queiroga inaugurou o ciclo do Pode Conversar!, que manterá o espaço aberto aos demais candidatos ao Senado Federal, seguindo o mesmo formato e garantindo igualdade de oportunidade para a apresentação de propostas.
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Entrevista Completa: