
Na noite de quinta-feira, 15 de janeiro, às 19h, o programa Voz e Representação realizou uma edição excepcional com a participação de Heber Tiburtino, que retornou ao espaço pela segunda vez para uma conversa marcada por tom moderado e foco em temas estruturantes para Patos e região. Ao longo da entrevista, o vereador reafirmou a linha que diz orientar sua atuação: evitar polarizações e priorizar pautas capazes de gerar impacto direto na vida da população, com destaque para a segurança hídrica, o desenvolvimento econômico e social e a saúde mental. Logo na abertura, Heber fez questão de destacar o ambiente do Pode Conversar como um podcast de perfil familiar, mencionando a residência, a família e o acolhimento do apresentador, reforçando o caráter respeitoso e doméstico do espaço de diálogo.
Logo no início, Heber retomou a experiência de 2020, quando apresentou um projeto político com ênfase em emprego, renda e habitação, e explicou que, apesar das mudanças de conjuntura, a essência do que defende permanece. Segundo ele, a agenda evoluiu para incorporar com mais centralidade temas como recursos hídricos, turismo regional, esporte de base e uma política mais eficaz de saúde mental voltada ao trabalhador e à trabalhadora. A mensagem foi clara: o cargo é instrumento, mas o objetivo permanece o mesmo, produzir soluções concretas para Patos.
O ponto alto do programa foi a defesa aberta de um movimento político e social pela transposição das águas do Rio São Francisco para Patos, tratada não como promessa de campanha, mas como urgência pública. Heber convocou a audiência a aderir ao abaixo-assinado divulgado por QR Code, reforçando que não importa a maneira como vai chegar, o importante é que chegue. Ele associou o debate à sua formação acadêmica, lembrando ser mestre em Direito Internacional e ter estudado o direito humano à água, argumento usado para sustentar que a pauta hídrica deve ser tratada como prioridade permanente, acima de preferências partidárias e disputas locais.
Durante a conversa, foram mencionadas alternativas e caminhos técnicos e políticos para a chegada das águas, como o canal do Pajeú, possíveis eixos de integração pelo Vale do Piancó, a adutora Coremas–Patos e a necessidade de força política para destravar estudos, recursos e obras complementares. Heber também chamou atenção para um aspecto decisivo: não basta trazer água, é preciso garantir infraestrutura adequada de recebimento e vazão, citando preocupações com desempenho abaixo do esperado em municípios já atendidos, como forma de alertar para a importância de planejamento e modernização da rede.
No campo administrativo, o vereador relatou uma rotina de visitas a secretarias e diálogo com a gestão municipal, destacando que algumas propostas defendidas anteriormente passaram a integrar ações do governo. Entre os exemplos, citou avanços na valorização do turismo, iniciativas de transformação social em comunidades e medidas no campo da agricultura, como ações relacionadas ao rebanho e estratégias para mitigar efeitos da seca.
Ao explicar seu posicionamento político atual, Heber fez um relato direto sobre as tensões que viveu no processo judicial que o levou ao mandato e afirmou que enfrentou resistência de setores da oposição. Nesse contexto, justificou sua decisão de atuar como aliado político da gestão, ressaltando que a conversa com o prefeito teria ocorrido em tom institucional, sem troca de favores, com um compromisso central: respeito a seus posicionamentos e liberdade de atuação.
A entrevista também trouxe uma dimensão simbólica do mandato. Heber destacou o impacto de levar famílias à Câmara Municipal, muitas delas entrando pela primeira vez na casa do povo. Para ele, isso representa romper a ideia de que o Legislativo é um espaço distante e fortalecer uma política mais próxima, participativa e orientada por diálogo. Na prática, disse que pretende manter o mandato voltado a presença em bairros, escuta ativa e ações de articulação, citando inclusive iniciativas para reativação de poços artesianos como medida emergencial em períodos de estiagem.
Em outro trecho relevante, Heber abordou diretamente o tema da cota de gênero. Ele afirmou que assumiu o mandato a partir de uma disputa judicial para que a regra eleitoral fosse cumprida e sustentou que houve reconhecimento de fraude relacionada à composição de candidaturas femininas apenas para atender a exigência legal. No programa, ele defendeu respeito às decisões judiciais, criticou o uso de linguagem ofensiva contra a Justiça e afirmou que partidos e candidaturas precisam conhecer e cumprir as regras do processo eleitoral. Segundo ele, a formação partidária não deve estar vinculada apenas à busca por recursos, mas a uma construção de base e a candidaturas com perfil real para disputar.
Quando o debate avançou para temas internos do Legislativo, como a eleição da Mesa Diretora da Câmara, Heber adotou postura cautelosa e disse não ser o momento de antecipar alianças, reafirmando que sua prioridade é a pauta da água. Sobre estrutura de gabinete, comentou o projeto que discute ampliação de assessorias, defendendo que equipes qualificadas podem tornar o mandato mais eficiente, desde que haja transparência e que não se abra espaço para práticas irregulares.
Na reta final, o vereador analisou o cenário de 2026 e avaliou que Nabor Wanderley reúne condições para disputar o Senado, destacando capacidade de articulação política e o peso administrativo de sua trajetória em Patos. Também comentou a conjuntura nacional, indicando expectativa de disputa presidencial acirrada e defendendo que o eleitor tende a considerar estabilidade e governabilidade, além da composição do Congresso que será eleito.
A edição excepcional do Voz e Representação terminou com um recado central: Patos precisa tratar a água como prioridade pública permanente. Entre apelos à mobilização, defesa de planejamento e cobrança por articulação política, a entrevista consolidou a mensagem de que segurança hídrica é tema suprapartidário e condição básica para qualidade de vida e desenvolvimento econômico no Sertão.
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